Crítica – Soul

Soul chega para terminar o ano em grande. É, sem dúvida, um dos melhores filmes de 2020. Mais um clássico da Pixar, ideal para se ver na manhã de Natal.

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Sinopse: “Joe (Jamie Foxx) é um professor de música do 2º ciclo cuja vida não tem corrido como esperava. A sua verdadeira paixão é jazz… e Joe é muito bom. Mas quando viaja para outro mundo para ajudar alguém a encontrar a sua paixão, descobre realmente o que significa ter soul.”

Do meu Top 15: Filmes Mais Antecipados de 2020, oito foram removidos do calendário deste ano devido à pandemia global atual, logo não tinha assim muitos filmes para os quais me sentia incrivelmente entusiasmado. Adoro praticamente tudo o que a Pixar produz e, no início de 2020, notei que o estúdio ia lançar não um, mas dois filmes de animação originais, algo bastante incomum na sua história (só aconteceu em 2015 e 2017). Onward foi mais um sucesso, mas todos sabiam que Soul era a grande arma do estúdio. A data de lançamento marcada para dezembro implica melhores chances de ganhar um Óscar e o tão esperado regresso de Pete Docter (Monsters Inc., Up, Inside Out) às cadeiras de realizador e argumentista também eleva as expetativas para o filme.

Não sou diferente. As minhas expetativas eram tão altas como o céu, mas a questão principal na minha mente não era realmente se Soul ia ser um filme excelente, mas sim se seria tão bom ao ponto de o adorar mais do que Wolfwalkers, o meu filme de animação favorito do ano até agora?

Bom, posso escrever que é um empate maravilhoso, lindo e emocionante. Adoro imensamente ambos os filmes e não ficaria surpreendido se os visse no meu Top 10. No entanto, este é o palco de Soul, por isso, permitam-me, desde já, despachar o único problema pequenino que tenho com o filme. Durante o primeiro ato, não consegui sentir uma conexão com a história nem com as personagens. Demorei algum tempo para me sentir realmente investido na narrativa e até os próprios aspetos técnicos, como o estilo de animação e a banda sonora (Trent Reznor, Atticus Ross), me pareceram estranhos e surpreendentemente não tão cativantes.

Soul

No entanto, este começo lento e pouco convincente não afeta negativamente o filme no seu geral, visto que a maioria destes componentes aparentemente esquisitos melhoram com o passar do tempo. A partir do momento em que senti o clique, entrei naquela montanha russa de emoções que desejo sempre experimentar numa longa-metragem da Pixar. O estúdio é conhecido pelos seus finais extremamente sentidos, chocantes e indutores de lágrimas, e apesar de Soul não ser uma exceção à regra, está longe de conter aqueles minutos finais alucinantes, de fazer cair o queixo e completamente devastadores. O terceiro ato é altamente emocional e transmite uma mensagem bonita aos espetadores, mensagem tal que me fez refletir sobre o ano inteiro e um momento específico da minha vida.

Pete Docter, Mike Jones e Kemp Powers exploram o assunto tabu do significado da vida de uma maneira previsível, mas profunda e repleta de entretenimento. A abordagem às questões filosóficas como “qual é o meu propósito?”, “onde está o meu clique?” ou “o que significa ter uma alma?” é inteligentemente desenvolvida e muito bem escrita. Existe uma sequência com o protagonista perto do fim que fará com que muitos espetadores a experimentem simultaneamente. Encontrei-me a rever esta cena em particular várias vezes para me ajudar a lembrar de um certo período na minha vida onde percebi que o que pensava que era o meu destino era, na verdade, apenas uma daquelas paixões de vida que nos deixam com memórias inesquecíveis.

Fui capaz de lidar bem com esse momento, mas muitas pessoas perdem-se assim que descobrem que o que achavam que estavam destinados a fazer/ser não é realmente o que o futuro lhes reserva. Tornam-se almas perdidas e apenas um clique, uma faísca, pode revitalizá-las. Soul explora este tema de uma forma tão autêntica, genuína e criativa que não aguentei o choro, tal como em todos os filmes da Pixar. Assistir a Soul vai fazer os espetadores apreciarem a vida muito mais, especialmente aqueles pequenos momentos que nos esquecemos de recordar. Viver, com todas as suas fases horríveis, é a melhor experiência de vida que alguém pode ter. Depois de um ano de isolamento e separação das pessoas que amamos, este filme chega no momento perfeito.

Soul

Tecnicamente, o estilo de animação e a banda sonora não me convenceram nos primeiros minutos, mas, no final, são parte dos ingredientes-chave que me fizeram chorar que nem uma criança. Trent Reznor e Atticus Ross estão a começar a tornar-se em dois dos meus compositores favoritos (The Social Network, Gone Girl, Mank). Pete Docter prova que o seu talento inegável por detrás do ecrã permanece intacto e, desta vez, apresenta Hollywood aos estreantes Kemp Powers e Mike Jones. Jamie Foxx e Tina Fey entregam um ótimo trabalho de voz, portanto, não se surpreendam com as dezenas de nomeações que vão receber. Finalmente, parabéns a todos os artistas que trabalharam na animação deste filme. Estas pessoas talentosas são as verdadeiras estrelas da Pixar.

Em suma, Soul é tudo aquilo que desejava que fosse. Um clássico filme de animação da Pixar com o já tradicional terceiro ato a ser emocionalmente poderoso; uma banda sonora bonita, doce e provocadora de muitas lágrimas; e uma história relacionável, profunda e bem explorada sobre a nossa própria alma e o significado da vida.

Pete Docter entrega mais uma longa-metragem digna de vários prémios, com a ajuda de Kemp Powers e Mike Jones, para além das vozes marcantes de Jamie Foxx e Tina Fey. Pode começar devagar e seguir um caminho previsível, mas é apenas uma questão de tempo até todos os espetadores se conetarem com as personagens principais. Soul supera as barreiras do cinema, tornando-se uma fonte revitalizante da qual se pode retirar tanta energia importante. Funciona perfeitamente como uma reflexão sobre a vida e será uma motivação para todos começarem a realmente viver todos os momentos da mesma.

É o filme ideal para assistir na manhã do dia de Natal com toda a família bem aconchegada na sala de estar quentinha. Prometo: desfrutarão muito mais desta época festiva. Sem dúvida, um dos melhores filmes do ano.

Soul estreia no Disney+ a 25 de dezembro.

Soul
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