Crítica – The Dog Who Wouldn’t Be Quiet (Sundance 2021)

The Dog Who Wouldn’t Be Quiet possui um título e premissa criativos, mas é demasiado inconsistente e pouco envolvente.

The Dog Who Wouldn't Be Quiet
Foto: Sundance Institute
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Sinopse: “Sebastian encara educadamente os seus vizinhos que reclamam dos gritos do seu cão e reage da mesma forma aos seus patrões, que proíbem animais de estimação no local de trabalho. Uma série de momentos peculiares e desafiadores como este seguem-se à medida que Sebastian muda de emprego e volta a aproximar-se da sua mãe. Em determinado momento, juntamente com a nova responsabilidade de ser pai, Sebastian tem que enfrentar uma pandemia desconhecida – uma que requer as medidas preventivas bizarras de andar agachado e usar um fato de bolha bastante caro. Às vezes indiferente, outras vezes cautelosamente otimista, “o homem comum” Sebastian mostra uma resiliência surpreendente.”

Não tenho bem a certeza, mas The Dog Who Wouldn’t Be Quiet é, provavelmente ,o filme mais curto do festival Sundance deste ano. Por um lado, é uma exibição extremamente rápida, atingindo um público mais amplo que pode espalhar a notícia sobre o filme. Por outro, arrisca a sua história e personagens no sentido de que estes podem não ter o desenvolvimento adequado. A realização de Ana Katz é, definitivamente, um dos destaques, empregando um lindo preto e branco que dá mais valor a uma história sobre resiliência humana e perseverança.

Uma série de eventos adversos afeta a vida de Sebastian, mas ele sempre encontra uma maneira de seguir em frente, lidando com as situações mais prejudiciais e dolorosas de uma maneira estranhamente distante. Não sei se foi uma escolha técnica do ator Daniel Katz, mas o argumento de Ana Katz e Gonzalo Delgado é um pouco desigual. Começando com um primeiro ato pouco convincente, The Dog Who Wouldn’t Be Quiet lá fica um pouco melhor, mas Sebastian não é um personagem fácil de se relacionar devido à sua aparente indiferença em relação a tudo.

Muitas coisas que acontecem na sua vida destruiriam por completo algumas pessoas, logo o seu comportamento “seja lá o que for” é estranho, especialmente se compararmos a outras ações que vai realizando. Numa das cena, Sebastian parece um ser humano responsável, carinhoso e até engraçado, mas à medida que o tempo passa entre diferentes períodos de sua vida, Sebastian parece alguém que não se importa minimamente com qualquer tipo de consequência. A inconsistência deste personagem é o meu principal problema com este filme, tendo sido bem difícil relacionar-me com ele. Tendo assistido a Land ontem, este último aborda os mesmos temas de uma maneira muito mais cativante. Tecnicamente, porém, o filme tem muitos aspetos que valem a pena elogiar.

Lindamente filmado em preto-e-branco e acompanhado por uma banda sonora interessante (Nicolas Villamil), The Dog Who Wouldn’t Be Quiet é suposto ser um estudo de personagem sobre a resiliência, determinação e perseverança de uma pessoa humana quando confrontada com as piores situações que acontecem ao longo da vida. Apesar da mensagem ser transmitida com sucesso, a personagem de Daniel Katz está longe de ser um protagonista convincente devido à sua aparente indiferença em relação a todos os eventos negativos.

Aceitação e “seguir em frente” são atos compreensíveis e até motivacionais, mas se o filme não retrata os momentos que definem estes passos, torna-se realmente complicado sentir sequer pena pela personagem principal, quanto mais inspiração. Ana Katz demonstra os seus atributos talentosos como realizadora, mas o seu argumento admitidamente criativo co-escrito com Gonzalo Delgado carece de consistência e energia.

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