Crítica – How It Ends (Sundance 2021)

How It Ends é uma recomendação clássica de filme de fim-de-semana para entreter a família e amigos.

How It Ends
Foto de: Sundance Institute | Daryl Wein
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Sinopse: “No dia em que se antecipa que um asteróide vai destruir a Terra, Liza (Zoe Lister-Jones) é convidada para uma última grande festa antes que tudo desapareça. Chegar não será fácil após o seu carro ser roubado e o relógio não abrandar para o seu plano de resolver pontas soltas com amigos e familiares. Com uma pequena ajuda da sua versão mais jovem e engraçada (Cailee Spaeny), Liza embarca numa aventura a pé através de Los Angeles enquanto procura fazer as pazes com os seus arrependimentos – e encontrar a companhia certa para estas últimas horas.”

Depois de um dia com um CODA emocionalmente avassalador, um Human Factors dececionante e um Cryptozoo divisivo, estava incrivelmente animado para terminar o meu primeiro dia no Sundance 2021 com uma leve, direta e engraçada visão sobre uma premissa tola, mas intrigante. E tive exatamente aquilo de que estava à espera.

How It Ends dá-nos uma série de interações divertidas e momentos interessantes de procura de almas com as duas versões do personagem principal. Apesar da sua repetição e estrutura formulaica, nunca fiquei desinvestido na história, não só pela curta duração do filme, mas, principalmente, devido às duas performances centrais e fenomenais.

Zoe Lister-Jones e Cailee Spaeny são uma dupla brilhante, formando uma aura de puro prazer e colocando um sorriso no rosto de todos os espectadores. A sua química palpável eleva todo o filme, mas não se trata apenas de serem divertidas ou conseguirem fazer-nos soltar gargalhadas. Lister-Jones e Daryl Wein mergulham profundamente na essência de Liza através de conversas sinceras e debates pesados sobre tantas coisas que todos se arrependem de fazer durante a vida, mas que nunca pensam em fazer as pazes. Desde perdoar erros da família e amigos, até aceitar os nossos próprios erros e falhas, abordar questões pessoais por resolver no último dia na Terra não deveria ser motivo de preocupação, isto caso tudo tivesse sido resolvido antes deste último dia.

Filmado durante a pandemia, assistir a um filme inteiro gravado em exteriores é uma lufada de ar fresco. Algumas pessoas podem não gostar das dezenas de participações de celebridades que contribuem para a história, mas defendo que essas cenas servem para um determinado propósito, desenvolvendo a protagonista um pouco mais em cada uma dessas cenas.

Como escrevi acima, a natureza cíclica do filme acaba por arrastar-se, especialmente durante as intermináveis caminhadas, o que se torna um pouco chato. Uma curta nota para a banda-sonora de Ryan Miller, um dos aspetos mais divertidos desta aventura.

How It Ends é um estudo de personagem inofensivo, leve e com imenso valor de entretenimento que, no fim, cumpre o seu objetivo de ser uma introspeção divertida da vida da protagonista.

Recorrendo a um plot genérico, Daryl Wein e Zoe Lister-Jones criam uma narrativa simples, mas repetitiva, com dezenas de cameos famosos numa sequência non-stop de caminhar no meio de uma rua vazia até que uma nova personagem aparece para oferecer mais um momento engraçado. No entanto, contém mais coração e alma do que o que se encontra à superfície.

Lister-Jones e Cailee Spaeny carregam e elevam o filme inteiro nos seus ombros, entregando duas prestações impressionantes que me permitiram ter os olhos bem fixados no ecrã. Apesar da tendência óbvia de ser “apenas” um filme brincalhão e inocente, a personagem principal é alguém com quem os espectadores podem relacionar-se, algo que, definitivamente, torna o filme muito mais cativante.

Fazer algo que as pessoas se arrependem mais tarde é uma inevitabilidade da vida, mas fazer as pazes com essas situações não deve ser deixado para uma sorte extrema ou para o último segundo em que tudo o que conhecemos está prestes a desaparecer… e esta é uma mensagem a qual apoio totalmente.

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