Crítica – Dolittle

Sete anos depois de ter perdido a sua esposa, o excêntrico Dr. John Dolittle (Robert Downey Jr.), famoso médico e veterinário de Inglaterra da Rainha Vitória, esconde-se atrás dos muros altos da mansão Dolittle, contando apenas com a companhia dos seus animais exóticos. Mas quando a jovem rainha fica gravemente doente, Dolittle é forçado a zarpar numa aventura épica para uma ilha mítica em busca de uma cura, recuperando a sua perspicácia e coragem enquanto reencontra velhos adversários e descobre criaturas maravilhosas.

Todos nós já assistimos aos filmes de Dolittle protagonizados por Eddie Murphy. Não vou mentir, nunca fui fã destes filmes. Sim, são propositadamente infantis, inocentes e apresentam aquele nível básico de comédia. Nunca me irritaram, mas também nunca fizeram nada notavelmente surpreendente. A versão de 2020 deste conto é o primeiro papel pós-MCU de Robert Downey Jr., contém um elenco recheado de estrelas… e é um dos piores filmes do ano, sem dúvida alguma. Um desastre completo em todas as áreas de filmmaking.

Nem sei por onde começar. Talvez com RDJ, visto que é a surpresa negativa mais significativa. Ainda não consigo acreditar que um ator tão carismático, e agora icónico como ele, tenha a habilidade de entregar uma prestação tão horrível. O seu sotaque galês (?) não só é uma escolha terrível para a sua personagem, como duvido que uma criança entenda o que está a dizer. RDJ age como uma caricatura inacreditável de si próprio, não ajudando um filme que possui outras inúmeras falhas. O trabalho de voz do elenco restante é capaz de ser o único aspeto positivo de todo o filme, mas os animais CGI são muito pouco convincentes.

Dolittle

No entanto, como sempre, os problemas mais impactantes pertencem à história em si. Em vez de ser uma aventura repleta de entretenimento e diversão, é uma viagem incrivelmente aborrecida, sem qualquer sentido lógico e sem estrutura para um dos terceiros atos mais ridículos do cinema. Mesmo colocando-me na mente de uma criança, não penso ser capaz de desfrutar desta trapalhada de argumento. Tal como escrevi acima, nem os próprios animais parecem decentes…

Certas personagens possuem relações desconhecidas com as quais o público deveria importar-se, mas nenhuma história é oferecida a estas. Imensos pontos do enredo não têm explicação racional. Toda a narrativa é vazia de qualquer criatividade ou algo único, sendo simplesmente uma obra preguiçosa e sem imaginação. A “jovem rainha que fica gravemente doente” é apenas uma mulher a dormir na cama, sem parecer perto de estar mal-disposta, o que prova que nem a equipa de maquilhagem estava interessada em fazer um esforço.

Mas todas as situações acima são insignificantes quando comparadas com o clímax do filme. Não quero escrever quaisquer spoilers, logo escrevo apenas que ainda não acredito no que testemunhei. Cerca de noventa minutos de build-up servem para chegar ao momento mais chocante, hilariante (mau) e totalmente absurdo. O humor encontra-se um nível abaixo do infantil. Dezenas de fart jokes, reações exageradamente estapafúrdias e nem sei o que mais. Entre Bloodshot, Fantasy Island e The Grudge… Venha o Diabo e escolha!

Dolittle

Dolittle é uma catástrofe absoluta a todos os níveis. Estava destinado a ser um dos piores filmes do ano e, sem quaisquer dúvidas, alcançou esse objetivo. Desde a prestação surpreendentemente péssima de Robert Downey Jr. a um dos clímaxes mais chocantes da história do cinema, Stephen Gaghan entrega um argumento sem estrutura, repleto de decisões narrativas ilógicas e com uma aventura extremamente aborrecida.

Os animais CGI estão longe de serem minimamente impressionantes, as personagens não têm personalidades associadas (trazer uma superestrela não garante nada) e a comédia é tão absurdamente básica que duvido que até as crianças se consigam rir de algumas piadas e estas riem-se de tudo.

Com um orçamento de 175 milhões de dólares (!!!), não é compreensível como é que um estúdio gasta tanto dinheiro num fracasso tão óbvio. O trabalho de voz do elenco é bom… e poderia ter sido ainda pior. É o mais perto que consigo chegar de um ponto positivo.

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