Crítica – Raya and the Last Dragon

Raya and the Last Dragon segue uma narrativa parcialmente desapontante e formulaica, mas compensa com animação belíssima, uma banda sonora arrepiante e um final bastante agradável.

Raya and the Last Dragon
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Sinopse: “Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas, quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões sacrificaram-se para salvar a humanidade. Quinhentos anos depois, o mesmo mal regressou. Cabe a uma guerreira solitária, Raya (Kelly Marie Tran), localizar o último dragão para recuperar a terra e o seu povo, divididos. Ao longo da viagem, vai aprender que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo.”

A Disney comprou a Pixar em 2006 e muitos filmes de animação incríveis foram lançados por ambos os estúdios. Portanto, é bastante compreensível que muitas pessoas não reconheçam a diferença entre Walt Disney Animation Studios e a própria Pixar. Este último estúdio lançou dois filmes só no ano passado (Onward, Soul), ao passo que o primeiro tem como último filme original Moana, de 2016. Logo, havia muita expetativa para um novo filme de animação do estúdio que nos deu clássicos como Aladdin, The Lion King, Mulan e, mais recentemente, a saga Frozen. Com Don Hall (Big Hero 6) e Carlos López Estrada (Blindspotting) ao leme, e Adele Lim (Crazy Rich Asians) e Qui Nguyen (estreia em longas-metragens) a tratar do argumento, será que conseguiram entregar um bom filme?

Bem, se tiver que responder “sim” ou “não”, vou com a primeira. Começo pelos pontos positivos. O único detalhe técnico que todos – críticos e público geral – esperam de um filme animado da Disney é, de facto, uma animação deslumbrante, e Raya and the Last Dragon apresenta imensos cenários incrivelmente bonitos, criativos e de fazer cair o queixo. As diferentes terras que a história leva os espectadores a visitarem parecem impressionantemente realistas, algumas delas claramente inspiradas em lugares reais da cultura asiática. Os desenhos das personagens também parecem excelentes, embora não estejam muito longe do que se tem visto da animação 3D nos últimos anos.

Raya and the Last Dragon

Tecnicamente, porém, o destaque tem que ir para a banda sonora viciante e arrepiante de James Newton Howard. Desde as faixas emocionais aos tons energéticos que elevam as sequências de ação, é uma banda sonora que vai demorar a sair da minha cabeça nas próximas semanas, especialmente o tema principal. Na verdade, estou a ouvi-la enquanto escrevo esta crítica e sinto-me revitalizado. Os efeitos sonoros para os monstros Druun são bastante intimidantes, é difícil não sentir o peso da sua presença ameaçadora, mas as faixas inspiradoras e indutoras de lágrimas impactaram-me imenso. As cenas de ação são maravilhosamente filmadas e animadas, trazendo altos níveis de entretenimento e entusiasmo para uma narrativa parcialmente guiada pela aventura. A luta de espadas de Raya é, indiscutivelmente, o tipo de batalha mais cativante visto durante todo o tempo de execução.

Relativamente à história, e sendo totalmente honesto, é algo desapontante. Enquanto que os visuais partilham imaginação e criatividade notáveis, o argumento formulaico de Adele Lim e Qui Nguyen é muito mais simples e menos surpreendente do que o esperado. Tinha noção de que Raya and the Last Dragon não entregaria uma narrativa inovadora, mas um enredo ao estilo de um videojogo está longe de ser uma boa alternativa. O terceiro ato tenta desafiar a previsibilidade da sua história com um pequeno momento inesperado que adoro inquestionavelmente, mas além de não mudar a conclusão prevista nos primeiros 10 minutos do filme, prejudica severamente uma personagem secundária.

Em relação a este último tópico, não consigo negar que é o meu problema principal com o filme, mas teria que entrar em território de spoilers para explicar devidamente. Sendo assim, abordarei apenas a inconsistência da personagem que, infelizmente, afeta a mensagem central do filme. Os temas essenciais giram à volta da confiança e de como se tratarmos as outras pessoas gentilmente, receberemos o mesmo tipo de tratamento. Uma nota adorável que pais pelo mundo fora certamente vão querer transmitir aos seus filhos. No entanto, a personagem em questão passa o filme sem saber de que lado está, constantemente a trair todos e até culpando os outros por algo que a própria personagem provocou em primeiro lugar.

Raya and the Last Dragon

Apesar de ter um impacto significativamente negativo na minha apreciação do filme, o final funciona muito bem e compensa este problema com a referida personagem. Kelly Marie Tran empresta a sua voz a Raya, uma protagonista fácil de se torcer por devido às suas motivações claras e missão importante, enquanto que Awkwafina é muito engraçada como Sisu, um dragão algo pateta com mais profundidade do que aquilo que os espectadores possam esperar da primeira impressão. Todos no elenco entregam um trabalho de voz excecional e todas as personagens possuem algum tipo de caraterística cativante que fará o público apoiá-las, exceto a tal que já descrevi acima. Tendo em mente que as crianças são, de facto, o público-alvo deste filme, tenho a certeza que todos se sentirão encantados com o mesmo.

Possuindo um elenco predominantemente asiático-americano, todos com um trabalho de voz extraordinário, Raya and the Last Dragon segue uma narrativa parcialmente desapontante e formulaica, mas compensa com animação belíssima, uma banda sonora arrepiante e um final bastante agradável.

A Walt Disney Animation Studios regressa com uma história original que carece de elementos surpreendentes, empregando toda a criatividade e imaginação do projeto à sua aventura cheia de entretenimento e com ritmo rápido, assim como aos visuais inegavelmente impactantes e sequências de ação incrivelmente fascinantes. Apesar de um problema significativo com uma personagem inconsistente que afeta profundamente a desfrutação no filme, todas as outras personagens são extremamente empáticas, divertidas e bem desenvolvidas.

Uma mensagem adorável sobre confiança e tratar os outros com gentileza é, em última análise, bem transmitida aos espetadores, que espero genuinamente que pais mostrem aos filhos. Observação final: a música de James Newton Howard não vai sair das vossas mentes por muito, muito tempo.

Raya and the Last Dragon fica disponível dia 5 de março no Disney+ mediante o pagamento de 21,99€. Para quem não desejar pagar este custo adicional, saibam que o filme disponível para todos os subscritores a 4 de junho.

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