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Crítica – Onward (Bora Lá)

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Num mundo de fantasia suburbana, dois irmãos elfos adolescentes embarcam numa grande e gloriosa demanda para descobrir se ainda existe magia no mundo.

Tenho sempre dificuldades em encontrar razões para não gostar de um filme da Pixar. Um dos preconceitos mais irritantes sobre géneros é aquele sobre filmes de animação. “São para crianças, como consegues gostar disso, és tão infantil”, dizem as pessoas. Mal sabem estas que os filmes de animação têm narrativas e personagens tão ou mais emocionalmente convincentes do que as películas live-action. A banda sonora é, geralmente, mais importante e os visuais são sempre deslumbrantes. A parceria Disney-Pixar foi, provavelmente, o melhor que poderia ter acontecido a Hollywood.

Dan Scanlon realizou uma sequela surpreendentemente boa a Monsters Inc., em 2013, com Monsters University. Criar uma sequela eficiente 12 anos após o seu original é uma tarefa muito complicada, mas Scanlon obteve sucesso, por isso, tinha boas expetativas ao entrar no cinema. Onward pode não ser um dos melhores filmes da Pixar e duvido que muitas pessoas o coloquem como um dos seus (novos) favoritos, principalmente quando compararem com os restantes do mesmo estúdio. No entanto, ainda carrega a narrativa emocional “de marca registada”, com personagens relacionáveis que a Pixar tem por hábito apresentar.

Cresci com pai, mãe e dois irmãos mais velhos. Só com esta informação sei que tenho mais sorte do que muita gente pelo mundo fora. Onward foca-se na relação entre dois irmãos (Chris Pratt e Tom Holland) e adoro a sua aventura. Fez-me recordar a minha infância e os momentos incríveis que partilhei com os meus irmãos. Se são fãs de Dungeons & Dragons ou de outros jogos baseados em quests, a estrutura do plot principal vai, sem dúvida, agradar-vos como me agradou a mim, mas, ao mesmo tempo, está ligada ao meu maior problema…

O conceito é uma excelente ideia, mas a sua execução carece de um pouco mais de… magia, por mais irónico que possa parecer. Por exemplo, Frozen II não é sobre um “mundo cheio de magia”, mas Elsa (Idina Menzel) tem sequências mais mágicas sozinha do que Onward na sua totalidade. No primeiro, a magia em si enche o ecrã com animação impressionante e música arrepiante. Já Onward parece uma versão diminuída do seu verdadeiro potencial. Embora seja verdade que o mundo onde as personagens principais vivem perdeu a sua magia imensa do passado, a aventura destas está repleta de obstáculos, os quais se ultrapassam com… adivinharam: magia.

Não quero soar como as pessoas que só querem “ação por ação”. Odeio ver algúem descontente com um filme simplesmente porque não viram explosões suficientes e cenas do mesmo tipo. A minha opinião assenta mais sobre as minhas próprias expetativas e sobre o que a Pixar consegue criar. Obviamente, espero mais deles agora do que há alguns anos. Não é que a história não seja interessante ou cativante, até porque o entretenimento é uma constante durante todo o tempo de execução. Tem um ritmo rápido, há sempre algo a acontecer e o humor é perfeito. É um BOM filme. Simples.

O elenco de voz é fantástico. Tom Holland e, especialmente, Chris Pratt, incorporam o espírito das suas personagens na perfeição, sendo quase palpável a sensação de que os atores se divertiram bastante durante as gravações. Julia Louis-Dreyfus e Octavia Spencer também são muito boas, mas os arcos respetivos das suas personagens não são tão convincentes como a narrativa principal. Cada momento que passei com elas equivale aos momentos que queria voltar para os irmãos. No entanto, a diversão e o entretenimento nunca desaparecem. A história nunca deixa de ser entusiasmante, apenas aumenta e diminui o seu nível ocasionalmente.

Guardei o melhor para o fim. Apesar do segundo ato ser um pouco repetitivo, o final é incrivelmente satisfatório. Previsível? Sim. Será uma desilusão para algumas pessoas? Certamente. Mas entrega a mais bela das mensagens da forma mais emocional possível, tal como a Pixar sempre faz. Muitas lições de moral pequenas, mas importantes, são aprendidas ao longo da história, mas a última é absolutamente perfeita e deixa algumas lágrimas nos olhos. O final é emocionante e genuíno para todos, mas terá um impacto tremendo em famílias que perderam um membro demasiado cedo.

Concluíndo, a parceria Disney-Pixar continua a oferecer ao mundo os melhores filmes de animação de cada ano. Onward é o sucesso mais recente, embora necessitasse de um pouco mais de magia e criatividade, especialmente quando se compara com os outros filmes do mesmo estúdio.

Com um elenco de voz talentoso, os dois irmãos seguem numa aventura divertida, baseada em quests, que termina com uma mensagem maravilhosa e emocionante para todas as famílias. Algumas pessoas podem achar o final muito previsível e dececionante, mas o clímax é emocionalmente poderoso e isso causará, inquestionavelmente, um impacto em todos (lenços, alguém?).

O segundo ato é um pouco repetitivo, mas o entretenimento nunca desaparece. Humor hilariante e inteligente, personagens principais convincentes, personagens secundárias não-tão-interessantes e animação deslumbrante como sempre. A música dos créditos finais também é linda se ouvir. Mal posso esperar por Soul

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