Crítica – “O Rei Leão” (1994)

Mufasa (James Earl Jones), o Rei Leão, e a rainha Sarabi (Madge Sinclair) apresentam ao reino o herdeiro do trono, Simba (Matthew Broderick). O recém-nascido recebe a bênção do sábio babuíno Rafiki (Robert Guillaume), mas, ao crescer, é envolvido nas artimanhas de seu tio Scar (Jeremy Irons), o invejoso e maquiavélico irmão de Mufasa, que planeia livrar-se do sobrinho e herdar o trono.

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Em primeiro lugar, esta é (obviamente) uma crítica com SPOILERS. Afinal, quem é que ainda não viu este filme ou mostrou aos seus filhos/netos/sobrinhos? Se por circunstâncias extraordinárias são uma destas almas infelizes, parem. Passem a próxima hora e meia a assistir a esta obra-prima animada e voltem aqui. Detalhes importantes da história serão na mesma evitados, pois O Rei Leão tem tantos aspetos dignos de elogios que não há necessidade de entrar profundamente em spoilers. O Rei Leão é um dos meus filmes favoritos de sempre (animado ou não)!

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Na minha 312358ª visita, penso ter chorado mais do que quando era apenas uma criança. Este filme significa imenso para mim. A sensação nostálgica, mais as emoções esmagadoras, induzem lágrimas impossíveis de evitar, no meu caso, em quatro (!) cenas diferentes.

A sequência de abertura (“Circle of Life”) enche os olhos de lágrimas de nostalgia. O momento trágico de Mufasa, obviamente, destrói qualquer pessoa (uma das cenas emocionalmente mais poderosas da história do cinema). Ou quando Simba recebe o discurso, “Remember who you are”, de Mufasa nas nuvens, é incrivelmente inspirador e, assim, digno de alguns “soluços”. Finalmente, uma das últimas cenas, Simba sobe ao topo da Pride Rock com a banda sonora de Hans Zimmer em destaque, deixando-me absolutamente esgotado.

E gostava de abordar este último feito técnico: a banda sonora. É uma das caraterísticas técnicas mais cruciais de um filme, na minha opinião. Pode transformar uma cena “okay” em algo mágico ou terrível, dependendo do tipo de música. Consequentemente, pode fazer um filme “bom” transformar-se num “excelente”. Hans Zimmer é um dos melhores compositores de sempre. As suas bandas sonoras estão sempre carregadas com uma vibe épica.

Mesmo que o filme em si não seja tão bom, as suas músicas são capazes de elevá-lo de alguma forma. O Rei Leão é um dos seus scores mais memoráveis devido ao quão emocionalmente convincente é, mesmo nos momentos mais subtis.

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Durante a sequência da debandada, a banda sonora não oferece tempo para respirar. O seu ritmo rápido e a música continuamente em crescendo mantêm o espetador colado ao ecrã, esperando que a cena termine. Depois, quando Simba desce e se aproxima do seu pai, a música é tão subtil. Completamente oposta ao som anterior, impetuoso e grandioso. É essa nuance mais o impacto da cena em si que despoletam as lágrimas. Na última cena que mencionei acima, é unicamente a banda sonora que traz o choro e os arrepios. Se Simba subisse à Pride Rock sem som, seria apenas um bom final.

No entanto, a partir do momento exato em que a banda sonora começa, esta instantaneamente transforma esta sequência num final épico. A caminhada em slow-motion até ao topo, o score imersivo, o rugido de Simba… Bolas, já estou novamente a chorar!

A animação é uma das melhores da Disney. Não é por acaso que a Disney Renaissance Era (1989-1999), que foi o regresso à boa forma por parte do estúdio, tem a melhor qualidade de animação da sua história e uma coleção de filmes memoráveis que marcaram a infância de muitos. A sua expressividade e facilidade em fazer os animais mostrarem emoções elevam a história e as suas personagens. Não há necessidade de qualquer tipo de diálogo quando se pode ver como as personagens reagem e entender o que elas sentem. Os wide shots são deslumbrantes e dignos de serem papéis de parede de qualquer pessoa, ainda nos dias de hoje.

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As canções são notáveis e influenciaram uma geração inteira. “Can You Feel the Love Tonight”, “Circle of Life”, “Be Prepared”, “Hakuna Matata”… Cada uma é a favorita de alguém. O trabalho de voz é perfeito. James Earl Jones entrega um desempenho vocal tão impressionante que, quando se discute o maior papel da sua carreira, Darth Vader (Star Wars) não é a escolha óbvia. Jeremy Irons e sua voz rouca elevam Scar como a personagem maléfica.

Se fechar os olhos e apenas ouvir a voz de cada personagem, sem ter assistido ao filme anteriormente, facilmente identificam quem é o “mau da fita” e isso é inacreditavelmente bom. Todo o elenco é incrível, mas estas duas lendas são magníficas e merecem ser lembradas para sempre como as vozes destes papéis icónicos.

No final, os dois pilares de qualquer filme são sempre os que mais importam: história e personagens. O Rei Leão tem um argumento emocionalmente poderoso, um que ensina os seus espetadores a lidar com a perda de alguém querido, mas também como crescer e superar os seus medos mais terríveis. É verdade que a maioria das pessoas chora ao assistir a este filme, mas essas mesmas pessoas também estão cheias de alegria ao chegar ao fim, pois acompanharam a jornada de Simba. De ser um filhote imprudente e inocente até se tornar o rei de que todos precisam, além de deixar o seu pai extremamente orgulhoso.

Mesmo sendo um filme muito trágico, Timon (Nathan Lane) e Pumbaa (Ernie Sabella) são duas personagens hilariantes que vão trazendo alguma felicidade, proporcionando bastantes gargalhadas bem necessárias. O seu estilo de vida descontraído é algo que todos desejam, mas quando se tem responsabilidades, não se pode simplesmente esconder delas. Devemos aprender a tornar-nos em quem todos precisam que nós sejamos, sem perdermos a essência de quem somos.

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É uma obra-prima! Não importa se é um filme de animação. Não importa se foi “feito para crianças”. As pessoas precisam de parar de olhar para películas animadas como algo infantil que apenas miúdos podem assistir enquanto os pais podem ir fazer outra coisa. Se os pais assistissem a este tipo de filmes animados bastante inspiradores, talvez o mundo fosse um lugar melhor. O Rei Leão é um dos meus filmes favoritos de sempre e é inegavelmente um dos melhores filmes originais da Disney. Desde a animação deslumbrante à fantástica banda sonora, desde a história emocionalmente convincente à experiência de vida que Simba atravessa, desde os arrepiantes momentos chorosos às gargalhadas descontroladas…

O Rei Leão é simplesmente perfeito. Esperemos que o seu remake “live-action” mantenha a sua essência e entregue estes sentimentos mais uma vez.

Nota: 5 Estrelas

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