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Crítica – Mulan (1998)

Mulan é um dos clássicos de animação mais culturalmente significativos do legado da Disney.

Mulan 1998

Sinopse: “A adaptação transcultural da Disney de um conto popular chinês sobre uma camponesa que se disfarça de homem e ocupa o lugar do pai enfraquecido no exército do imperador. Uma transformação que vira o tradicional conto de fadas ao contrário. Desta vez, a princesa salva o príncipe.”

2020 traz-nos mais um remake live-action por parte da Disney. Depois de novas versões de The Jungle Book, Aladdin, The Lion King e muitos outros, chega a vez de Mulan. Como tal, decidi voltar atrás no tempo e reviver um dos últimos capítulos da “Era Renascentista” da Disney.

Quando era criança, mesmo estando longe de ser alguém impactado pela cultura chinesa (e continuo a não ser), sempre gostei do filme pela sua história, personagens e, claro, pela sua banda sonora memorável. No entanto, por alguma razão, nunca se tornou um daqueles clássicos da Disney que revejo todos os anos. Esta pode muito bem ser apenas a 5ª vez que assisto ao filme, algo que, para alguém nascido nos anos 90, me parece estranhamente curto.

Aliás, esta deve ser a primeira vez que revejo Mulan desde que era um jovem adolescente inocente, logo estava realmente intrigado para descobrir se a minha opinião seria muito diferente ou não. Bom, chega de suspense, continuo a adorar!

Aprecio muito mais do que quando era criança, sem dúvida. Na verdade, se tivesse de escolher apenas um filme para ser adaptado ao formato live-action, Mulan seria a minha escolha final, simplesmente devido à atmosfera épica e cinemática. Não quero tirar o foco e o mérito à história fantástica nem às personagens incríveis, mas quando se trata de live-action, Mulan tem tudo para entregar um espetáculo visual arrepiante. Este filme prova como a animação 2D pode ser tão poderosa e emocionalmente avassaladora.

Tal como em todos os filmes da Era Renascentista do estúdio, a animação é deslumbrante. Dezenas de planos de fazer cair o queixo assemelham-se à escala épica de The Lord of the Rings. As sequências de ação são fascinantes e inovadoras, colocando a personagem principal em situações onde a mesma precisa de agir de forma inteligente. Já a música de Jerry Goldsmith tem um papel vital na narrativa. Não só desenvolve personagens de forma significativa, mas ajuda a história a mover-se com canções divertidas e impactantes. Mais uma vez, as sequências de ação também são elevadas por esta banda sonora, que oferece toda outra camada cinemática. Tecnicamente, Mulan é um dos melhores filmes de animação da Disney de sempre.

Mulan 1998

No entanto, como de costume, os dois pilares de qualquer filme são aqueles que as pessoas acabam por guardar no coração e na memória: história e personagens. Com tantos escritores ligados ao crédito do argumento, sinto-me genuinamente surpreso que Mulan tenha uma narrativa tão bem escrita, bem estruturada e emocionalmente ressoante. Repleto de histórias culturalmente significativas, é difícil não me sentir encantado pelo arco de Mulan (Ming-Na Wen). Uma filha que vai para a guerra ao roubar o lugar do pai, protegendo-o da morte certa, enquanto tenta igualmente honrar a sua família. Uma mulher que quer ser mais do que apenas a esposa de um homem qualquer. Batalha contra o aterrorizante Shan-Yu (Miguel Ferrer) e o seu exército, mas também contra estereótipos condescendentes e regras de uma sociedade antiga.

Ming-Na Wen dá uma voz poderosa a Mulan que vale a pena recordar. Passaram mais de mais de 20 anos, mas a sua aventura continua a ser um conto inspirador não só para todas as mulheres e raparigas do planeta, mas para todos os que colocarem os olhos neste filme. Captain Li Shang (BD Wong) também possui o seu próprio arco de tentar provar-se digno da posição que ocupa. Contra todas as probabilidades, consegue treinar as tropas e honrar o pai. Ling (Gedde Watanabe), Yao (Harvey Fierstein) e Chien-Po (Jerry Tondo) são hilariantes, mas também essenciais para salvar a China do inimigo. Shan-Yu funciona perfeitamente como uma presença intimidadora, mesmo que as suas motivações sigam a fórmula genérica dos vilões.

Mulan 1998

Agora, preparem-se, pois o meu único problema com o filme pode ser um famoso “hot take”. Tenho a certeza de que, quando era novo, adorava Mushu e todas as suas piadas. Também tem um enredo convincente da mesma forma que outras personagens. No entanto, ao assistir ao filme nos dias de hoje, só consigo ouvir Eddie Murphy a contar algumas piadas como se fosse uma rotina de standup. Quando ouço Mushu, não penso “Ah, é o Mushu”. Penso “ah, é o Eddie Murphy”. É um filme notavelmente sombrio e negro para combinar com o humor já conhecido da Disney, logo o equilíbrio do tom tem de ser perfeito para que a película funcione. Mushu pode trazer a leveza necessária com uma piada pequena aqui e ali, mas, no geral, é a principal razão pela qual, às vezes, o filme perde a noção de quando levar a história a sério e quando ser engraçado.

Resumindo, Mulan é um dos clássicos de animação mais culturalmente significativos no catálogo da Disney. Mesmo após duas décadas, esta história inspira todas as pessoas que decidam dar uma oportunidade a esta magnífica peça de cinema. A narrativa emocionalmente convincente encontra-se repleta de sequências de ação épicas elevadas por uma banda sonora memorável, que também ajuda a desenvolver personagens e a levar a história adiante. O arco da personagem que dá o título ao filme ainda ressoa com muitas pessoas hoje em dia: uma aventura em que Mulan se prova a si mesma e à família numa guerra contra Hunos e estereótipos. Com um elenco de voz fantástico, praticamente todas as personagens têm um enredo cativante com as suas próprias motivações.

Visualmente, tem um feel cinemático que nenhum outro filme de animação do estúdio respetivo contém, mas em termos de tom, o equilíbrio podia ser melhor. A guerra trágica, sombria e deprimente está presente durante todo o tempo de execução e, apesar de algum humor e leviandade serem definitivamente bem-vindos, algumas piadas destacam-se como desnecessárias, enquanto que Mushu de Eddie Murphy é demasiado brincalhão durante certos momentos. Tendo em mente o público-alvo, não faz sentido reclamar muito. É um pequeno pormenor negativo num filme fenomenal, que recomendo a todos os leitores para que possam também inspirar-se nele como tantas pessoas por todo o mundo.

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