Sundance 2021 – Segundo dia

Opiniões concisas sobre os filmes que assisti durante o segundo dia do festival Sundance 2021, incluindo links para as respetivas críticas.

Sundance 2021
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Tal como fiz após o primeiro dia, está na altura de fazer um breve resumo do que consegui ver neste segundo dia do conhecido festival de cinema. Em baixo, poderão ler um breve resumo dos cinco filmes que fizeram parte das nossas escolhas: In the Earth, John and the Hole, On the Count of Three, Wild Indian e Passing.

In the Earth

In The Earth

In the Earth é um daqueles filmes em que a maioria dos espectadores se sentirá desconfortável durante a visualização. Desde as luzes fluorescentes a piscar sem parar até às imagens extremamente confusas e estranhas, passando por alguns momentos visuais chocantes, esta obra de Ben Wheatley encontra-se rodeada por um ambiente misterioso e sinistro que acaba por não transmitir nada de minimamente cativante ou significativo para o público.

O ritmo lento e desenvolvimento ambíguo deixam imensas perguntas sem resposta, mas é a falta de investimento emocional tanto na história, como nas personagens, que acabam por prejudicar o filme. Apesar de algumas prestações notáveis (nomeadamente a de Joel Fry) e uma banda sonora inegavelmente impactante de Clint Mansell, não existem outros elementos que me pudessem convencer a apreciar mais este filme. (link para a crítica completa)

John and the Hole

John and the Hole

John and the Hole é mais uma entrada ambígua na edição deste ano do festival Sundance, mas, desta vez, ficou perto de me deixar satisfeito. Ignorando um enredo em particular que ainda não consigo entender completamente (segunda visualização necessária), a realização de Pascual Sisto e o argumento de Nicolás Giacobone deixam demasiadas perguntas pendentes para o meu gosto, mas não posso negar que algumas geram um debate bastante interessante na minha mente.

Ou estou apenas a arranhar a superfície de algo maiorou os desenvolvimentos básicos, desapontantes e pouco ativos de situações intrigantes não são nada mais do que exatamente isso. As prestações fenomenais de todos os atores envolvidos (e refiro-me mesmo a todos), o trabalho de câmara requintado e a banda sonora viciante adicionam à atmosfera carregada com suspense que me manteve investido até ao último segundo. Mesmo assim, aquele final… Não sei não. (link para a crítica completa)

On the Count of Three

On the Count of Three

On the Count of Three é um daqueles filmes que tenho a certeza de que vou rever mais do que apenas um par de vezes. Possuindo duas prestações fantásticas de Christopher Abbott e Jerrod Carmichael (também o realizador), a química genuína entre os dois atores eleva uma amizade próxima para algo que faz com que os espectadores se preocupem profundamente com os seus destinos. Entrego elogios tremendos ao argumento de Ari Katcher e Ryan Welch, que é, definitivamente, o elemento que faz deste filme um dos melhores que vi este ano.

Ao escrevê-lo com extremo cuidado e responsabilidade, o final previsível, mas impactante, não deixa margem para dúvidas sobre o que é certo ou errado. Todos lidam com os momentos maus da vida de forma diferente, mas esta vale sempre a pena. Senti-me emocionalmente investido nas personagens principais ao ponto de desejar que o filme fosse mais longo para que os argumentistas pudessem desenvolver a fundo estes protagonistas. Agradecimentos técnicos para o trabalho de câmara notável e banda sonora entusiasmante. Em última análise, não podia recomendar mais. (link para a crítica completa)

Wild Indian

Wild Indian

Wild Indian é uma estreia forte na realização de Lyle Mitchell Corbine Jr., que recomendo acompanhar de perto nos próximos anos. Com uma narrativa convincente, Michael Greyeyes e Chaske Spencer levam os espectadores através de uma jornada sombria e emocional com o objetivo de compreender que a vida nem sempre é justa e que corrigir erros do passado só funciona para pessoas que realmente sentem culpa ou remorsos. Ambos os atores oferecem prestações notáveis, mas é Spencer quem realmente consegue causar impacto a nível emocional, elevando a única personagem com a qual me importei verdadeiramente.

Por outro lado, o protagonista é uma pessoa incrivelmente difícil de se gostar, pois esforça-se ao máximo para esquecer o passado trágico através de ações deploráveis. Jesse Eisenberg, infelizmente, destaca-se pela negativa devido à estranha escolha de casting estranha. A curta duração compensa parcialmente o ritmo lento, mas, no geral, desfrutei bastante. (link para a crítica completa)

Passing

Passing

Passing é uma estreia sólida da argumentista-realizadora Rebecca Hall, mas tem que aprender a concentrar-se em somente um tema central. Caso contrário, um filme tão bem filmado, com prestações marcantes, acaba por perder a sua mensagem preciosa no meio de tantas “aventuras” românticas irrelevantes e superficiais.

Tessa Thompson e Ruth Negga carregam o enredo para a frente com charme e elegância, tal como todos os outros membros do elenco, mas estas partilham uma química tão palpável que sinto que o ritmo lento até é bastante adequado. Enquanto o plot principal gira em torno do debate “passar por uma pessoa branca”, senti-me constantemente cativado pela narrativa e as suas personagens principais em lados opostos.

No entanto, este tópico fascinante gradualmente perde energia, acabando por desaparecer completamente, dando lugar a uma história de ciúmes entre mulheres e culminando num clímax exagerado e que não tem lugar no filme. Ainda assim, é bem mais interessante do que antecipava e deixa os espectadores com um cenário muito interessante de “e se fosse eu?”. (link para a crítica completa)

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Não é um filme que surpreenda na sua estrutura, mas é cativante e prende-nos durante todo a jornada.
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