Crítica – Prime Time (Sundance 2021)

Prime Time começa cheio de energia e adrenalina, mas apesar do final previsivelmente apropriado e mensagem satisfatória, falta-lhe personagens bem desenvolvidas e interessantes.

Prime Time
Foto: Sundance Institute | Tomek Kaczor
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Sinopse: “Véspera de Ano Novo, 1999. Sebastian (Bartosz Bielenia), de 20 anos, armado com uma arma, sequestra um estúdio de TV e faz dois reféns – um famoso apresentador e um segurança. O plano dele? Ninguém parece saber, incluindo o próprio Sebastian. A sua exigência em entregar a sua mensagem, seja lá qual for, via transmissão ao vivo, é repetidamente interrompida por uma força policial incerta e um presidente da rede em questão egoísta. À medida que a noite passa, Sebastian e os reféns unem-se de maneiras inesperadas enquanto que aqueles no poder se atrapalham uns aos outros para restaurar a ordem.”

Não me lembro do último filme russo que vi ou se, de facto, Prime Time é o primeiro. Independentemente disso, a premissa simples é interessante logo desde o início e não perde tempo, colocando os espectadores dentro da ação quase instantaneamente. A atmosfera, inicialmente suspensa e tensa, vai-se tornando mais leve e menos ameaçadora à medida que os personagens interpretados por Bartosz Bielenia, Magdalena Popławska e Andrzej Kłak começam a entender-se. No início, esse facto torna o sequestrador e os reféns em personagens incrivelmente intrigantes, uma vez que os espectadores nada sabem sobre eles.

Infelizmente, à medida que o tempo passa, os espectadores acabam por descobrir muito pouco sobre eles. Sebastian passa por um desenvolvimento decente que ajuda os espectadores a antecipar os últimos minutos, mas ainda está aquém do necessário para um thriller supostamente stressante. O apresentador de TV carece de profundidade e o segurança mal fala, tornando a possível conexão dos telespectadores com os personagens muito difícil de alcançar. E o vínculo que esses personagens criam é tão misterioso e aparentemente injustificado que só torna o final, previsível e desanimador, ainda pior.

O comentário social é explícito e gosto muito da sua mensagem, mas é a história deficiente que leva os espectadores e os personagens através de uma montanha russa onde faltam curvas loucas e quedas cheias de adrenalina. A realização de Jakub Piątek mostra indícios do seu talento, mas falta energia. Finalmente, o argumento co-escrito com Łukasz Czapski tem uma premissa que chama à atenção e um primeiro ato emocionante, mas assim como qualquer outro componente, perde muita força demasiado rápido, culminando num clímax sem impacto emocional, mas um tanto adequado.

Prime Time possui uma premissa intrigante e um primeiro ato extremamente envolvente, mas perde essa energia inicial com o passar do tempo, terminando com um ato final previsivelmente apropriado e underwhelming. Apesar das boas prestações por parte do elenco, o argumento de Jakub Piątek e Łukasz Czapski coloca as três personagens no centro da história, mas falta um desenvolvimento individual mais convincente e aprofundado, tornando desafiador para os espectadores estabelecer qualquer tipo de conexão com o(s) protagonista(s).

A mensagem é mais do que clara e, até, bastante satisfatória, especialmente considerando que constrói indiretamente o momento final. No entanto, o caminho que os espectadores precisam de percorrer para chegar ao fim pode não conter tanto entretenimento nem ser tão emocionante como se esperava.

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