Crítica – “Hellboy”

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Hellboy está de volta e está em brasa. Saída das páginas da obra seminal de Mike Mignola, esta história repleta de ação mostra-nos o lendário super-herói e semi-demónio (David Harbour) a ser chamado a uma zona rural inglesa para combater um trio de gigantes enfurecidos.

Aí, ele descobre a Rainha de Sangue, Nimue (Milla Jovovich), uma antiga feiticeira ressuscitada, sedenta de vingar uma traição do passado. Subitamente preso num confronto entre o sobrenatural e o humano, Hellboy está agora apostado em deter Nimue sem desencadear o fim do mundo.

Os filmes da década passada, realizados por Guillermo del Toro, foram sempre bastante aclamados, tanto por críticos como pelo público. Assim, se um reboot estava a ser trabalhado, este tinha que ser bastante diferente dos originais ou, pelo menos, capaz de separar-se deles. O filme de Neil Marshall é, sem dúvida, distinto, mas não da melhor maneira.

Infelizmente, este é um dos piores filmes do ano, até agora. David Harbour esforça-se tremendamente para carregar a história até “porto seguro”, mas o seu desempenho fantástico não consegue combater todas as cenas de exposição dolorosamente longas e repetitivas, uma edição digna de um Razzie Award (se tivessem tal categoria), e a comédia cringe-worthy.

O trio de argumentistas falhou em quase tudo. Mesmo Hellboy, enquanto personagem, torna-se uma caricatura de si mesmo a certo ponto. Milla Jovovich, que não é uma má atriz de todo, oferece um desempenho tão over-the-top que acaba por se tornar cliché, cheesy, e o completo oposto de ameaçadora. Obviamente, o seu guião extremamente vil não ajuda. Sasha Lane (Alice) é a única que realmente retrata uma personagem agradável (excluindo o protagonista) e entrega uma performance convincente.

Daniel Dae Kim também faz um bom papel como Ben Daimio. Apesar disso, um elenco talentoso não é suficiente para superar os problemas inegáveis do argumento, que conta uma história confusa, repleta de exposição pesada através de flashbacks irritantes.

A banda sonora rock’n’roll nem sempre funciona, tornando-se irregular e fazendo com que algumas transições pareçam esquisitas. No entanto, mérito onde o mesmo é devido, transformando as sequências de ação em situações bem mais entretidas.

Existem alguns momentos de grande ação onde Hellboy brilha, mas, no geral, estas são arruinadas por edição desleixada. Honestamente, é incrivelmente curioso como é que Marshall consegue facilmente filmar lutas em um take (ou um take “com costuras”, como uma sequência perto do fim) e outras horrivelmente editadas no mesmo filme, tantas vezes. Os efeitos visuais dececionam tanto quanto impressionam, mas a maquilhagem e o guarda-roupa de Hellboy são, pelo menos, acertados.

No final, a história e as personagens são os dois pilares de qualquer filme, e Hellboy não consegue entregar uma aventura bem escrita e cativante, assim como personagens que criem uma ligação com a audiência.

Concluindo, Hellboy é um grande tropeção na carreira cinematográfica de Neil Marshall e, com certeza, terá que trabalhar bastante para conseguir obter outra oportunidade num blockbuster. O seu filme já está a sofrer perdas na bilheteira, o que prova que o interesse no reboot desta saga não é grande o suficiente para justificar uma sequela. É verdade que tem bons momentos e David Harbour incorpora a sua personagem sem problemas, carregando o filme durante o tempo que consegue.

No entanto, um bom elenco e ocasionalmente boas sequências de ação não são suficientes para lutar contra problemas de escrita, uma banda sonora irregular, comédia terrível, autênticos despejos de exposição e a pior edição deste ano, até agora. É uma dor de cabeça que a maioria das pessoas pode não achar digna do preço do bilhete…

Nota:

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