Análise – The Messenger

por Echo Boomer

A nostalgia continua a vender e, desta vez, temos o lançamento de The Messenger na PlayStation 4. Depois de uma passagem pela Nintendo Switch, o jogo de ação e plataformas, inspirado em clássicos de 8 e 16 bits, dá aos fãs da Sony uma das experiências mais sólidas e divertidas que encontramos no género. The Messenger é desafiante, refrescante e um futuro clássico para os amantes de um bom jogo de plataformas.

Para jogos como The Messenger, a história nunca é o foco, mas sim a jogabilidade, e isso é totalmente compreensível quando temos um jogo tão limado como este. Mas a aposta numa narrativa mais assente no humor e nos clichés do género dão-lhe toda uma nova e inesperada personalidade. A história é previsível e pouco convincente, mas é cómica e cheia de referências que apenas os fãs de jogos clássicos irão encontrar. O mundo em si e a forma como é retratado acaba por ficar para segundo plano num jogo que é mais profundo do que aparenta ser à distância.

Não existem dúvidas que The Messenger veste as suas inspirações com orgulho. Basta olhar para o seu protagonista, o titular mensageiro, e para o design dos níveis para perceber como se constrói a partir de títulos como Ninja Gaiden. The Messenger é um jogo de ação e plataformas com um enorme foco no combate rápido e na exploração, apresentando uma estrutura próxima dos metroidvanias, com várias áreas para completar e segredos para descobrir. No seu cerne, é uma experiência familiar que nos coloca em controlo de um ninja ágil onde teremos de saltar, atacar e usar habilidades especiais para vencer os inimigos e contornar os vários perigos, como buracos e espinhos, espalhados pelos níveis.

A aposta numa estrutura mais próxima dos metroidvanias é interessante, ainda que The Messenger assuma uma vertente muito mais linear. Existem, no entanto, muitos segredos para descobrir, algo que é complementado pela presença de uma árvore de habilidades que poderão completar à medida que avançam no jogo. Estas habilidades podem ser adquiridas através da loja do jogo, que também funciona como ponto de gravação, e precisarão de cristais (dinheiro) para as comprar. As habilidades são variadas e fazem sentido dentro da jogabilidade do jogo, oferecendo a possibilidade de atirarem projéteis ou de realizar uma recuperação aérea após sofrerem um ataque.

A jogabilidade está limada e o tempo de resposta é impecável, dando-nos uma tão necessária sensação de velocidade à medida que percorremos os níveis. O próprio design dos níveis está pensado para esta velocidade, oferecendo não só caminhos secretos, como várias abordagens para cada perigo encontrado. Alguns níveis assumem um formato mais vertical, apostando em desafios mais pontuais, onde necessitarão de dominar todas as mecânicas do jogo. Esta navegação pelos níveis só é condicionada pelo respawn infinito de inimigos sempre que se movimentam pelos cenários, algo que pode irritar alguns jogadores.

No geral, The Messenger não é um jogo muito difícil, mas sim desafiante, especialmente no que toca aos níveis mais assentes na destreza. O facto de não termos acesso a um duplo salto, mas sim a um salto por reflexo (que acontece após atacarem um candeeiro ou luz espalhados pelos níveis), pode necessitar de um tempo de habituação, mas com o ritmo dos níveis, rapidamente se encontrarão a dominar esta nova mecânica. Os combates contra bosses também nos transportam no tempo e seguem um modelo muito semelhante a outros clássicos do género, com os inimigos gigantescos a oferecerem combates divididos por fases e com ataques muito coreografados.

Outra mecânica interessante é a forma como The Messenger gere as mortes dos jogadores. Ao contrário dos clássicos em que se inspira, o jogo não utiliza um sistema de vidas, mas sim vários pontos de gravação espalhados pelo mapa. No entanto, quando são derrotados ou quando caem num dos buracos sem fundo, The Messenger não vos transporta simplesmente para o último ponto de gravação, mas aplica-nos uma punição em forma de um diabrete avermelhado chamado Quarble. O pequeno demónio irá seguir-nos ao longo dos níveis até pagarem a vossa dívida, o que significa que todos os cristais que apanharem serão revertidos diretamente para ele. Quando estiver satisfeito, Quarble desaparecerá e não vos chateará mais. Apesar de não ser a maior punição que já vimos num jogo, é interessante ver como a equipa conseguiu adicionar algumas repercussões às nossas ações.

O grande destaque do jogo vai, no entanto, para a alteração entre estilos gráficos. Apesar de começar com um estilo próximo dos títulos 8bits, The Messenger dá-nos a possibilidade de viajar no tempo e descobrir cenários em 16bits. Esta mecânica, que tem ligações à história, oferece-nos uma nova perspetiva sobre os níveis ao alterar a sua disposição e ao adicionar novos desafios e layouts. Esta mudança gráfica dá quase a sensação de termos dois jogos em simultâneo, adicionando ainda novas mecânicas e uma nova forma de jogarmos The Messenger. É interessante ver as diferenças entre níveis, mas esperamos que a eventual sequela eleve a fasquia e continue a adicionar novos estilos, como cenários em 3D.

The Messenger é uma bomba nostálgica e um jogo de ação e plataformas muito sólido. A passagem pela Nintendo Switch já tinha sido muito positiva e a sua chegada à PS4 sublinha todas as virtudes, agora para um novo público. Se adoram Ninja Gaiden e Mega Man, e querem uma nova experiência dentro do género, ainda que mais amigável, este é o jogo que procuram.

Não esperem encontrar, no entanto, um jogo muito extenso, mas sim limado e com a duração certa para a sua jogabilidade clássica – tal como adoramos.

Este jogo (versão para PlayStation 4) foi cedido para análise pela Sabotage.

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