Mini-Críticas Cinema – Edição 2021

Normalmente preparo este tipo de artigo perto do final de cada ano com mini-críticas que fui guardando de alguns filmes para os quais não tive tempo de escrever uma opinião mais extensa.

Mini-Criticas Cinema - Edição 2021
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2021 será um bocado diferente, de forma a que consiga publicar as minhas análises sobre todos os filmes que assistir durante este ano sem perder nenhum. Apesar da menor quantidade de películas em 2020, não deixei de ter dificuldades com o tempo, por isso, antecipo que 2021 seguirá pelo mesmo caminho, mais tarde ou mais cedo.

Sendo assim, este artigo contém as mesmas opiniões concisas que já leram em outros posts semelhantes. Pequenas críticas de alguns filmes aos quais não posso oferecer 800 palavras ou mais devido a situações externas que podem ocorrer na minha vida. Na maioria dos casos, estes serão filmes que não terão impacto na minha reflexão de fim de ano dos melhores/piores filmes que vi em 2021.

Esta secção será atualizada sempre que adicionar uma nova entrada, bem como sua data de publicação, para que essas opiniões compactas possam ser vistas por todos a qualquer momento.

Things Heard & Seen

  • Realização: Shari Springer Berman, Robert Pulcini
  • Argumento: Shari Springer Berman, Robert Pulcini
  • Elenco: Amanda Seyfried, James Norton, Natalia Dyer, Rhea Seehorn, Alex Neustaedter, F. Murray Abraham, Jack Gore
  • Duração: 119 min

Sinopse: “Um casal de Manhattan muda-se para uma casa histórica em Hudson Valley, onde acaba por descobrir que o seu casamento está envolto por uma penumbra tão sinistra quanto a que envolve a história da nova casa.”

Crítica: Horror é definitivamente um dos meus géneros favoritos. Considero este tipo de filme extremamente impactante quando realizado de forma eficiente. Desde noites sem dormir a imagens inesquecíveis, nunca me canso de horror. No entanto, tal como qualquer outro género popular, chegou a um ponto em que os estúdios se preocupam mais em construir franchises baseadas em argumentos formulaicos do que realmente entregar histórias originais, criativas e únicas. A Netflix não é conhecida por conteúdo de horror excecional, logo encontrava-me algo cético em relação a este filme.

Things Heard & Seen pode ter uma premissa genérica, mas Shari Springer Berman e Robert Pulcini são capazes de adicionar substância suficiente para o tornar minimamente interessante. Amanda Seyfried (Mank) e James Norton (Little Women) oferecem duas prestações notáveis, interpretando duas personagens distintas que, de alguma forma, acabaram juntas. Ambas têm as suas próprias falhas, mas o marido é retratado de uma maneira tão negativa que se torna desafiador acompanhar alguém tão desprezível. A narrativa principal contém um pequeno twist na história de fantasmas habitual, tornando-a mais do que apenas um festival de jumpscares previsíveis, para além de possuir uma cena particularmente violenta que não é nada menos do que surpreendente.

Apesar da atmosfera repleta de suspense, o ritmo lento arrasta um filme demasiado longo que, infelizmente, apresenta um final desapontante. O início do terceiro ato atinge o auge de entusiasmo através de decisões de personagem cativantes que certamente aumentam o valor de entretenimento. No entanto, a mistura de temas feministas com a narrativa sobrenatural está longe de obter o equilíbrio certo, terminando como mais um filme de horror que tinha tudo para ser muito, muito melhor.

Nota: ★★★

Stowaway

  • Realização: Joe Penna
  • Argumento: Joe Penna, Ryan Morrison
  • Elenco: Anna Kendrick, Daniel Dae Kim, Shamier Anderson, Toni Collette
  • Duração: 116 min

Sinopse: “Durante uma missão a Marte, um passageiro clandestino involuntário provoca danos graves aos sistemas de suporte de vida da nave. Com os recursos a esgotarem-se e confrontada com a possibilidade de um desfecho fatal, a tripulação é obrigada a tomar uma terrível decisão.”

Crítica: Sou um verdadeiro amante de todos os géneros de cinema, mas ficção científica é um dos meus favoritos absolutos. Dentro desta área de storytelling, considero filmes espaciais de uma só localização – geralmente dentro de uma nave de algum tipo – incrivelmente cativantes quando bem aproveitados. Joe Penna (Arctic) realiza e co-escreve o seu segundo filme num ambiente muito difícil para qualquer cineasta de topo, quanto mais para alguém que está a começar a construir a sua carreira. Criar uma história e desenvolvê-la pelos mesmos corredores, paredes e divisões por duas horas não é, com certeza, uma tarefa fácil se o objetivo passa por convencer os espetadores a ficarem até ao fim. Tanto em termos de entretenimento como a nível técnico, é um desafio tremendo.

Dito isto, Stowaway é a primeira grande surpresa de 2021. Penna e Ryan Morrison montam um argumento emocionalmente convincente, repleto de dilemas morais excruciantes e a melhor prestação da carreira de Anna Kendrick (A Simple Favor, Pitch Perfect). A atriz eleva o seu nível ao ser a protagonista de um filme que também tem Daniel Dae Kim (Raya and the Last Dragon, Hellboy) e Toni Collette (I’m Thinking of Ending Things, Knives Out), roubando os holofotes ao demonstrar o seu lado mais dramático em vez da sua zona de conforto mais cómica. Shamier Anderson (Destroyer, Love Jacked) também oferece uma exibição notável, que provavelmente o catapultará para fazer mais aparições com atores deste patamar ou superior.

Os trailers podem levar alguns espectadores a pensar que Stowaway tem uma narrativa acelerada e orientada para o entretenimento, mas a premissa interessante – apesar de genérica – é levada por uma perspetiva muito mais humana e fundamentada sobre as decisões mais complexas da vida. Com exceção do arco de personagem de Collette, todos os outros astronautas recebem um guião bem escrito que lhes dá uma personalidade totalmente desenvolvida com uma backstory completa e diálogos dinâmicos e autênticos. Infelizmente, apesar de Collette entregar uma interpretação fantástica como sempre, a sua personagem passa a maior parte do tempo conversando com um engenheiro aleatório e invisível do planeta Terra numa sala separada, quase como se a atriz tivesse sido mantida à parte do resto do elenco. O ritmo lento é impactado negativamente por esta decisão narrativa questionável.

Tecnicamente, enormes elogios ao design futurista da cenografia, que permitiu que a câmara se movesse através da estação espacial com facilidade, dando a Penna e Klemens Becker (diretor de fotografia) a oportunidade de empregar takes longos e de tracking que ajudam a tornar a atmosfera menos monótona. Os responsáveis pelos efeitos especiais também merecem nota muito positiva por tudo o que os espectadores veem fora da estação espacial. Imagens linda, dignas de papel de parede, encontram-se espalhadas por todo o tempo de execução do filme.

O último ato apresenta situações de suspense e extremamente nervosas, mas ainda mais importante, possui um final que desencadeará conversas mesmo após os créditos. É um argumento previsível e formulaico? Não se pode negar, mas é lindamente realizado por um cineasta extraordinariamente dedicado e talentoso que recomendo a todos que sigam de perto.

Nota: ★★★½

French Exit

  • Realização: Azazel Jacobs
  • Argumento: Patrick deWitt
  • Elenco: Michelle Pfeiffer, Lucas Hedges, Valerie Mahaffey, Imogen Poots, Susan Coyne, Danielle Macdonald, Isaach de Bankolé, Daniel Di Tomasso, Tracy Letts
  • Duração: 110 min

Sinopse: “O meu plano era morrer antes que o dinheiro acabasse”, diz a socialite falida de Manhattan, Frances Price (Michelle Pfeiffer), de 60 anos, mas as coisas não correram como planeado. O seu marido, Franklin, encontra-se morto há 12 anos e com a sua vasta herança desaparecida, ela levanta o equivalente monetário ao seu último pertence e resolve viver os seus dias de crepúsculo anonimamente num apartamento emprestado em Paris, acompanhada pelo seu filho desorientado, Malcolm (Lucas Hedges), e um gato chamado Small Frank – que pode ou não incorporar o espírito do marido morto de Frances.”

Crítica: Olho para comédia surreal como um dos subgéneros mais complexos de apreciar. Pela minha experiência, o humor deve ser perfeito para que realmente solte gargalhadas durante todo o tempo de execução de um filme propositadamente absurdo. Além disso, necessito de sentir algum tipo de conexão com o protagonista. Caso contrário, será extremamente complicado verdadeiramente desfrutar da diversão dentro de todo o caos. Nunca vi um filme de Azazel Jacobs (The Lovers, Terri), que traz o mesmo argumentista do seu último filme, Patrick deWitt.

Michelle Pfeiffer entrega uma prestação fenomenal, mostrando um enorme alcance emocional e uma experiência que lhe permite navegar perfeitamente qualquer guião atirado para cima dela. Em última análise, Pfeiffer prova que ainda tem o que é preciso para liderar os maiores filmes de cada ano. Infelizmente, French Exit é, de facto, um filme incrivelmente difícil de apreciar. Desde as performances restantes dececionantes – Lucas Hedges é frustrantemente irritante no seu papel – à falta de interesse na narrativa geral, é um daqueles filmes que os espectadores ou se conseguem deixar cativar imediatamente ou não será fácil de se assistir.

A comédia surreal implica um argumento sem sentido, o que pode deixar algumas pessoas de pé atrás logo à partida. É um tipo extremamente específico de humor que normalmente não atinge grandes grupos de espetadores. Azazel Jacobs traz a história de Patrick deWitt para o ecrã com um compromisso notável, mas, no final, é um filme lento que estica a sua duração desnecessariamente, sem muitos risos para oferecer.

Nota: ★★

Locked Down

  • Realização: Doug Liman
  • Argumento: Steven Knight
  • Elenco: Anne Hathaway, Chiwetel Ejiofor, Stephen Merchant, Mindy Kaling, Lucy Boynton, Dulé Hill, Jazmyn Simon, Ben Stiller, Ben Kingsley
  • Duração 118 min

Sinopse: “Em Locked Down, assim que decidem em separar-se, Linda (Anne Hathaway) e Paxton (Chiwetel Ejiofor) descobrem que a vida tem outros planos quando ficam presos em casa num confinamento obrigatório. A co-habitação prova ser um desafio, mas alimentada por poesia e grandes quantidades de vinho, irá aproximá-los da maneira mais surpreendente.”

Crítica: Assistir a um filme que decorre durante uma pandemia global enquanto estamos ainda a tentar ultrapassar uma verdadeira pandemia global pode ter um impacto negativo significativo nos espectadores, dependendo de como estes últimos se sentem sobre o problema atual do nosso mundo. Honestamente, as minhas expetativas encontravam-se muito baixas, mas Locked Down é uma das surpresas mais agradáveis que tive a sorte de encontrar nos últimos meses.

O argumento de Steven Knight é bem-humorado, repleto com piadas sobre os comportamentos mais tolos da humanidade durante um confinamento. Desde a quantidade ridícula de rolos de papel higiénico à discussão sobre os temas domésticos mais irrelevantes e sem importância, Anne Hathaway e Chiwetel Ejiofor elevam profundamente uma narrativa simples, mas cheia de entretenimento, com duas prestações incrivelmente divertidas. A sua química está no ponto e as suas personagens são igualmente engraçadas.

Doug Liman criou uma história de duas horas agradável, inofensiva e mais realista do que antecipava sobre um casal que precisa de encontrar o que os fez apaixonarem-se… pelo menos até ao início do terceiro ato, que é totalmente absurdo. Sim, todo o filme segue uma fórmula genérica carregada de clichês, mas a última meia hora muda para uma ridícula missão de assalto que realmente não se adequa às personagens ou à história até esse ponto (e nem vou tocar nas dezenas de problemas lógicos que levanta).

No geral, recomendo a qualquer espectador que tenha algumas horas extras para assistir algo leve na sua televisão. Porém, se desejam escapar ou esquecer a situação global atual, então talvez seja melhor guardar esta peça para outra altura.

Nota: ★★★

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