Uma Vida Toda Empatada estreia já esta sexta-feira, dia 5 de fevereiro.
O sururu tem sido imparável em relação ao novo filme de Tiago P. de Carvalho, Uma Vida Toda Empatada, que conta com um elenco de luxo e tem Maria João Pinho como protagonista. Agora, e depois de algum tempo de espera, eis que temos uma data de estreia: 5 de fevereiro, às 22h30, na RTP1.
O guião é adaptado do conto homónimo de Mário de Carvalho, sendo o realizador criou um thriller que mistura o suspense de David Fincher e a ironia dos irmãos Coen.
Diz-se que as interpretações estão sublimes e que o suspense e adrenalina da história prendem-nos ao ecrã até ao último minuto, lançando também questões morais que permanecem depois do filme terminar.
Descobre os segredos do mundo duplo de The Medium.
Janeiro recebeu um dos jogos mais antecipados para o início deste ano, com a nova aposta de horror da Bloober Team, The Medium, naquele que é um dos primeiros jogos de consola exclusivo para as Xbox Series X e Series S.
Juntem-se a Marianne e ajudem-na a descobrir porque razão foi chamada ao remoto resort de Niwa com as suas habilidades especiais que a permite viajar entre mundos, em mais um passatempo do Echo Boomer em colaboração com o Future Behind.
Para se habilitarem a ganhar uma chave digital de The Medium, compatível com o PC e consolas Xbox Series X|S basta preencherem o formulário em baixo até às 23h59 do dia 07/02/2021 e aguardarem pela revelação do vencedor, que será contactado em privado.
Atualização: E os vencedores do Giveaway The Medium foi:
Eduardo Silva
Obrigado a todos pela participação e por seguirem o Future Behind e o Echo Boomer e fiquem atentos aos nossos futuros passatempos.
Juntem-se ao vosso ninja cibernético nesta luta pelo futuro cibernético neste jogo de ação e plataformas.
Os estúdios independentes continuam a sua viagem pela nostalgia, inspirando-se, de forma mais direta ou indireta, em alguns dos maiores clássicos da indústria dos videojogos. É difícil resistir à tentação de adaptar os videojogos que nos influenciaram ao longo de décadas e Cyber Shadow, da Mechanical Head Studios, é mais um exemplo desta vontade em não só homenagear uma era há muito perdida, como criar um verdadeiro revivalismo do género. E se na geração passada tivemos um cimentar neste novo olhar sobre o passado, com Shovel Knight e The Messenger, Cyber Shadow funciona como um best-of antes de passarmos a projetos mais arriscados e inovadores.
Os elementos clássicos estão todos presentes. Desde um futuro dominado pela tecnologia até aos clãs de ninjas e às criaturas biomecânicas, Cyber Shadow parece ter saído diretamente dos anos 80, conseguindo capturar a alma das arcadas e da era 8bits. No entanto, as influências não se ficam apenas pelas tonalidades e pela estética visual, num pixel-art repleto de personalidade e cor, mas também pela forma como a estória é apresentada, com a Mechanical Head Studios a utilizar pequenos trechos animados para nos transmitir a demanda do nosso ninja cibernético. É impossível não pensar em Ninja Gaiden nestas sequências, tanto pela direção, como pela aposta num certo melodrama que acaba por compor alguns dos pontos importantes da narrativa.
De facto, Cyber Shadow só revela a sua idade através destas sensibilidades narrativas, combinando um mundo mais extenso e interligado que nos traz personagens secundárias e até momentos de estória secretos que poderão escapar aos menos curiosos. Há uma vontade em contar uma estória, há uma atenção aos pormenores e à caraterização de personagens, ainda que a campanha se mantenha de pés assentes nos clichés do género. No entanto, é uma escolha acertada, dando ao jogo uma maior personalidade e vivacidade para além das suas influências.
Fora da narrativa, Cyber Shadow não ambiciona ser inovador, mas sim dar aos jogadores uma experiência sólida, familiar e desafiante. Com oito capítulos à disposição, a ação decorre através de níveis maioritariamente horizontais onde o foco mantém-se na ação, nos saltos estratégicos e nos perigos constantes. A dificuldade é um dos destaques, especialmente quando temos em conta as suas influências, mas a jogabilidade é tão fluída, intuitiva e de resposta rápida que nos sentimos sempre em controlo de todas as situações. Os saltos são rápidos e certeiros, sem pausas, e o ataque mantém, no entanto, a velocidade do jogo a um ritmo sempre estratégico, existindo um pequeno atraso entre ataques, algo que os mais nostálgicos irão perceber rapidamente.
Apesar da sua estrutura arquetipal, o design dos níveis assume uma maior abertura e convida os jogadores a explorar os seus vários caminhos alternativos. É certo que se trata de um jogo linear, ainda mais se decidirem focar-se apenas na campanha, mas há espaço para repetirem não só os níveis, como descobrir os seus segredos. Estas zonas escondidas são fáceis de encontrar, mas muitas delas, senão todas, só são acessíveis através do auxílio de novas habilidades. Não pensem que Cyber Shadow é um metroidvania, mas a verdade é que existe este incentivo. O ninja pode ganhar a habilidade de saltar entre paredes, de se mover rapidamente no ar e de realizar novos ataques, como a utilização de shurikens e um gancho que provoca um ataque de fogo. As opções aumentam ao longo da campanha e sentimos que estamos a evoluir a nossa personagem e a melhorar o seu poder de ataque, mas também a sua rapidez e destreza na movimentação.
Através do mapa, podemos facilmente alternar entre capítulos e continuar a exploração. Cyber Shadow é um jogo muito difícil e imperdoável, e aconselho-vos vivamente a revisitarem todas as zonas em busca de novos pontos de vida e de energia. Esta evolução progressiva do ninja cibernética nunca invalida a dificuldade do jogo, nunca nos sentimos seguros ou em completo domínio dos níveis e das suas inúmeras armadilhas, mas há uma deliciosa sensação de segurança que se instala quando conseguimos aumentar a vida do nosso ninja. É quase um fator psicológico, já que o jogo nunca nos deixa de desafiar, mas é um incentivo forte para continuarmos a explorar este mundo de monstros cibernéticos. Por fim, temos ainda as habilidades temporárias que podemos encontrar ao longo dos níveis e que aumentam o poder da personagem ou adicionam um novo ataque, como uma estrela que gira em torno do ninja.
Cyber Shadow não falha no estilo e no tipo de jogabilidade que quis emular, mas deixa-nos a pensar se esta aposta na nostalgia é, de facto, sempre viável e desculpável. Os níveis estão, na maioria, equilibrados, mas é muito difícil jogarmos sem nos sentirmos frustrados ou irritados com a complexidade de desafios que encontramos num só nível. Sejam armadilhas, hordas de inimigos ou os seus padrões de ataque, Cyber Shadow não nos deixa respirar, uma decisão que acharia acertada se não tivéssemos elementos que nos derrotam com um só ataque, a presença de trowback, onde somos empurrados para trás, ou ainda trechos de ação completamente retirados de outros videojogos – como a famosa sequência de elevador, onde temos de nos desviar de obstáculos e inimigos.
Não quero, no entanto, desvirtuar as decisões de design da Mechanical Head Studios. Cyber Shadow é um jogo que raramente falha nos seus objetivos e é, em todos os aspetos, uma excelente readaptação dos clássicos de ação. O que quero desafiar é a falta de evolução entre os originais e as suas homenagens. Se, na era dos 8 bits, o objetivo era expandir a longevidade de jogos que tinham, no máximo, a duração de uma hora, no quadro atual estamos apenas no terreno da imitação e algumas escolhas de design não são justificadas. Talvez seja a frustração a falar mais alto, mas Cyber Shadow perde parte da sua identidade ao tentar aproximar-se tanto de outros jogos que já vimos antes.
Cyber Shadow é um bom regresso ao passado, com uma jogabilidade forte e muito fluída que nos mantém constantemente em movimento. Os ataques são satisfatórios, as habilidades melhoram a experiência passo a passo e a banda sonora, tal como os efeitos visuais, complementa o estilo nostálgico e a dificuldade do ritmo frenético dos níveis. É pena, no final do dia, que apresente tão pouco que o torne único, mas essa não foi a intenção da Mechanical Head Studios. No entanto, porque não arriscar no próximo projeto? Estaremos aqui para saber mais.
Disponível para: PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Swich Jogado no PC. Cópia para análise cedida pela Yatch Club Games.
Uma lenda dos setes mares que ganha vida neste lançamento no PC e consolas.
Janeiro é um mês inglório, um interregno de 31 dias onde o mundo do entretenimento parece parar para recuperar o fôlego dos meses festivos. É uma forma cruel de começar um novo ano, onde a atenção se foca mais num reencontrar de objetivos pessoais e de metas profissionais do que no consumo de um novo filme ou videojogo. Se, no cinema, janeiro é o mês onde os estúdios lançam projetos a serem flops comerciais, a indústria dos videojogos começa, aos poucos, a apostar mais fortemente nestes meses atípicos, ainda que, como este ano demonstrou, sejam liderados por videojogos independentes, como Olija.
Existe, no entanto, uma vantagem em lançar um novo título em janeiro, apesar do cenário apocalítico que tracei na introdução. Com os grandes estúdios a escolherem março e o início da primavera para lançarem as suas novas apostas, os produtores independentes têm, assim, dois meses onde o destaque e as luzes dos holofotes recaem sobre si, sendo estreias humildes, mas que, em meses de carência, parecem fazer as delícias dos mais curiosos. Olija, de Thomas Olsson, com ajuda da Skelton Crew Studio, é um desses casos.
Uma aventura de ação cinematográfica, em 2D, que assume uma estrutura menos linear à medida que nos conta a estória do capitão Faraday e a sua demanda em busca de um melhor futuro para a sua tripulação. Depois de meses no alto mar, o capitão e a sua tripulação vêm-se naufragados numa terra hostil e desconhecida, onde lendas e monstruosidades andam de mão dadas.
A sua veia cinematográfica não é inocente e é, de facto, o elemento que o destaca das restantes estreias de janeiro. Olija bebe diretamente dos clássicos, dos tempos onde os jogos de plataformas e ação tentavam criar uma rutura com a aposta em mascotes das grandes produtoras e desenvolver campanhas mais adultas e narrativas. Out of this World, Flashback e Blackthorne são alguns dos títulos que surgem entre as linhas quando exploramos o mundo de Olija, com o seu pixel-art, sequências de vídeo e ritmo a relembrarem estes clássicos modernos. A estória de Faraday não é a mais original, mas é sólida e focada nesta demanda de um herói, de coração nobre, que tem de enfrentar todas as adversidades à medida que descobre o seu lugar num mundo de lendas e tradições marítimas. Para todos os efeitos, é o equivalente a uma estória passada de pescadores a pescadores, de família em família, como um cântico do alto-mar.
Ao contrário das suas influências, Olija não é propriamente um jogo linear. Existe um foco na narrativa, claro, que se sente ao longo da sua campanha curta, mas temos à nossa disposição um mapa com várias localidades que podemos revisitar quando quisermos. Não só podemos regressar a estas zonas, como podemos descobrir novos segredos e encontrar recursos que nos permitem construir novos chapéus e itens que nos ajudam na nossa demanda. A abertura do mapa é bem-vinda, ainda mais quando as zonas são curtas e de fácil navegação, aliadas por um bom sentido estético que lhes dá alguma personalidade e vida – ainda que se foquem muito em clichés do género, como as famosas grutas e florestas –, mas a expansividade deste mundo náutico é ilusória e não esperem encontrar mais do que aquilo que Olija é: uma aventura cinematográfica e muito assente no classicismo do género.
No entanto, Thomas Olsson soube dar profundidade a este mundo e, apesar de muitos dos seus mistérios ficarem sem resposta, uma escolha que, pessoalmente, respeito, continuamos a sentir uma proximidade aos seus habitantes. Terraphage vive quase noutra realidade, em mundos que os antigos pescadores e navegadores sonhavam e imaginavam quando se viam perdidos em alto-mar, com a sua zona principal a ser construída de barcos naufragados e de réstias de madeira perdidas no mar. Entre seres irreconhecíveis e sociedades milenares, surge uma comunidade de náufragos sem futuro ou direção, entregues ao seu destino. Através de Faraday, temos a oportunidade de lhes dar uma nova vida e de os ajudar a fugir de uma vez de Terraphage e regressar ao nosso mundo.
Esta segunda oportunidade surge através de uma mecânica simples de construção, onde podemos adicionar novas lojas e habitantes à aldeia piscatória, ainda que o grande grosso desta reconstrução aconteça a nível narrativo, com Faraday a chamar mais a atenção de outros habitantes e a encontrar náufragos que se juntam à sua causa. É a narrativa visual a funcionar em todo o seu esplendor, criando assim, no jogador, uma sensação palpável de progresso à medida que a aldeia ganha uma nova vida.
Na jogabilidade, as surpresas e novidades mantém-se também controladas. Faraday salta, desvia-se e ataca com quatro tipo de armas diferentes, tal como a possibilidade de lutar com os seus próprios punhos. Os níveis, como já mencionei, são curtos e focam-se maioritariamente em puzzles rápidos e em sequências de combate caóticas, existindo alguma verticalidade nestes cenários escuros, mas sempre lineares. No entanto, Olija despe-se das suas influências e aceita a sua identidade moderna através da sua mecânica principal: o arpão. Com esta arma, Faraday pode não só atacar, como movimentar-se à velocidade da luz, entre vários pontos do mapa quase como teletransporte. Para tal, basta atirar o arpão para as substâncias gelatinosas, identificadas com olhos e veias, espalhadas pelos cenários e disparar na sua direção. A mecânica é intuitiva e muito fácil de utilizar e podemos, inclusivamente, utilizá-la contra inimigos e desviar-nos de ataques mortais ou continuar a atacar sem perder o fôlego. Simples, mas muito eficaz.
O sistema de combate foi uma surpresa. Devido à sua natureza narrativa, não esperava que Olija se focasse tanto nos confrontos físicos, mas disponibiliza um leque muito interessante de armas, acessórios e combinações rápidas. Seja com o arpão ou com a espada ou arco e flecha, Faraday consegue atacar rapidamente e conciliar golpes pesados, fazer rasteiras ou até aplicar um gancho certeiro no queixo dos monstros que enfrenta. Existe ainda uma barra de energia que podemos encher à medida que disferimos ataques, culminando num ataque especial mais destrutivo. Ao pressionarem um dos botões direcionais, os jogadores têm acesso a novas combinações que os ajudam a dominar melhor certos grupos de inimigos.
No entanto, os combates depressa se caóticos e perdemos a necessidade de utilizar certas armas, como a espingarda, quando os golpes mais simples são suficientes. Mais uma vez, Olija sofre de uma ilusão aguçada de profundidade e, quando puxamos pelas suas mecânicas, percebemos que nunca existiu sequer uma vontade em conciliar todos os elementos e exponenciá-los. O arpão é implacável e basta utilizá-lo para evitarmos a maioria dos ataques, até contra bosses, o que retira muita da dificuldade do jogo. Sentir-se-ão mais seguros em combate do que nas secções de plataformas, onde as armadilhas implacáveis e a falta de visão entre ecrãs – que nos impossibilita de ver o que nos espera, sejam precipícios ou inimigos inesperados –, tal como Out of this World, serão os vossos verdadeiros inimigos.
O sistema de chapéus, que podemos construir ao longo da campanha, é uma boa adição e uma escolha interessante para aumentar o leque de habilidades do nosso capitão sem navio. Cada chapéu tem uma habilidade associada, como a utilização de eletricidade e ácido, tal como a possibilidade de roubarmos energia aos inimigos ou invocar penas cortantes sempre que nos movimentamos com o arco ou nos desviamos. São boas opções que perdem, no entanto, um pouco a sua profundidade num sistema de combate tão básico. Isto porque nunca sentirão falta da maioria dos chapéus, bastando a utilização de um para se sentirem quase invencíveis. Podem, por exemplo, equipar o chapéu que vos dá o poder de choque para destruírem (quase) tudo à vossa frente, tal como ativar alavancas e outros puzzles sem necessitar de seguirem os objetivos que o jogo quer que sigam. O foco não foi o desafio, é fácil ver esta escolha no design, mas perde-se parte da tensão e ritmo da campanha nesta decisão. Apesar da sua curta duração, Olija consegue ser, por vezes, demasiado longo.
Voltemos ao início. Janeiro é, sem dúvidas, um bom mês para videojogos que procuram fugir à intensa fase de lançamentos que se avizinha a partir de março, mas é, ao mesmo tempo, uma armadilha. Em janeiro, estes projetos, como Olija, ficam perdidos e esquecidos entre os grandes destaques, sem conseguirem encontrar um público concreto. É inevitável. Olhemos, por exemplo, para Journey to the Savage Planet, lançado em 2020, mas é a consequência deste mês de lançamentos.
Olija não é um jogo original, tem problemas de ritmo, apesar da sua curta duração, e é, em todos os sentidos, uma boa coletânea de mecânicas e ideias que não são levadas ao seu ponto máximo, ficando entre o desnecessário e o potencial perdido. Mas Olija tem muita personalidade, uma visão cinematográfica forte e um amor pelos clássicos do género que valem, ainda assim, o seu preço de admissão. É um bom jogo que tinha potencial para ser ainda melhor.
Disponível para: PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch Jogado na PlayStation 4 Cópia para análise cedida pela Cosmocover.
A Netflix revelou mais uma nova série de animação inspirada em videojogos e, desta vez, vai buscar uma das mascotes mais populares do entretenimento. Abram alas para o Sonic, numa nova série de animação 3D original.
Chama-se Sonic Prime e tem data de estreia em 2022. O anúncio foi feito através de uma das contas oficiais da Netflix, mas não foram revelados muitos mais detalhes.
A série será produzida com a óbvia ajuda da SEGA, juntamente com a Wildbrain Studios, de séries como Carman Dandiego, The Adventures of Rocky and Bullwinkle e Ninjago, e com a Man of Action, de Ben 10 e Ultimate Spider-Man.
Apesar de só chegar em 2022, o anúncio chega em forma de celebração do 30º aniversário da mascote da SEGA, que é completado este ano, e para o qual ainda não foi revelado nenhum jogo novo.
A última vez que vimos Sonic em formato animado para a televisão foi em Sonic Boom. No caso do cinema, a sua estreia no grande ecrã aconteceu em Sonic the Hedgehog, no início de 2020.
The Dog Who Wouldn’t Be Quiet possui um título e premissa criativos, mas é demasiado inconsistente e pouco envolvente.
Foto: Sundance Institute
Sinopse:“Sebastian encara educadamente os seus vizinhos que reclamam dos gritos do seu cão e reage da mesma forma aos seus patrões, que proíbem animais de estimação no local de trabalho. Uma série de momentos peculiares e desafiadores como este seguem-se à medida que Sebastian muda de emprego e volta a aproximar-se da sua mãe. Em determinado momento, juntamente com a nova responsabilidade de ser pai, Sebastian tem que enfrentar uma pandemia desconhecida – uma que requer as medidas preventivas bizarras de andar agachado e usar um fato de bolha bastante caro. Às vezes indiferente, outras vezes cautelosamente otimista, “o homem comum” Sebastian mostra uma resiliência surpreendente.”
Não tenho bem a certeza, mas The Dog Who Wouldn’t Be Quiet é, provavelmente ,o filme mais curto do festival Sundance deste ano. Por um lado, é uma exibição extremamente rápida, atingindo um público mais amplo que pode espalhar a notícia sobre o filme. Por outro, arrisca a sua história e personagens no sentido de que estes podem não ter o desenvolvimento adequado. A realização de Ana Katz é, definitivamente, um dos destaques, empregando um lindo preto e branco que dá mais valor a uma história sobre resiliência humana e perseverança.
Uma série de eventos adversos afeta a vida de Sebastian, mas ele sempre encontra uma maneira de seguir em frente, lidando com as situações mais prejudiciais e dolorosas de uma maneira estranhamente distante. Não sei se foi uma escolha técnica do ator Daniel Katz, mas o argumento de Ana Katz e Gonzalo Delgado é um pouco desigual. Começando com um primeiro ato pouco convincente, The Dog Who Wouldn’t Be Quiet lá fica um pouco melhor, mas Sebastian não é um personagem fácil de se relacionar devido à sua aparente indiferença em relação a tudo.
Muitas coisas que acontecem na sua vida destruiriam por completo algumas pessoas, logo o seu comportamento “seja lá o que for” é estranho, especialmente se compararmos a outras ações que vai realizando. Numa das cena, Sebastian parece um ser humano responsável, carinhoso e até engraçado, mas à medida que o tempo passa entre diferentes períodos de sua vida, Sebastian parece alguém que não se importa minimamente com qualquer tipo de consequência. A inconsistência deste personagem é o meu principal problema com este filme, tendo sido bem difícil relacionar-me com ele. Tendo assistido a Land ontem, este último aborda os mesmos temas de uma maneira muito mais cativante. Tecnicamente, porém, o filme tem muitos aspetos que valem a pena elogiar.
Lindamente filmado em preto-e-branco e acompanhado por uma banda sonora interessante (Nicolas Villamil), The Dog Who Wouldn’t Be Quiet é suposto ser um estudo de personagem sobre a resiliência, determinação e perseverança de uma pessoa humana quando confrontada com as piores situações que acontecem ao longo da vida. Apesar da mensagem ser transmitida com sucesso, a personagem de Daniel Katz está longe de ser um protagonista convincente devido à sua aparente indiferença em relação a todos os eventos negativos.
Aceitação e “seguir em frente” são atos compreensíveis e até motivacionais, mas se o filme não retrata os momentos que definem estes passos, torna-se realmente complicado sentir sequer pena pela personagem principal, quanto mais inspiração. Ana Katz demonstra os seus atributos talentosos como realizadora, mas o seu argumento admitidamente criativo co-escrito com Gonzalo Delgado carece de consistência e energia.
Opiniões concisas sobre os filmes que assisti durante o terceiro dia do festival Sundance 2021, incluindo links para as respetivas críticas.
Tal como fiz após o primeiro e segundo dia, está na altura de fazer um breve resumo do que consegui ver neste terceiro dia do conhecido festival de cinema. Em baixo, poderão ler um breve resumo dos cinco filmes que fizeram parte das nossas escolhas: Prime Time, Mass, Marvelous and the Black Hole, Together Together e Land.
Prime Time
Prime Time possui uma premissa intrigante e um primeiro ato extremamente envolvente, mas perde essa energia inicial com o passar do tempo, terminando com um ato final previsivelmente apropriado e underwhelming. Apesar das boas prestações por parte do elenco, o argumento de Jakub Piątek e Łukasz Czapski coloca as três personagens no centro da história, mas falta um desenvolvimento individual mais convincente e aprofundado, tornando desafiador para os espectadores estabelecer qualquer tipo de conexão com o(s) protagonista(s).
A mensagem é mais do que clara e, até, bastante satisfatória, especialmente considerando que constrói indiretamente o momento final. No entanto, o caminho que os espectadores precisam de percorrer para chegar ao fim pode não conter tanto entretenimento nem ser tão emocionante como se esperava. (link para a crítica)
Mass
Mass é, sem dúvida, uma das visualizações mais emocionalmente desafiadoras que alguma vez enfrentei. A estreia de Fran Kranz como argumentista-realizador conta uma história incrivelmente pesada através de quatro atores que exploram profundamente as suas personagens, entregando todos as melhores prestações das respetivas carreiras. Todos são um destaque inacreditável: Jason Isaacs, Ann Dowd, Martha Plimpton e Reed Birney merecem uma campanha titânica para receber todos os prémios que se possam atribuir aos mesmos.
O elenco drena todas as gramas de emoção dentro dos espetadores, transformando uma pequena sala com um mise-en-scène impactante que conta a sua própria narrativa num ambiente extremamente tenso, avassalador, praticamente irrespirável. Dezenas de temas importantes e sentimentos complicados são abordados em pouco menos de duas horas, criando um filme verdadeiramente devastador que me deixou a chorar baba e ranho.
É totalmente impossível alguém não ficar afetado com este filme, nem que seja de uma forma negativa. É uma daquelas obras que recomendarei e apoiarei sem parar durante o seu eventual lançamento, mas não posso negar que esta pode muito bem ter sido a minha única visualização de uma história tão brutalmente exigente e autêntica. (link para a crítica)
Marvelous and the Black Hole
Marvelous and the Black Hole é uma tremenda surpresa, sendo um dos meus filmes favoritos do Festival Sundance até ao momento. A estreia de Kate Tsang é um sucesso fantástico que, definitivamente, a coloca como uma cineasta a quem se deve dar muita atenção nos anos seguintes.
Com um argumento notavelmente subtil e detalhado, Miya Cech e Rhea Perlman espalham a sua química brilhante pelo ecrã, entregando duas das prestações mais divertidas que vi nos últimos dias. Uma história bonita que começa com o impacto da perda de uma mãe e termina com um espetáculo mágico, emocionalmente poderoso e inspirador, que vou recordar durante algum tempo. A jovem protagonista é tão relacionável que não consegui impedir um par de lágrimas no final. (link para a crítica)
Together Together
Together Together possui um argumento tão bem humorado e inteligente que a sua aura alegre e divertida passa para o seu próprio título, que carrega mais significado do que aparenta. Ed Helms e Patti Harrison ostentam uma química sincera, entregando duas interpretações charmosas de personagens que são emocionalmente fáceis de se investir.
No entanto, Nicole Beckwith merece todos os elogios pela sua visão adorável sobre um tema tão formulaico enquanto educa os espetadores sobre o tópico “barriga de aluguer” ao mesmo tempo. Desde os diálogos genuínos e realistas ao humor surpreendentemente eficiente (não esperava rir-me tanto), não podia estar mais feliz. Sei que o final é propositadamente abrupto, mas não creio que funcione totalmente para mim. (link para a crítica)
Land
Land é uma estreia fantástica de Robin Wright enquanto realizadora, que também entrega uma das minhas prestações favoritas da sua carreira. Um filme incrivelmente inspirador que conta com os seus visuais inesquecíveis e uma banda sonora extremamente envolvente para me presentear com um dos meus filmes favoritos do Festival Sundance.
Sem sombra de dúvida, é um dos filmes mais deslumbrantes que vi nos últimos anos. Todas as cenas contêm uma paisagem de fundo espantosa que me levou às belas montanhas cheias de neve de uma maneira surpreendentemente emocional. Agradeço a Bobby Bukowski pela cinematografia de fazer cair o queixo, mas é a música de Ben Sollee e Time For Three que elevam a peça no seu geral de tal maneira que, sem a sua banda sonora, a narrativa sofreria tremendamente.
Demián Bichir também merece os mesmos elogios que Wright no que toca às suas prestações. O argumento de Jesse Chatham e Erin Dignam não é inovador, mas Land quebra a minha tendência pessoal de sentir que este tipo de filme não tem grande valor de repetição. A verdade é que desejo rever o mesmo o mais cedo possível e recomendo a todos que, eventualmente, também o façam. (link para a crítica)
Mass é um das das peças mais emocionalmente exigentes que alguma vez testemunhei. É impossível ficar indiferente perante uma história tão devastadora.
Foto: Sundance Institute | Ryan Jackson-Healy
Sinopse:“Imaginem a interação mais temida, tensa e emocionalmente desgastante em que se podem encontrar e multipliquem-na por 10. É precisamente isso que dois grupos de pais – Richard (Reed Birney), Linda (Ann Dowd), Jay (Jason Isaacs) e Gail (Martha Plimpton) – enfrentam. Anos após uma tragédia causada pelo filho de Richard e Linda destruir todas as suas vidas, Jay e Gail estão finalmente prontos para conversar na tentativa de seguir em frente.”
Não consigo explicar o porquê de só ter visto agora, mas não assisti a Mass enquanto estreia durante o Festival Sundance. Em vez disso, deixei essa visualização para o dia seguinte. Assim que terminei Wild Indian (que posso dizer que gostei), percebi que tinha cometido um erro. Mass é um dos filmes mais pesados e emocionais que já vi. Esta crítica deveria ter sido colocada um dia antes, mas precisava mesmo de processar tudo antes de começar a escrever. É ainda mais chocante considerando que esta é uma estreia em longas-metragens para Fran Kranz, que se torna um cineasta digno de toda a minha atenção a partir de agora.
A sua realização impressionante leva os espectadores através de uma história contada de uma forma tão crua e autêntica que até mesmo uma sala simples com cadeiras e uma mesa é suficiente para segurar o público durante todo o tempo de execução. Tecnicamente, devo elogiar a mise-en-scène de Kranz, que conta uma história por conta própria através do movimento dos atores e da posição de certos elementos durante cada cena. De algo aparentemente irrelevante, como as flores e tecidos cuidadosamente colocados, para a atmosfera extremamente tensa criada pela disposição desconfortável dos pais, terminei o filme emocionalmente exausto, como se alguém tivesse drenado tudo dentro de mim.
Isto leva-me a uma das performances mais convincentes, devastadoras e sinceras que já vi num único filme. Cada ator incorpora os seus respetivos personagens de uma forma tão doadora e apaixonada que tenho a certeza que este filme foi tão difícil de filmar para eles como foi para os espectadores assistirem. Jason Isaacs, Ann Dowd, Martha Plimpton e Reed Birney merecem nomeações para toda a temporada de prémios que há de chegar. Não consigo escolher quem se destaque, uma vez que todos eles são genuinamente magníficos. Estão tão extraordinariamente investidos em lidar com as lutas dos seus personagens que eu não conseguia parar de soltar lágrimas após cada linha de diálogo. Todos têm pelo menos um grande momento para brilhar e todos eles apresentam esse momento de uma maneira de fazer cair o queixo.
No entanto, Mass está longe de ser uma vitrine de atores. Traz vários assuntos sensíveis e importantes para cima da mesa (literalmente), como o uso de armas e o impacto dos videojogos nos jovens, mas também aborda sentimentos difíceis de lidar: perdão, amor, capacidade de seguir em frente, luto/perda, raiva, culpa, depressão e muito mais. É um daqueles filmes que, sem dúvida, irá causar um tremendo impacto em todos os espectadores, mesmo que seja de forma negativa. Por mais que adore tudo o que vi, também é um filme que não me vejo a assistir novamente, pelo menos não mais do que duas vezes. Termina com um tom positivo, mas pode ser muito exigente emocionalmente para mim nesta fase atual da minha vida.
Mass é, sem dúvida, uma das visualizações mais emocionalmente desafiadoras que alguma vez enfrentei. A estreia de Fran Kranz como argumentista-realizador conta uma história incrivelmente pesada através de quatro atores que exploram profundamente as suas personagens, entregando todos as melhores prestações das respetivas carreiras. Todos são um destaque inacreditável: Jason Isaacs, Ann Dowd, Martha Plimpton e Reed Birney merecem uma campanha titânica para receber todos os prémios que se possam atribuir aos mesmos.
O elenco drena todas as gramas de emoção dentro dos espetadores, transformando uma pequena sala com um mise-en-scène impactante que conta a sua própria narrativa num ambiente extremamente tenso, avassalador, praticamente irrespirável. Dezenas de temas importantes e sentimentos complicados são abordados em pouco menos de duas horas, criando um filme verdadeiramente devastador que me deixou a chorar baba e ranho.
É totalmente impossível alguém não ficar afetado com este filme, nem que seja de uma forma negativa. É uma daquelas obras que recomendarei e apoiarei sem parar durante o seu eventual lançamento, mas não posso negar que esta pode muito bem ter sido a minha única visualização de uma história tão brutalmente exigente e autêntica.
Vou-te mostrar com quantos paus se faz uma canoa.”
Adorada por muitos, mas odiada por outros tantos, a verdade é que a dobragem portuguesa de Dragon Ball não deixa ninguém indiferente. Se cresceram a ouvir expressões como “Agora silêncio que vou cantar o fado”, “Deixa-me rir agora que amanhã posso ter cieiro”, “Foste à Lúcia Piloto?”, “Este não é o Agora ou Nunca do Jorge Gabriel” ou “Vou-te mostrar com quantos paus se faz uma canoa”, cujas tiradas são da autoria de Henrique Feist, João Loy ou Ricardo Spínola, entre outros, fiquem a saber que um grupo de fãs está a trabalhar num mod que disponibiliza as icónicas vozes portuguesas em Dragon Ball FighterZ, fighting game da Arc System Works.
Daniel Azevedo, Paulo Ferreira, José Marques e André Leite são os responsáveis por esta modificação, não oficial, que apelidaram simplesmente de Mod DBFZ PT-PT. Segundo se pode ler no site oficial, e como este grupo não conseguiu trabalhar com a editora Namco-Bandai ou o estúdio Arc System Works, resolveram meter mãos à obra e avançar, eles próprios, com a disponibilização da dobragem portuguesa.
Para os responsáveis, “é de admirar que em quase 30 anos da versão portuguesa do Dragon Ball, nunca houve um único jogo deste anime com uma dobragem portuguesa”.
Como seria de esperar, o trabalho está a ser desenvolvido somente com a versão PC em mente. Quer isto dizer que, se tiverem o jogo no computador, podem desde já experimentar algum do trabalho desenvolvido.
Para isso, basta irem aqui e seguir todas as instruções, passo a passo. A equipa de fãs dá ainda um sério aviso: experimentem este caso apenas pretendam jogar offline e offline apenas. Até porque modificar a mecânica do jogo e jogar online pode fazer com que sejam banidos.
Daniel Azevedo, Paulo Ferreira, José Marques e André Leite avisam ainda que o “áudio não tem a melhor qualidade”, até porque “quase existe sempre música ou barulho por cima na maior parte das falas”.
Land é um dos filmes visualmente mais inspiradores que alguma vez vi, mas a sua banda sonora ainda consegue ser mais impactante.
Foto: Sundance Institute | Daniel Power Copyright Focus Features LLC 2020
Sinopse:“Da aclamada atriz Robin Wright vem a sua estreia na cadeira da realização, Land. Uma história comovente sobre a procura por um propósito de uma mulher no vasto e áspero deserto americano. Edee (Wright), após um evento insondável, encontra-se incapaz de permanecer conetada ao mundo que conheceu e, perante essa incerteza, recua para a magnífica mas implacável natureza de Rockies. Depois de um caçador local (Rockies) salvá-la no precipício da morte, Edee tem que encontrar uma forma de viver novamente.”
Quem não gosta da carreira de Robin Wright como atriz? Sempre que vejo o seu nome ligado a um filme, não posso deixar de me sentir extremamente animado. Logo, qualquer projeto com a atriz seria um dos meus filmes mais esperados do Festival Sundance. No entanto, a principal razão pela qual aguardava por Land não era devido ao seu valor enquanto atriz, mas sim porque Land marca a sua estreia enquanto realizadora de uma longa-metragem. O seu desempenho não me dececionou, muito pelo contrário. Wright continua a provar o seu talento várias vezes, entregando uma interpretação incrivelmente cativante de uma personagem que demonstra que a perseverança e a vontade de viver podem funcionar como um método de cura nos piores tempos. Um extraordinário estudo de personagem escrito por Jesse Chatham e Erin Dignam.
No entanto, é o seu papel enquanto realizadora que mais me surpreende. A sua visão é claramente retratada através da suntuosa cinematografia (Bobby Bukowski) e da banda sonora original (Ben Sollee, Time For Three) que se torna parte da narrativa. Na verdade, ouso escrever que, sem a sua música, Land não teria esse elemento especial para elevar tudo como um todo. Bom, para ser justo, as montanhas Rockies guardam paisagens de fazer cair o queixo e são tão inspiradoras que, sinceramente, gostaria de olhar para este filme devido às suas paisagens.
É um dos filmes mais bonitos que vi nos últimos anos e isso é uma componente fundamental porque, em termos de história, não há muita ação ou eventos impactantes a acontecerem – exceto os últimos minutos reveladores -, o que se pode tornar cansativo para alguns espectadores. É um pouco estranho como, por norma, não vejo grande valor em revisitar reste tipo de filmes, mas, desta vez, quero genuinamente rever Land para apreciar as suas imagens e músicas. Não posso terminar esta crítica sem elogiar Demián Bichir, que oferece uma performance tão notável quanto a de Wright. Absolutamente fenomenal.
Land é uma estreia fantástica de Robin Wright enquanto realizadora, que também entrega uma das minhas prestações favoritas da sua carreira. Um filme incrivelmente inspirador que conta com os seus visuais inesquecíveis e uma banda sonora extremamente envolvente para me presentear com um dos meus filmes favoritos do festival Sundance.
Sem sombra de dúvida, é um dos filmes mais deslumbrantes que vi nos últimos anos. Todas as cenas contêm uma paisagem de fundo espantosa que me levou às belas montanhas cheias de neve de uma maneira surpreendentemente emocional. Agradeço a Bobby Bukowski pela cinematografia de fazer cair o queixo, mas é a música de Ben Sollee e Time For Three que elevam a peça no seu geral de tal maneira que, sem a sua banda sonora, a narrativa sofreria tremendamente.
Demián Bichir também merece os mesmos elogios que Wright no que toca às suas prestações. O argumento de Jesse Chatham e Erin Dignam não é inovador, mas Land quebra a minha tendência pessoal de sentir que este tipo de filme não tem grande valor de repetição. A verdade é que desejo rever o mesmo o mais cedo possível e recomendo a todos que, eventualmente, também o façam.
Estima-se um investimento global que ultrapassa os 32 milhões de euros.
A CSide, através do serviço EnergyRing, pretende dar suporte à implementação de 60 comunidades de energia renovável em Portugal nos próximos dois anos, trabalhando com municípios e empresas, num investimento global que ultrapassa os 32 milhões de euros.
Segundo um estudo da empresa, que está atualmente a concluir quatro comunidades de energia próximo de Monção, as 60 comunidades de energia renovável permitirão que mais de 33.000 habitações, em todo o país, tenham acesso a energia limpa produzida localmente, com alto índice de poupança na fatura.
A CSide informa ainda que o preço por kWh da energia autoconsumida em comunidades de energia renovável pode ser 40% inferior aos preços médios praticados pelos comercializadores.
Vários municípios estão a preparar o lançamento de projetos de comunidades de energia renovável em 2021, permitindo que os seus munícipes, domésticos e empresariais, usufruam de eletricidade a custos reduzidos, em muitos casos com instalação de painéis solares em edifícios e infraestruturas municipais e sendo o usufruto partilhado com os membros da comunidade.
A CSide, que tem apoiado vários municípios no planeamento e implementação destes projetos, revela que, dependendo do projeto e do tipo de ligação à rede, os consumidores podem beneficiar adicionalmente de poupanças entre 10% a 15% da fatura de eletricidade ou de uma isenção total dos custos de acesso à rede.
A dinamização de comunidades locais de energia renovável permite também aos municípios, por exemplo, em bairros históricos ou em zonas residenciais onde seja complexa a instalação de painéis solares, disponibilizar aos moradores os benefícios da energia fotovoltaica.
A consultora tem vindo a trabalhar com diversos municípios no planeamento e implementação de comunidades de energia renovável que reúnem os vários edifícios na dependência da autarquia (armazéns, edifícios de bombeiros, pavilhões gimnodesportivos, piscinas municipais, edifícios de escritórios, agrupamentos escolares, etc), potenciando reduções significativas nas despesas mensais com energia.
Em paralelo, a dinamização pelos municípios de comunidades de energia renovável nos parques industriais constitui um fator diferenciador e de atração de empresas, para as quais uma redução de 30% nos custos mensais de eletricidade pode ser muito significativa.
Nunca tiveram oportunidade de experienciar um verdadeiro clássico? Então esta é a altura indicada.
Quem é mega fã de animes certamente que conhece a Crunchyroll, plataforma que foi recentemente adquirida pela Sony Pictures Entertainment, no que se espera que seja uma fusão com o serviço Funimation, que não está disponível na Europa. Embora não se saiba bem o que vai acontecer, existe a esperança de que a compra da plataforma signifique a expansão para países onde a Crunchyroll funciona, como é o caso de Portugal.
Mas não é disso que vos queremos falar. É, sim, de uma série clássica de animação. Referimo-nos a Mobile Suit Gundam, de Yoshiyuki Tomino, pois claro. Tendo surgido em 1979, a verdade é que Mobile Suit Gundam não teve lá muito sucesso quando foi apresentado pela primeira vez no pequeno ecrã, tendo registado fracas audiências. Porém, tudo mudou quando a Bandai adquiriu os direitos para produzir bonecos dos robôs gigantes.
Na Crunchyroll, terão acesso a 42 episódios, podendo escolher vê-los em Japonês ou dobrados em Inglês. No que toca a legendas, têm à disposição Português do Brasil. Estranhamos, porém, o porquê de não estar disponível o episódio 43, que termina a série. Esperemos que venha a ser disponibilizado em breve.
Melhor de tudo? Mesmo que não tenham uma subscrição paga, podem ver gratuitamente estes episódios. Contudo, aconselhamos a que adquiram uma conta premium e dividam o valor com amigos. É que a versão gratuita, apesar de funcionar, apresenta demasiada publicidade ao longo dos episódios, tornando-se bastante incomodativa.
Together Together carrega um argumento inteligente e prestações excelentes. Simplesmente, deixa-me feliz.
Foto: Sundance Institute | Tiffany Roohani
Sinopse:“Quando Anna (Patti Harrison), de 26 anos, se torna uma barriga de aluguer gestacional para um designer de aplicações solteiro de meia-idade chamado Matt (Ed Helms), ela espera apenas um pouco de bom karma transicional e o dia de pagamento que lhe permitirá terminar o seu curso universitário. Mas como o entusiasmo desenfreado de Matt pela paternidade iminente o leva a persistentemente intrometer-se na vida de Patti e a convidá-la para a sua, a inicialmente irritada Anna vê-se relutantemente encantada. O par de auto-adjetivados “solitários” abre-se gradualmente um para o outro, cedendo à intimidade da sua reconhecidamente finita experiência partilhada e forjam uma amizade improvável.”
Gosto imenso de ser surpreendido por atores que geralmente são mais conhecidos pelas suas participações em filmes de comédia apostarem em papéis mais sérios ou dramáticos. No fundo, querem mostrar algo diferente do tipo de performances a que estamos acostumados a ver. Adoro Ed Helms, confesso, mas o enredo de “ter um bebé” já foi abordado tantas vezes que estava um pouco assustado que esta visualização fosse dececionante. Felizmente, Together Together não é apenas um título criativo que os espectadores irão entender a meio do filme, mas uma adorável, divertida e encantadora história de amor platónica que é, também, bastante educativa sobre barrigas de aluguer.
Em primeiro lugar, Ed Helms prova que realmente consegue superar qualquer desafio. Matt é um personagem genuinamente convincente, assim como Anna, e ambos partilham um desenvolvimento excecional através do argumento espirituoso de Nikole Beckwith. Embalados com uma leveza agradável e humor inteligente, Helms e Patti Harrison oferecem duas performances maravilhosas, mas devo elogiar o argumento de Beckwith novamente. Todos os diálogos parecem autênticos, honestos e reais. Não sou o maior fã de rom-coms ou a típica fórmula de “dois estranhos apaixonam-se da maneira mais inesperada”, mas Together Together faz-me sentir tão bem comigo mesmo.
Esse é o maior elogio que posso oferecer a este filme: deixa-me feliz. Apesar de ainda ser genérico e surpreendente, nunca fiquei entediado, não revirei os olhos uma única vez e ri alto muitas vezes. É um daqueles filmes que as pessoas podem ir ao cinema, quando tal for possível, e sair com um estado de espírito mais positivo. Além disso, e como assisti ao devastador Mass depois do almoço, precisei de ver Marvelous and the Black Hole e, logo de seguida, Together Together, para alegrar o meu dia. Dito isto, obrigado a todos os envolvidos neste último.
Together Together possui um argumento tão bem humorado e inteligente que a sua aura alegre e divertida passa para o seu próprio título, que carrega mais significado do que aparenta. Ed Helms e Patti Harrison ostentam uma química sincera, entregando duas interpretações charmosas de personagens que são emocionalmente fáceis de se investir.
No entanto, Nicole Beckwith merece todos os elogios pela sua visão adorável sobre um tema tão formulaico enquanto educa os espetadores sobre o tópico “barriga de aluguer” ao mesmo tempo. Desde os diálogos genuínos e realistas ao humor surpreendentemente eficiente (não esperava rir-me tanto), não podia estar mais feliz. Sei que o final é propositadamente abrupto, mas não creio que funcione totalmente para mim.
TheBreadwinner, Totoro, Kiki’s Delivery Service… Tudo bom cinema para devorar aos sábados e domingos.
São fãs de filmes de animação, sejam do Studio Ghibli, Laika, Cartoon Saloon ou outros, e não sabem o que ver por estes dias ou não têm nenhum serviço de streaming que vos encha as medidas? Pois bem, a RTP2 tem a solução.
Em fevereiro, o segundo canal da estação pública vai ter um espaço dedicado à animação, com filmes culto e de realizadores consagrados. Há clássicos como Totoro e Kiki’s Delivery Service, mas também projetos mais recentes, casos de From Up On Poppy Hill, Mirai, Mary and the Witch’sFlower e The Breadwinner.
Embora a RTP2 tenha referido que os fins de semana de cinema têm início às 13h30, aconselhamos a que se preparem uns minutos antes. Para terem noção da hora exata da transmissão, embora possam sempre voltar ao início do filme com a funcionalidade de retroceder da box, basta ficarem atentos à grelha de programação e irem verificando os filmes que vão ser exibidos até final do mês.
Marvelous and the Black Hole contém uma história muito bonita no seu centro, impossível de não criar um impacto positivo na audiência.
Foto de: Sundance Institute | Nanu Segal
Sinopse:“Sammy (Miya Cech), de 13 anos, encontra-se com dificuldades em lidar com a morte da mãe. Depois de ser apanhada a vandalizar uma das casas-de-banho da escola, o seu pai, farto do seu comportamento selvagem, coloca-a num curso de verão – se falhar, será enviada para um campo de treino para jovens delinquentes. Depois de sair tempestivamente da sua primeira aula, Sammy conhece Margot (Rhea Perlman), uma ilusionista mal-humorada. Margot força Sammy a ser a sua assistente para uma performance e, embora Sammy esteja pouco interessada, procura Margot após o espetáculo e pede para se tornar sua aprendiz. Margot concorda e, à medida que a sua amizade improvável cresce, aprendemos que ela e Sammy acabam por entender-se mais do que esperavam.”
É, definitivamente, culpa minha, mas, até, agora, a minha agenda do Festival Sundance pode ser caracterizada principalmente por finais incrivelmente ambíguos, narrativas com várias camas e histórias emocionalmente pesadas que me deixaram totalmente exausto até o final do dia. Depois de assistir a Mass, cuja visualização se tornou devastadora, precisava seriamente de algo para alimentar meu espírito e recarregar a minha energia para o resto do dia. Portanto, estou super encantado após perceber que Marvelous and the Black Hole é um filme tão maravilhosamente leve, engraçado e edificante.
Miya Cech (Sammy) e Rhea Perlman (Margot) oferecem duas performances sinceras e divertidas, retratando personagens cativantes que têm mais coisas em comum do que imaginam. Com um guião muito bem escrito, nuances e realização fantástica, Kate Tsang entrega uma linda história sobre assuntos sensíveis como luto, raiva e tudo o que está relacionado com o tema “seguir em frente”, mas também sobre seguirmos a nossa paixão sem olhar para o que deixamos para trás. Foi com genuíno prazer e alegria que acompanhei de perto a jovem protagonista durante todo o tempo de execução sem desviar o olhar do ecrã.
O meu maior elogio vai para a escrita de Tsang. Posso contar tantos detalhes aparentemente irrelevantes que, mais tarde, acabam por revelar-se emocionalmente ressonantes. Deixei cair algumas lágrimas nos últimos minutos quando Sammy conseguiu provar o seu valor. Parte disso deve-se, também, à exibição de Miya, que foi uma verdadeira surpresa. Além disso, adoro os pequenos esboços espalhados pelo filme, como se o ecrã fosse o caderno de Sammy, demonstrando o que está a sentir nesse momento. Uma forma inovadora e divertida de desenvolver, ainda mais, uma personagem.
Marvelous and the Black Hole é uma tremenda surpresa, sendo um dos meus filmes favoritos do Festival Sundance até ao momento. A estreia de Kate Tsang é um sucesso fantástico que, definitivamente, a coloca como uma cineasta a quem se deve dar muita atenção nos anos seguintes.
Com um argumento notavelmente subtil e detalhado, Miya Cech e Rhea Perlman espalham a sua química brilhante pelo ecrã, entregando duas das prestações mais divertidas que vi nos últimos dias. Uma história bonita que começa com o impacto da perda de uma mãe e termina com um espetáculo mágico, emocionalmente poderoso e inspirador, que vou recordar durante algum tempo. A jovem protagonista é tão relacionável que não consegui impedir um par de lágrimas no final.
Prime Time começa cheio de energia e adrenalina, mas apesar do final previsivelmente apropriado e mensagem satisfatória, falta-lhe personagens bem desenvolvidas e interessantes.
Foto: Sundance Institute | Tomek Kaczor
Sinopse:“Véspera de Ano Novo, 1999. Sebastian (Bartosz Bielenia), de 20 anos, armado com uma arma, sequestra um estúdio de TV e faz dois reféns – um famoso apresentador e um segurança. O plano dele? Ninguém parece saber, incluindo o próprio Sebastian. A sua exigência em entregar a sua mensagem, seja lá qual for, via transmissão ao vivo, é repetidamente interrompida por uma força policial incerta e um presidente da rede em questão egoísta. À medida que a noite passa, Sebastian e os reféns unem-se de maneiras inesperadas enquanto que aqueles no poder se atrapalham uns aos outros para restaurar a ordem.”
Não me lembro do último filme russo que vi ou se, de facto, Prime Time é o primeiro. Independentemente disso, a premissa simples é interessante logo desde o início e não perde tempo, colocando os espectadores dentro da ação quase instantaneamente. A atmosfera, inicialmente suspensa e tensa, vai-se tornando mais leve e menos ameaçadora à medida que os personagens interpretados por Bartosz Bielenia, Magdalena Popławska e Andrzej Kłak começam a entender-se. No início, esse facto torna o sequestrador e os reféns em personagens incrivelmente intrigantes, uma vez que os espectadores nada sabem sobre eles.
Infelizmente, à medida que o tempo passa, os espectadores acabam por descobrir muito pouco sobre eles. Sebastian passa por um desenvolvimento decente que ajuda os espectadores a antecipar os últimos minutos, mas ainda está aquém do necessário para um thriller supostamente stressante. O apresentador de TV carece de profundidade e o segurança mal fala, tornando a possível conexão dos telespectadores com os personagens muito difícil de alcançar. E o vínculo que esses personagens criam é tão misterioso e aparentemente injustificado que só torna o final, previsível e desanimador, ainda pior.
O comentário social é explícito e gosto muito da sua mensagem, mas é a história deficiente que leva os espectadores e os personagens através de uma montanha russa onde faltam curvas loucas e quedas cheias de adrenalina. A realização de Jakub Piątek mostra indícios do seu talento, mas falta energia. Finalmente, o argumento co-escrito com Łukasz Czapski tem uma premissa que chama à atenção e um primeiro ato emocionante, mas assim como qualquer outro componente, perde muita força demasiado rápido, culminando num clímax sem impacto emocional, mas um tanto adequado.
Prime Time possui uma premissa intrigante e um primeiro ato extremamente envolvente, mas perde essa energia inicial com o passar do tempo, terminando com um ato final previsivelmente apropriado e underwhelming. Apesar das boas prestações por parte do elenco, o argumento de Jakub Piątek e Łukasz Czapski coloca as três personagens no centro da história, mas falta um desenvolvimento individual mais convincente e aprofundado, tornando desafiador para os espectadores estabelecer qualquer tipo de conexão com o(s) protagonista(s).
A mensagem é mais do que clara e, até, bastante satisfatória, especialmente considerando que constrói indiretamente o momento final. No entanto, o caminho que os espectadores precisam de percorrer para chegar ao fim pode não conter tanto entretenimento nem ser tão emocionante como se esperava.
Opiniões concisas sobre os filmes que assisti durante o segundo dia do festival Sundance 2021, incluindo links para as respetivas críticas.
Tal como fiz após o primeiro dia, está na altura de fazer um breve resumo do que consegui ver neste segundo dia do conhecido festival de cinema. Em baixo, poderão ler um breve resumo dos cinco filmes que fizeram parte das nossas escolhas: In the Earth, John and the Hole, On the Count of Three, Wild Indian e Passing.
In the Earth
In the Earth é um daqueles filmes em que a maioria dos espectadores se sentirá desconfortável durante a visualização. Desde as luzes fluorescentes a piscar sem parar até às imagens extremamente confusas e estranhas, passando por alguns momentos visuais chocantes, esta obra de Ben Wheatley encontra-se rodeada por um ambiente misterioso e sinistro que acaba por não transmitir nada de minimamente cativante ou significativo para o público.
O ritmo lento e desenvolvimento ambíguo deixam imensas perguntas sem resposta, mas é a falta de investimento emocional tanto na história, como nas personagens, que acabam por prejudicar o filme. Apesar de algumas prestações notáveis (nomeadamente a de Joel Fry) e uma banda sonora inegavelmente impactante de Clint Mansell, não existem outros elementos que me pudessem convencer a apreciar mais este filme. (link para a crítica completa)
John and the Hole
John and the Hole é mais uma entrada ambígua na edição deste ano do festival Sundance, mas, desta vez, ficou perto de me deixar satisfeito. Ignorando um enredo em particular que ainda não consigo entender completamente (segunda visualização necessária), a realização de Pascual Sisto e o argumento de Nicolás Giacobone deixam demasiadas perguntas pendentes para o meu gosto, mas não posso negar que algumas geram um debate bastante interessante na minha mente.
Ou estou apenas a arranhar a superfície de algo maiorou os desenvolvimentos básicos, desapontantes e pouco ativos de situações intrigantes não são nada mais do que exatamente isso. As prestações fenomenais de todos os atores envolvidos (e refiro-me mesmo a todos), o trabalho de câmara requintado e a banda sonora viciante adicionam à atmosfera carregada com suspense que me manteve investido até ao último segundo. Mesmo assim, aquele final… Não sei não. (link para a crítica completa)
On the Count of Three
On the Count of Three é um daqueles filmes que tenho a certeza de que vou rever mais do que apenas um par de vezes. Possuindo duas prestações fantásticas de Christopher Abbott e Jerrod Carmichael (também o realizador), a química genuína entre os dois atores eleva uma amizade próxima para algo que faz com que os espectadores se preocupem profundamente com os seus destinos. Entrego elogios tremendos ao argumento de Ari Katcher e Ryan Welch, que é, definitivamente, o elemento que faz deste filme um dos melhores que vi este ano.
Ao escrevê-lo com extremo cuidado e responsabilidade, o final previsível, mas impactante, não deixa margem para dúvidas sobre o que é certo ou errado. Todos lidam com os momentos maus da vida de forma diferente, mas esta vale sempre a pena. Senti-me emocionalmente investido nas personagens principais ao ponto de desejar que o filme fosse mais longo para que os argumentistas pudessem desenvolver a fundo estes protagonistas. Agradecimentos técnicos para o trabalho de câmara notável e banda sonora entusiasmante. Em última análise, não podia recomendar mais. (link para a crítica completa)
Wild Indian
Wild Indian é uma estreia forte na realização de Lyle Mitchell Corbine Jr., que recomendo acompanhar de perto nos próximos anos. Com uma narrativa convincente, Michael Greyeyes e Chaske Spencer levam os espectadores através de uma jornada sombria e emocional com o objetivo de compreender que a vida nem sempre é justa e que corrigir erros do passado só funciona para pessoas que realmente sentem culpa ou remorsos. Ambos os atores oferecem prestações notáveis, mas é Spencer quem realmente consegue causar impacto a nível emocional, elevando a única personagem com a qual me importei verdadeiramente.
Por outro lado, o protagonista é uma pessoa incrivelmente difícil de se gostar, pois esforça-se ao máximo para esquecer o passado trágico através de ações deploráveis. Jesse Eisenberg, infelizmente, destaca-se pela negativa devido à estranha escolha de casting estranha. A curta duração compensa parcialmente o ritmo lento, mas, no geral, desfrutei bastante. (link para a crítica completa)
Passing
Passing é uma estreia sólida da argumentista-realizadora Rebecca Hall, mas tem que aprender a concentrar-se em somente um tema central. Caso contrário, um filme tão bem filmado, com prestações marcantes, acaba por perder a sua mensagem preciosa no meio de tantas “aventuras” românticas irrelevantes e superficiais.
Tessa Thompson e Ruth Negga carregam o enredo para a frente com charme e elegância, tal como todos os outros membros do elenco, mas estas partilham uma química tão palpável que sinto que o ritmo lento até é bastante adequado. Enquanto o plot principal gira em torno do debate “passar por uma pessoa branca”, senti-me constantemente cativado pela narrativa e as suas personagens principais em lados opostos.
No entanto, este tópico fascinante gradualmente perde energia, acabando por desaparecer completamente, dando lugar a uma história de ciúmes entre mulheres e culminando num clímax exagerado e que não tem lugar no filme. Ainda assim, é bem mais interessante do que antecipava e deixa os espectadores com um cenário muito interessante de “e se fosse eu?”. (link para a crítica completa)
Passing contém duas prestações soberbas de Tessa Thompson e Ruth Negga, mas Rebecca Hall necessita de aprender que “menos é mais”.
Foto de: Sundance Institute | Edu Grau
Sinopse:“Irene Redfield (Tessa Thompson), uma mulher refinada, de classe alta dos anos 1920, encontra um refúgio refrescante num dia quente de verão na grande sala de chá do Drayton Hotel de New York City. Do outro lado da sala, vê uma mulher loira a olhar para ela. Irene planeia um roubo, mas antes que consiga, Clare Kendry (Ruth Negga) corre para impedi-la. Acontece que ambas andaram no ensino médio juntas e, como ambas são mulheres afro-americanas que podem “passar” como brancas, escolheram viver em lados opostos da linha de cores. Agora, a sua relação renovada ameaça as suas vidas.”
Filmes a preto e branco são algo que vou guardar para sempre dentro do meu coração, mas quando essas duas cores se tornam parte da narrativa em si, então só posso esperar um grande filme. Passing aborda o medo de ser uma pessoa de cor devido a razões óbvias do período do filme, mas o que interessa é que o faz de uma maneira necessariamente perturbadora e emocional.
Tessa Thompson (Irene) joga no lado da “cor”, enquanto Ruth Negga (Clare) desfruta dos privilégios de passar como os demais. É uma história cativante que se vai desenrolando à medida que Irene e Clare vão sentindo inveja uma da outra. Se a primeira deseja a felicidade (externa) desta última, Clare sente-se pessimamente por não possuir os mesmos princípios e valores morais que Irene.
Embora sinta muito mais empatia pelo orgulho de Irene em ser uma pessoa de cor, também não posso culpar Clare por ter uma vida melhor sem toda a discriminação associada. Ambas têm os seus próprios problemas pessoais, mas, à medida que a amizade se torna maior e mais significativa, essas questões também se expandem, tornando-se seriamente dolorosas, especialmente para o caráter de Tessa.
A narrativa perde um pouco de força quando começa a concentrar-se nos ciúmes entre mulheres ao invés da questão interracial. Já a passagem do tempo parece, ocasionalmente, muito abrupta e ligeiramente confusa. Finalmente, o final não faz jus ao tema central e ao título do filme, quase esquecendo por completo o que deveria comunicar ao público.
No entanto, ainda é um filme maravilhoso com um propósito significativo de contar histórias. Como esperado, Tessa e Ruth entregam performances brilhantes, partilhando uma química encantadora, dinâmica e até apaixonada, mas André Holland, Alexander Skarsgård e o sempre notável Bill Camp também provam seu valor.
Sendo este Passing a preto e branco, acaba por transmitir uma bela mensagem sobre a falta de importância da cor de alguém (todos parecem iguais a preto e branco) e o valor significativo da moral e dos princípios que realmente definem uma pessoa. Nesta sua estreia enquanto realizadora, Rebecca Hall mostra talento, sem dúvida, mas precisará de perceber que “menos é mais”. Linda e elegante cinematografia de Edu Grau.
Passing é uma estreia sólida da argumentista-realizadora Rebecca Hall, mas tem que aprender a concentrar-se em somente um tema central. Caso contrário, um filme tão bem filmado, com prestações marcantes, acaba por perder a sua mensagem preciosa no meio de tantas “aventuras” românticas irrelevantes e superficiais.
Tessa Thompson e Ruth Negga carregam o enredo para a frente com charme e elegância, tal como todos os outros membros do elenco, mas estas partilham uma química tão palpável que sinto que o ritmo lento até é bastante adequado. Enquanto o plot principal gira em torno do debate “passar por uma pessoa branca”, senti-me constantemente cativado pela narrativa e as suas personagens principais em lados opostos.
No entanto, este tópico fascinante gradualmente perde energia, acabando por desaparecer completamente, dando lugar a uma história de ciúmes entre mulheres e culminando num clímax exagerado e que não tem lugar no filme. Ainda assim, é bem mais interessante do que antecipava e deixa os espectadores com um cenário muito interessante de “e se fosse eu?”.
Wild Indian é uma estreia forte de Lyle Mitchell Corbine Jr., mas é Chaske Spencer quem rouba as atenções.
Foto: Sundance Institute | Eli Born
Sinopse:“Makwa, um jovem garoto Anishinaabe, tem uma vida difícil. Aparece frequentemente na escola com hematomas a dizer que caiu, mas ninguém acredita nele. Ele e o seu único amigo, Ted-O, gostam de fugir para ir brincar na floresta, até que chega o dia em que Makwa mata um colega de escola. Depois de encobrirem o crime, os dois miúdos passam a viver vidas muito diferentes. Agora, como homens adultos, devem enfrentar a verdade do que fizeram e do que se tornaram.”
Sendo este um filme indígena e uma estreia numa longa-metragem para Lyle Mitchell Corbine Jr., não sabia bem o que esperar. Talvez seja por isso mesmo que gostei mais do que previa. Wild Indian agarra num momento trágico e sombrio numa fase inicial da vida de dois personagens e segue um caminho não convencional para demonstrar o quão surpreendente o futuro de alguém pode ser, especialmente considerando a personalidade mais jovem. A verdade é que todos mudam partes de si mesmos ao longo da vida, ainda mais durante a infância e a adolescência.
Apesar do ritmo lento geral – mais lento do que o que eu acredito ser necessário – uma “reviravolta” na história eleva num ápice o nível de interesse na narrativa principal, que ainda leva algum tempo até superar a necessária, mas formulaica, construção de personagens. É aí que Michael Greyeyes e Chaske Spencer entram realmente em cena, dando performances envolventes que me mantiveram investido na história. Greyeyes pode retratar o protagonista e ter mais tempo de ecrã, mas Spencer rouba os holofotes com um atuação emocionalmente devastadora.
Contudo, e apesar de ser estreia sólida de um realizador-argumentista ao qual devemos prestar atenção durante o próximo ano, não posso escapar ao meu principal problema com a personagem central. Embora entenda totalmente o comentário que Lyle Mitchell Corbine Jr. transmite com sucesso aos telespectadores sobre tantos assuntos importantes, não consegui nutrir qualquer sentimento pelo protagonista, muito pelo contrário. É uma sensação frustrante esta, mas acho o personagem de Greyeyes extremamente difícil de se gostar, não só devido às suas ações no passado, mas principalmente graças à sua atitude no presente. Além disso, a escolha de elenco de Jesse Eisenberg parece fora de lugar e estranha… e estou a ser simpático.
Não posso terminar esta crítica sem realçar o trabalho do cinematógrafo Eli Born, que fez um belíssimo trabalho a filmar esta longa-metragem.
Wild Indian é uma estreia forte na realização de Lyle Mitchell Corbine Jr., que recomendo acompanhar de perto nos próximos anos. Com uma narrativa convincente, Michael Greyeyes e Chaske Spencer levam os espectadores através de uma jornada sombria e emocional com o objetivo de compreender que a vida nem sempre é justa e que corrigir erros do passado só funciona para pessoas que realmente sentem culpa ou remorsos. Ambos os atores oferecem prestações notáveis, mas é Spencer quem realmente consegue causar impacto a nível emocional, elevando a única personagem com a qual me importei verdadeiramente.
Por outro lado, o protagonista é uma pessoa incrivelmente difícil de se gostar, pois esforça-se ao máximo para esquecer o passado trágico através de ações deploráveis. Jesse Eisenberg, infelizmente, destaca-se pela negativa devido à estranha escolha de casting estranha. A curta duração compensa parcialmente o ritmo lento, mas, no geral, desfrutei bastante.
On the Count of Three é uma excelente obra cinematográfica. Repleta de humor, ganha pontos principalmente graças ao argumento cuidadosamente escrito com dois protagonistas relacionáveis.
Foto: Sundance Institute | Marshall Adams
Sinopse:“Val (Jerrod Carmichael) chegou a um ponto onde sente que a única saída é terminar de vez com a vida. Mas considera-se um pouco um falhado – falta-lhe eficácia -, logo acredita que precisa de alguma ajuda. Coincidência ou pura sorte, o melhor amigo de Val, Kevin (Christopher Abbott), encontra-se a recuperar de uma tentativa falhada de suicídio, por isso, parece ser o parceiro perfeito para executar este plano de suicídio duplo. Mas antes de irem, têm alguns assuntos inacabados para tratar.”
Mesmo que On the Count of Three não seja exatamente uma comédia ou um filme leve baseado numa premissa tola (How It Ends), posso dizer que esperava que o humor desempenhasse um grande papel. E não fiquei desapontado. Christopher Abbott (Possessor) é particularmente engraçado com todos os seus auto-debates sobre assuntos tabu, como racismo e discriminação, mas há várias mensagens significativas “escondidas” nas cenas aparentemente cómicas. Elogios também para Jerrod Carmichael, não só devido à sua exibição emocionalmente convincente, mas pela forma como realizou este filme. Os atores partilham uma química incrível e transformam uma amizade supostamente próxima em algo realmente autêntico.
Val (Carmichael) e Kevin (Abbott) são incrivelmente relacionáveis, o que poderia tornar um filme sobre cometer suicídio duplo um pouco perigoso. O argumento de Ari Katcher e Ryan Welch foi cuidadosamente escrito de uma maneira que demonstra claramente como diferentes pessoas lidam com a depressão, tristeza, stress e tantos outros aspetos na vida que destroem emocionalmente qualquer um.
Felizmente, os personagens foram construídos e desenvolvidos de um jeito tão rico e esclarecedor que o final – embora chocante – funciona lindamente como uma mensagem de que a vida vale a pena, não importa o quão difícil possa ser. Esta pode ser uma declaração algo confusa para quem já viu o filme, mas tudo tem a ver com o cuidado que os espectadores ganham para com os protagonistas.
O primeiro ato coloca-os em pontos de vista iguais em relação ao suicídio, mas, ao longo do tempo de execução, é mostrado ao público o que aconteceu em cada uma de suas vidas. São as conversas subtis e as piadas aparentemente insignificantes aqui e ali que acabam por transformar o clímax em algo tão emocionalmente eficaz. O melhor elogio que posso oferecer a este filme é que o final – apesar de ser um pouco esperado – claramente transmite ao público o que é certo e errado.
Tecnicamente, um trabalho excecional de câmara de Marshall Adams (belos e longos takes) e uma banda-sonora incrível de Owen Pallett elevam o filme no seu todo. Apenas gostaria que os personagens pudessem ter sido mais explorados, mas sabendo que não é uma longa-metragem muito longa, é realmente uma grande peça de cinema.
On the Count of Three é um daqueles filmes que tenho a certeza de que vou rever mais do que apenas um par de vezes. Possuindo duas prestações fantásticas de Christopher Abbott e Jerrod Carmichael (também o realizador), a química genuína entre os dois atores eleva uma amizade próxima para algo que faz com que os espectadores se preocupem profundamente com os seus destinos. Entrego elogios tremendos ao argumento de Ari Katcher e Ryan Welch, que é, definitivamente, o elemento que faz deste filme um dos melhores que vi este ano.
Ao escrevê-lo com extremo cuidado e responsabilidade, o final previsível, mas impactante, não deixa margem para dúvidas sobre o que é certo ou errado. Todos lidam com os momentos maus da vida de forma diferente, mas esta vale sempre a pena. Senti-me emocionalmente investido nas personagens principais ao ponto de desejar que o filme fosse mais longo para que os argumentistas pudessem desenvolver a fundo estes protagonistas. Agradecimentos técnicos para o trabalho de câmara notável e banda sonora entusiasmante. Em última análise, não podia recomendar mais.