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Crítica – True History of the Kelly Gang

Tecnicamente maravilhoso, mas com muita pouca emoção para nos importarmos com as personagens.

True History of the Kelly Gang mostra-nos a ascensão e a queda do rebelde australiano Ned Kelly (George MacKay e Orlando Schwerdt), consagrado como o maior bush ranger da história do país. Durante a década de 1870, incentivado pelo fugitivo Harry Power (Russell Crowe) e pela prisão da sua mãe, Kelly recrutou vários rebeldes para planear uma rebelião lendária.

Foi uma crítica bem difícil de escrever. Não possuía conhecimento prévio sobre Ned Kelly nem sobre o seu gangue. Não sei se é uma história bem conhecida fora da Austrália, mas entendo as razões por detrás da sua campanha de marketing quase inexistente pela Europa. Será sempre estranho um filme com um elenco tão fenomenal não receber publicidade suficiente. George MacKay está exponencialmente a receber papéis mais importantes e é, sem dúvida, o destaque deste filme. Uma prestação genuinamente notável de um ator que me impressiona todas as vezes que tenho a oportunidade de o ver.

Russell Crowe não tem muito tempo de ecrã, mas compromete-se sempre a 100% com as suas personagens, e esta não foi exceção. Até presumiria que foi usado como isco para trazer mais espetadores, mas, tal como escrevi acima, não me parece que o estúdio estivesse realmente preocupado com isso. Charlie Hunnam (Sergeant O’Neill) continua a sua série de boas performances, Nicholas Hoult (Constable Fitzpatrick) prova mais uma vez que merece muito mais oportunidades e Essie Davis (Ellen Kelly) é ótima como mãe de Ned.

No entanto, é Thomasin McKenzie (Mary) quem surpreende. Vimo-la extremamente engraçada em Jojo Rabbit, mas agora mostra um alcance dramático totalmente diferente. Como já devem ter percebido, acredito que o elenco é o que de melhor True History of the Kelly Gang tem para oferecer. Justin Kurzel não se conteve em criar um ambiente verdadeiramente realista em relação ao período em que o filme se passa, colocando constantemente os atores em cenas desconfortáveis.

True History of the Kelly Gang é lindamente filmado por Ari Wegner (cinematógrafo) e a banda sonora (Jed Kurzel) também é muito boa. No entanto, não me senti investido na história nem nas suas personagens. Este foi um filme complicado de passar a minha opinião para escrita simplesmente porque, quando terminei de assistir, realmente não sabia como me sentia. Raramente acontece, mas encontrava-me preso neste lugar onde não conseguia descobrir se gostei ou não do mesmo. Esperei um dia inteiro para começar este artigo, pois queria ter a certeza de que escreveria uma crítica justa.

Sendo totalmente honesto, tive muitas dificuldades em importar-me com um único aspeto relacionado com o argumento. Por mais de uma hora, o filme parece não ter um rumo ou propósito claro. Ned cresce e passa de criança a homem, a sua infância é extremamente detalhada (Orlando Schwerdt também é ótimo como um jovem Ned) e tudo o que acontece com ele ou com a sua família é explicitamente mostrado no ecrã. Simplesmente não considero cativante o suficiente para agarrar a minha atenção. Os últimos trinta a quarenta minutos são muito melhores e o final é impactante, assim como chocante…

Mas falta aquela ligação emocional. Importei-me mais com um certo animal morrer baleado do que com os humanos. Convém referir: True History of the Kelly Gang é um filme visualmente chocante com imensas mortes sem qualquer tipo de restrição, repletas de sangue e com todos os tipos de nudez. Se são sensíveis a estes aspetos, deixo o aviso. É um slow-burn onde a vida de Ned é o motor da narrativa, mas é muito difícil ficar encantado com a experiência. É horrível (e preguiçoso) de escrever, eu sei, mas achei um pouco aborrecido.

Talvez conhecer a história real de antemão possa ajudar, não tenho a certeza. Apenas quero deixar claro na minha crítica que não sinto que seja parte do público-alvo deste filme. Parece um filme direcionado a uma audiência que saiba previamente no que se está a meter. Isso ou a obra realmente não faz o suficiente para dar vida ao argumento de Shaun Grant de uma maneira emocionalmente convincente.

Resumindo, True History of the Kelly Gang é tecnicamente maravilhoso e possui um elenco fenomenal, em que todos oferecem prestações incríveis. George MacKay é um protagonista fantástico, provando que merece papéis mais significantes em Hollywood, enquanto que Thomasin McKenzie é a grande surpresa.

A cinematografia é deslumbrante, a banda sonora é excelente e a produção artística é digna de prémios. As cenas visualmente chocantes criam uma atmosfera realista e envolvente, mas tudo isto não é suficiente para superar os problemas narrativos que o filme possui. Com um ritmo lento e uma falta geral de ligação emocional com as personagens, foi complicado sentir-me investido em qualquer aspeto relacionado com a história.

O seu marketing quase inexistente fora da Austrália insinua que pode não ser um filme para alguém que não tenha qualquer conhecimento sobre este gangue famoso da história Australiana. Recomendo-o pelos seus atributos técnicos, mas não consigo negar que, muito provavelmente, não voltarei a vê-lo.

True History of the Kelly Gang fica disponível em Blu-Ray e serviços VOD em breve.

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