Mini-Críticas Cinema – Edição 2022

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Normalmente preparo este tipo de artigo perto do final de cada ano com mini-críticas que fui guardando de alguns filmes para os quais não tive tempo de escrever uma opinião mais extensa.

2022 será um bocado diferente, de forma a que consiga publicar as minhas críticas sobre todos os filmes que assistir durante este ano sem perder nenhum.

Sendo assim, este artigo contém as mesmas opiniões concisas que já leram em outros posts semelhantes. Pequenas críticas de alguns filmes aos quais não posso oferecer 800 palavras ou mais devido a situações externas que podem ocorrer na minha vida. Na maioria dos casos, estes serão filmes que não terão impacto na minha reflexão de fim de ano dos melhores/piores filmes que vi em 2022.

Esta secção será atualizada sempre que adicionar uma nova entrada, para que essas opiniões compactas possam ser vistas por todos a qualquer momento.

Glass Onion: A Knives Out Mystery

Glass Onion: A Knives Out Mystery nunca iria desiludir. Rian Johnson mantém a sua linha de humor inteligente e entretenimento constante ao longo de pouco mais de duas horas de mais um clássico whodunnit com tremendo valor de repetição. O mistério central possui inúmeras voltas e reviravoltas, quase sempre cativantes e divertidas.

Prestações excecionais de um elenco chocantemente talentoso – destaque para Daniel Craig e Janelle Monáe – elevam um argumento que peca ligeiramente por falta de profundidade nas personagens e na sua mensagem clara mas repetitiva em relação ao oportunismo, vaidade e hipocrisia humanas.

Original permanece supremo, mas esta sequela merecia estreia mundial no grande ecrã.

Nota: ★★★★

Emancipation

Emancipation tem imensas dificuldades em justificar a sua existência. O argumento demasiado performativo e superficial falha em elevar e distinguir a história única e verídica de “Whipped Peter” de todos os outros filmes genéricos que tratam a escravidão como um mero ponto de enredo para “mais uma” obra de ação/sobrevivência – certamente existe uma forma melhor de adaptar estas histórias?!

Cinematografia (Robert Richardson), elenco – principalmente Will Smith – e parte da direção de Antoine Fuqua fazem muito trabalho pesado, mas começa a ser cansativo e doloroso continuar a ver eventos destes a serem repetidamente usados para puro entretenimento Hollywoodesco.

Nota: ★★

The Guardians of the Galaxy Holiday Special

The Guardians of the Galaxy Holiday Special é a prova irrefutável de que James Gunn simplesmente não consegue falhar. Um especial de Natal rodeado de espiríto natalício e familiar, com um coração enorme e cheio do humor típico e eficiente do cineasta. O elenco principal possui uma química invejável e incrivelmente autêntica, sendo que Pom Klementieff destaca-se, desta vez, com uma prestação hilariantemente doce e emocional.

Nota ainda para os números musicais com letras bem divertidas e um Kevin Bacon a representar perfeitamente… Kevin Bacon.

Nota:★★

Bones and All

Bones and All possui prestações dedicadas e carregadas de química de Taylor Russell e Timothée Chalamet, contando uma história complexa e interpretativa sobre amor verdadeiro e o que realmente necessitamos para sobreviver. A banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross brilha e é a maior chance da obra em receber nomeações nos Óscares, tendo em conta a abordagem ao canibalismo – afeta em parte a conexão com as personagens – e aspetos de horror.

Um argumento provocativo de David Kajganich e uma realização sem restrições de Luca Guadagnino elevam um filme que merece ser visto – e sentido – no grande ecrã.

Nota: ★★★½

Spirited

Spirited aplica uma fórmula de Natal eficientemente. Aproveitando a química inegável e palpável entre Ryan Reynolds e Will Ferrell, juntamente com músicas natalícias repletas com o humor típico dos atores, Sean Anders entrega um musical divertido o suficiente para entreter o espetador comum. Nem todas as canções são bem-sucedidas nem o timing de entrada das mesmas é o mais acertado, sendo que a narrativa genérica não ajuda propriamente com o fator surpresa.

Fica a mensagem importante de que as pessoas podem, de facto, mudar para melhor.

Nota: ★★★

The Wonder

The Wonder demora a transformar a sua premissa misteriosa numa narrativa verdadeiramente cativante, mas as prestações de Florence Pugh e, principalmente, de Kíla Lord Cassidy – uma das performances mais impressionantes vindas de uma jovem de 13 anos – aguentam a obra nos momentos menos relevantes.

Enquanto estudo de personagem, o filme aborda os distintos processos de luto das protagonistas de forma gradualmente mais aprofundada com algumas surpresas reveladoras pelo caminho. O cineasta Sebastián Lelio aproveita a cinematografia atmosférica (Ari Wegner) e banda sonora contemplativa (Matthew Herbert) para elevar o ritmo lento, mas nem sempre com sucesso.

Para fãs de filmes de época, recomenda-se.

Nota: ★★★

Dear Zoe

Dear Zoe aborda o processo de luto com mensagens bonitas, mas para além de ser extremamente genérico, possui várias decisões criativas questionáveis que retiram impacto emocional à narrativa demasiado dependente da sua narração.

Típico filme que vale a pena assistir mais pelas prestações extraordinárias do elenco do que pelo argumento formulaico. Kweku Collins surpreende na sua estreia, Theo Rossi demonstra o seu alcance subvalorizado e Sadie Sink continua a provar o porquê de ser uma das atrizes mais fascinantes e talentosas da sua geração. Mereciam melhor.

Nota: ★★½

Wendell & Wild

Wendell & Wild conta uma história simples mas bonita sobre o processo de luto e como pessoas afetadas pelo mesmo possuem tanto ou mais potencial para mudar o futuro.

Não reinventa a roda narrativa, sendo um argumento próximo das fórmulas habituais, mas como fanático de animação stop-motion, a qualidade visual impressionante é mais do que suficiente para agarrar este espetador.

Apesar do tema central e das personagens não serem tão aprofundados como desejado, não deixa de ser uma visualização que considero obrigatória.

Nota: ★★★

The Good Nurse

The Good Nurse aproveita o elenco fenomenal ao seu dispor para elevar uma história real verdadeiramente chocante. Jessica Chastain e Eddie Redmayne brilham através de um argumento que segue um serial-killer mentalmente instável que conseguiu demonstrar a gritante falta de moral e desumanidade institucional de hospitais e administradores mais preocupados em protegerem-se a si próprios do que em salvar as vidas de centenas de pacientes.

O cúmulo da incompetência e ignorância humana com uma luz de bondade genuína ao fundo do túnel.

Nota: ★★★½

The Stranger

The Stranger inspira-se numa história verídica, mas os convencionalismos deste tipo de adaptações tornam a visualização previsível, demasiado lenta e com um valor de repetição baixíssimo.

Thomas M. Wright consegue inserir alguns planos visualmente interessantes, dependendo principalmente das prestações subtis e intimistas de Joel Edgerton e Sean Harris para carregar o enredo. No entanto, o suposto mistério peca por falta de intriga e de componentes emocionais que permitam a conexão com os espetadores, ficando a dúvida se a obra beneficiaria de um maior nível de criatividade, sem destoar da atmosfera realista que o cineasta emprega.

Recomendo apenas para fãs do subgénero.

Nota: ★★½

Werewolf by Night

Werewolf by Night demonstra pela enésima vez o talento imenso de Michael Giacchino, mas desta vez, para além de entregar uma excelente banda sonora, também brilha como realizador.

Desde a cinematografia a preto-e-branco deslumbrante à premissa de entretenimento imediato, o cineasta cria um estilo tão distinto que ninguém diria que esta é mais uma obra do MCU. Um mergulho no género de horror que homenageia décadas passadas e que surpreende com o nível de caraterização das personagens num curto espaço de tempo.

Nota ainda para as prestações soberbas.

Nota: ★★★½

Smile

Smile merece os elogios que tem recebido desde o seu lançamento. A primeira longa-metragem de Parker Finn contém níveis de suspense de fazer cortar a respiração, consequentemente criando sequências de jumpscare surpreendentemente eficazes. A produção sonora gera uma atmosfera imersiva pouco vista em filmes de horror, mas acaba por ser a narrativa emocional e guiada pela protagonista que verdadeiramente cativa os espetadores.

O impacto que traumas do passado podem ter em nós é excelentemente abordado por um argumento que falha de forma gritante em concluir a história no momento mais adequado e tematicamente correto – um dos finais mais prejudiciais do ano.

Independentemente disso, fica a recomendação.

Nota: ★★★½

Lou

Lou foca-se numa história de rapto admitidamente genérica, mas as performances incrivelmente cativantes de Allison Janney e Jurnee Smollett elevam tremendamente o argumento formulaico. Tendo em conta a falta de publicidade e o baixo orçamento, a cinematografia de Michael McDonough excede expetativas, proporcionando uma visualização muito mais interessante devido ao excelente controlo da câmara e do ambiente envolvente.

A montagem limpa ajuda com as poucas mas violentas sequências de luta num filme guiado pelas duas protagonistas e respetivos arcos. O terceiro ato arrisca ao “brincar” com a inteligência do público, mas não deixa de ser uma visualização decente.

Nota: ★★★

Pearl

Pearl pode ser uma prequela de X, mas Ti West faz deste slasher um estudo de personagem complexo incrivelmente representado – e co-escrito (!) – por Mia Goth.

A nova estrela do género de horror aprofunda a protagonista Pearl, explorando a vontade tremenda em concretizar o seu sonho de querer ser algo mais do que uma mera rapariga do campo, incluindo um monólogo hipnotizante de quase dez minutos ininterruptos, onde a emoção crua, insana e totalmente genuína da personagem sobressai de forma fascinante.

Apreciação extra para os efeitos práticos e o facto de praticamente todo o filme ser filmado durante a plena luz do dia. Sequências de gore tornam-se algo repetitivas e a narrativa não escapa à previsibilidade, sendo uma obra menos cativante que a antecessora.

Nota: ★★★½

Do Revenge

Do Revenge funciona melhor quando Camila Mendes e Maya Hawke estão no centro do ecrã, entregando prestações soberbas com uma sua química encantadora e interações divertidas. Uma sátira com vários (demasiados?) twists sobre os dramas escolares da adolescência – não ficava mal um maior cuidado com a escolha da faixa etária do elenco – que consegue atingir níveis de entretenimento surpreendentemente eficientes durante praticamente todo o tempo de execução.

Ainda assim, alguns exageros narrativos e a previsibilidade do argumento acabam por prender a obra às fórmulas do costume, apesar da estética colorida merecer bastantes elogios. Esforço bem sólido.”

Nota: ★★★

Ticket to Paradise

Ticket to Paradise oferece precisamente a fórmula que vende: uma comédia romântica espirituosa, leve e divertida que vale a pena assistir devido ao seu elenco excecional. George Clooney e Julia Roberts possuem uma das químicas mais envolventes e autênticas que testemunhei durante todo o ano. Kaitlyn Dever também merece a menção – uma das atrizes mais promissoras da atualidade. Ol Parker consegue criar uma visualização muito agradável, apesar do trailer carregado de spoilers.

Não inventa nem surpreende, mas funciona.

Nota: ★★★

Fall

Fall é uma das maiores surpresas do ano! A premissa automaticamente traz níveis de adrenalina, suspense e tensão altíssimos – especialmente para acrofóbicos – e Scott Mann consegue a mistura ideal de realismo com o absurdo. Não exagera ao ponto de provocar incontáveis “revirar de olhos”, nem é demasiado genérico e inconsequente, adicionando um twist narrativo bastante impactante perto do terceiro ato.

Grace Caroline Currey brilha ao lado de uma também competente Virginia Gardner, que possuem tempo suficiente para liderar uma história focada principalmente num só local e guiada pelas personagens. Pena o final frustrantemente abrupto que impede a obra de chegar ao patamar seguinte…

Nota: ★★★½

Three Thousand Years of Longing

Three Thousand Years of Longing é uma das obras mais ambiciosas do ano. Confiando nas prestações verdadeiramente cativantes e carregadas de química por parte de Idris Elba e Tilda Swinton, George Miller aborda um famoso conto cautelar através de uma forma distinta de storytelling, com um foco especial em flashbacks narrados pelo protagonista masculino.

As múltiplas histórias do passado nem sempre fascinam, sendo que o método narrativo escolhido acaba por se tornar repetitivo apesar de enriquecer alguns dos temas debatidos. Os visuais envolventes e atmosféricos elevam a peça geral com grande impacto, sendo esta uma experiência de cinema de deixar qualquer espetador a contemplar a vida, desejo, solidão e felicidade.

Nota: ★★★½

Where the Crawdads Sing

Where the Crawdads Sing é uma das maiores surpresas do ano – que o diga o resultado de bilheteira extraordinário. Uma história de sobrevivência – a vários níveis – que aborda traumas pesados, o poder da natureza, preconceitos, hipocrisia e muitos outros tópicos num argumento tematicamente rico.

Daisy Edgar-Jones termina o seu “breakthrough year” com mais uma prestação complexa que convence os espetadores a investirem na protagonista igualmente detalhada e aprofundada ao longo de um tempo de execução ligeiramente afetado por um pequeno período durante o segundo ato, onde perde algum momentum. Um bocado melodramático demais para o meu gosto e a revelação dos minutos finais será um elemento bastante controverso – pessoalmente, quase que arruina toda a obra.

Mesmo assim, fica a recomendação!

Nota: ★★★½

Beast

Beast é um filmes mais bonitos e agradáveis de se ver em todo o ano. A câmara movimenta-se ininterruptamente inúmeras vezes, mostrando todo o esplendor do safari Africano, para além de ajudar os espetadores a entrarem nas conversas das personagens de forma muito mais cativante.

A atmosfera imersiva carrega imenso suspense e tensão – as sequências com o leão chegam a ser bastante violentas – onde Idris Elba entrega uma das prestações mais emocionais da sua carreira. Segue a fórmula do costume em filmes de sobrevivência e, sim, é necessária alguma suspension of disbelief. Nota ainda para os efeitos visuais bem conseguidos.

Dificilmente sairão do cinema desiludidos.

Nota: ★★★½

I Came By

I Came By possui uma prestação assombrosa de Hugh Bonneville e um argumento com uma exploração interessante sobre classes económicas opostas. O tema “ricos vs pobres” é abordado através de interações convincentes, mas infelizmente, encontra-se rodeado por uma narrativa extremamente previsível que reduz bastante os níveis de suspense e mistério.

Os saltos temporais apenas servem como um elemento técnico confuso e os cortes constantes em momentos tensos tornam-se muito frustrantes. Os trailers são também incrivelmente enganadores, sendo que George McKay tem um tempo de ecrã surpreendentemente curto.

No geral, não impressionará espetadores mais conhecedores do género, mas não deixa de ser uma obra algo cativante.

Nota: ★★½

Spin Me Round

Spin Me Round é propositadamente estranho e extremamente absurdo, ultimamente ultrapassando por completo a tal linha ténue entre o “é tão ridículo que é divertido” e a irritação crescente com a quantidade de cringe presente no ecrã a cada minuto.

Apesar de excelentes prestações por parte da maioria do elenco – Alison Brie é excecional – o argumento previsível e frustrantemente incoerente peca por falta do valor cómico necessário para ser considerado “dumb fun”. Aubrey Plaza é criminalmente subtilizada – campanha de marketing é enganadora – tal como imensas linhas narrativas que são esquecidas, ignoradas ou sabotadas por péssima escrita.

Um dos piores filmes do ano.

Nota:

Day Shift

Day Shift é uma das surpresas mais agradáveis do ano! Como esperado, não reinventa a roda – argumento formulaico e personagens de “papel” – mas o cuidado e dedicação envolvidos na coreografia das stunts, o uso mínimo de CGI e o trabalho de câmara extraordinário (Toby Oliver) fazem desta obra repleta com ação – por vezes até demasiada – um dos dos filmes de vampiros com mais entretenimento da última década.

Jamie Foxx cumpre como o protagonista badass naquela que é a primeira longa-metragem de J. J. Perry – o ex-stuntman impressiona de tal maneira que facilmente poderá tornar-se um realizador bem reconhecido dentro do género de ação.

Não é, nem de perto, uma má forma de passar o fim‑de‑semana.

Nota: ★★★

Luck

Luck cumpre com os requisitos mínimos de possuir uma história leve com personagens simples e mensagens bonitas, mas está longe de ser uma obra inspiradora, imaginativa ou com um valor de entretenimento único.

O humor relacionado com o azar da protagonista dá azo a alguns momentos de gargalhada, mas mesmo estes são cliches repetidos inúmeras vezes ao longo da história do cinema. Estranhamente, a animação 3D não consegue oferecer expressividade e emoção às personagens, ficando limitada ao ambiente bonito que rodeia a narrativa.

A banda sonora tenta elevar o filme com tons e melodias sentimentais, mas infelizmente, não é suficiente para evitar a primeira desilusão animada do ano.

Nota: ★★½

Men

Men é, sem dúvida, uma das obras mais únicas, macabras, estranhas e expectavelmente divisivas do ano. A cinematografia de Rob Hardy é verdadeiramente impressionante, guiando os espetadores por detalhes visuais de arregalar os olhos com a ajuda de uma maquilhagem e VFX fascinantes. A banda sonora de Ben Salisbury e Geoff Barrow é também bastante atmosférica.

No entanto, Alex Garland repete exaustivamente a sua mensagem óbvia ao ponto de perder toda a ligação emocional com a protagonista subdesenvolvida. O último ato foca-se em demasia num gore excessivo e desconfortável para provar um ponto uma e outra vez desnecessariamente, funcionando como uma conclusão distrativa e desapontante.

Jessie Buckley – extraordinária – merece muito melhor, tal como o versátil Rory Kinnear – múltiplos papéis.

Nota: ★★½

Thirteen Lives

Thirteen Lives segue as fórmulas habituais de obras baseadas em eventos verídicos, mas a realização honesta e “anti-Hollywodesca” de Ron Howard permite contar uma das histórias de sobrevivência mais marcantes da última década de forma eficiente.

Todo o elenco é extraordinário, mas acabam por ser Viggo Mortensen e Colin Farrell a guiarem o filme por todos os pontos relevantes e claustrofóbicos numa visualização algo pesada em termos de duração. Interessante para espetadores com pouco ou nenhum conhecimento do sucedido, mas fica a dúvida sobre se acrescenta algo verdadeiramente importante ao documentário The Rescue sobre os mesmos 18 dias de sofrimento, ansiedade e incerteza.

Aplausos para o facto da língua Thai ter o tempo de ecrã que merece.

Nota: ★★★

Not Okay

Not Okay é uma obra, no mínimo, chocante, controversa e provocadora que todos os espetadores dentro do mundo digital devem assistir. Um estudo profundo sobre o pior das redes sociais, jornalismo clickbait, falsa vitalização e a procura incessante de fama.

O tom satírico-cómico nem sempre funciona e alguns tópicos muito interessantes mereciam uma exploração mais detalhada e desfechos mais claros, principalmente sobre a cancel culture. Mesmo assim, Zoey Deutch vende (e bem) o papel de protagonista desagradável, apesar de um final corajoso mas confuso na mensagem que deseja transmitir.

No entanto, o verdadeiro destaque é Mia Isaac que, com apenas 18 anos e uma longa-metragem no seu currículo antes deste filme, demonstra um talento insano e entrega uma das prestações mais emocionalmente poderosas do ano.

Nota para as escolhas de músicas relevantes para a narrativa.

Nota: ★★★½

The Gray Man

The Gray Man contém a ação energética, exagerada e explosiva dos Russo Brothers, algo que deverá entreter a vasta maioria da audiência ao longo do argumento admitidamente genérico e previsível. O excesso de movimento da câmara prejudica, por vezes, a fantástica coreografia de luta, mas nada que dure em demasia.

Independentemente dos aspetos técnicos valiosos, o sucesso do filme prende-se com as prestações soberbas de um elenco carregado de química. Ryan Gosling demonstra que sabe interpretar um protagonista de ação, Chris Evans diverte-se imenso a representar um mau da fita cheio de personalidade, Ana de Armas cativa como a sideckick badass, ao passo que Jessica Henwick é subutilizada – a atriz já fez por merecer muito mais.

Se for possível ver no cinema, merece o esforço.

Nota: ★★★½

Persuasion

Persuasion aparenta ser mais um daqueles casos típicos de adaptações de livros: quem estiver familiarizado com a fonte original, dificilmente gostará das mais ínfimas mudanças; quem não possuir conhecimento da obra original de Jane Austen, poderá conseguir desfrutar do filme por si só. Como alguém pertencente ao último grupo, terminei satisfeito.

Apesar de seguir todos os caminhos narrativos da forma mais previsível e clichê possível, a prestação fabulosa de Dakota Johnson e algumas interações com humor inesperado são suficientes para tornar a visualização em algo minimamente agradável.

Longe de ser inovador ou único, mas não deixa de servir de recomendação para fãs do género.

Nota: ★★★

The Sea Beast

The Sea Beast até pode seguir fórmulas narrativas conhecidas, mas Chris Williams não deixa de entregar um dos melhores filmes animados do ano. A qualidade de animação genuinamente impressionante destaca-se dos restantes elementos técnicos, especialmente considerando que praticamente todas as cenas incluem água.

Acompanhadas por uma banda sonora aventurosamente épica, as personagens recebem arcos eficientes e instigantes, transmitindo lições de vida essenciais sobre saber compreender outras perspetivas e aceitar sem vergonha mudanças de opinião pessoal, para além da premissa evidente de não julgar um livro pela capa. Excelente trabalho de voz por parte de todo o elenco, nomeadamente Zaris-Angel Hator. A ação envolvendo monstros guarda imenso entretenimento para todo o tipo de público.

Nada como ver esta obra com a família.

Nota: ★★★½

The Man From Toronto

The Man From Toronto é o exemplo perfeito de um filme de fim-de-semana inofensivamente genérico. Abracem a história descaradamente ilógica. Tentem desfrutar dos momentos de “diversão parva” espalhados por todo o tempo de execução – podia ser mais curto. Aceitem os efeitos visuais hilariamente pobres. Finalmente, fiquem para os papéis typecast de Kevin Hart e Woody Harrelson, que devem ser suficientes para entreter a maioria dos espetadores.

Encontra-se (muito) longe de ser um bom filme, mas se são daqueles espetadores que conseguem tolerar narrativas propositadamente idiotas, surreais e sem sentido por puro entretenimento, este projeto da Netflix passa o tempo.

Nota: ★★½

Marcel the Shell with Shoes On

Marcel the Shell with Shoes On transportou-me de volta para os tempos preciosos que partilhei com o meu já falecido avô. Uma história extraordinariamente criativa e comovente, rodeada por um humor incrivelmente genuíno e repleta com mensagens importantes e memoráveis sobre família, amizade, vida e amor. Temas complexos analisados através do olho fascinantemente simplista de uma pequena concha.

Duração eficientemente curta para levar os espetadores por uma experiência contemplativa mas também bastante espirituosa. Um dos melhores filmes do ano!

Nota: ★★★★

Elvis

Elvis contém uma prestação gloriosa, eletrizante e icónica de Austin Butler que merecidamente lhe garantirá todos os prémios do ano. Infelizmente, o ator não é suficiente para superar os vários problemas técnicos, para além do enorme erro de casting de Tom Hanks e a narrativa formulaica de uma biopic musical.

O estilo de Baz Luhrmann teoricamente encaixa-se na aura vibrante do cantor lendário e a intenção/visão do cineasta é clara. No entanto, a montagem frenética e agitada mais os movimentos de câmara irrequietos geram uma ambiente trapalhão, confuso e indutor de dor de cabeça, em vez de serem elementos que elevam a obra geral. O tempo de execução desnecessariamente pesado não ajuda.

Esperava ser surpreendido, mas admito não ser o maior fã de Elvis/Luhrmann.

Nota: ★★½

The Northman

The Northman possui uma banda sonora brutal digna dos maiores blockbusters, elevando tremendamente uma jornada de vingança recheada de mitologia nórdica e sequências de um take impressionantes. O típico slow-burn pesado que aborrecerá muitas audiências à espera de um festival de ação – é, de facto, demasiado longo e com poucos eventos – mas mantém-se como uma visualização obrigatória de 2022.

Um forte candidato a melhor cinematografia (Jarin Blaschke) do ano. Robert Eggers continua no caminho certo para se tornar um cineasta de renome. Alexander Skarsgård transforma-se totalmente num dos melhores papéis da sua carreira.

Altamente recomendado!

Nota: ★★★½

The Bad Guys

The Bad Guys é das visualizações mais leves, agradáveis e genuinamente positivas do ano. Com uma clara distinção entre o ser “bom” e o “mau”, estereótipos e preconceitos são brilhantemente abordados numa doce história de redenção que não tenta reinventar a roda.

O elenco de voz é excecional, elevando de forma bem impactante uma obra abertamente formulaica. Apesar de estar mais inclinado para o público infantil, os níveis de entretenimento são suficientemente altos para qualquer geração etária. A mistura de animação 2D e 3D funciona na perfeição, oferecendo um visual diferente do que tem vindo a ser costume.

No fim, é mais uma recomendação para famílias.

Nota: ★★★½

All the Old Knives

All the Old Knives possui um elenco extraordinário e uma premissa interessante, mas a execução pouco inspirada acaba por tornar um filme com imenso potencial em mais uma obra genérica sem grande valor de repetição. Chris Pine e Thandiwe Newton brilham como protagonistas e a sua química estonteante transforma um simples jantar na narrativa mais cativante de todo o filme.

No entanto, as constantes trocas entre diferentes linhas temporais e perspetivas distintas retiram energia, ritmo e foco ao bom argumento de Olen Steinhauer. Para além disto, Laurence Fishburne e Jonathan Pryce são extremamente mal aproveitados.

Longe de ser uma obra não recomendada, mas deixa um sabor algo amargo.

Nota: ★★½

Ambulance

Ambulance é um dos filmes de ação mais frenéticos e literalmente non-stop da carreira inteira de Michael Bay – o que é capaz de ser algo chocante. O elenco é excecional – curiosamente, é Eiza González que mais se destaca – e as suas interações são bem mais hilariantes daquilo que antecipava.

A montagem super rápida e a câmara irrequieta chegam a ser extremamente frustrantes, principalmente fora das sequências de ação, mas por outro lado aumentam a energia imparável de um autêntico blockbuster.

Se é absurdamente ridículo? Sem dúvida. Do mais “parvo” que se pode esperar. Mas lá que entrega o entretenimento prometido…

Nota: ★★★

X

X presta homenagem aos slashers clássicos dos anos 70/80, abordando simultaneamente temas importantes relacionados com prazer/liberdade sexual, idade e auto-aceitação, num argumento mais profundo e inteligente do que aparenta.

Ti West (In a Valley of Violence) regressa ao cinema seis anos após a sua última longa-metragem com uma visão clara sobre uma história que mistura pornografia sem restrições com gore do mais puro que se pode encontrar no grande ecrã, tudo englobado numa narrativa constantemente cativante e um terceiro ato insano. Mia Goth (Emma) brilha tremendamente com um papel duplo impercetível que transforma uma obra tecnicamente interessante em algo verdadeiramente impressionante – maquilhagem, efeitos visuais/práticos e banda sonora merecem inúmeros elogios.

Tão hilariante como assustador, será um filme difícil de esquecer, independentemente de onde o espetador caia no espetro de opinião.

Nota: ★★★★

The Adam Project

The Adam Project é o típico “blockbuster de streaming”, mas um que consegue adicionar alguma caraterização e emoção genuína ao seu entretenimento desmedido. Ryan Reynolds oferece uma prestação equilibrada – finalmente interpreta um papel não-caricatural da sua própria figura – e Shawn Levy encaminha a história pelo de sequências de ação enérgeticas e de ritmo acelerado. Tanto se brinca com os clichês de filmes que mexem com viagens no tempo como se tira vantagem dos mesmos.

No fim, é diversão inofensiva e tonta com um toque de sci-fi que qualquer espetador pode desfrutar.

Nota: ★★★

Marry Me

Marry Me não traz nada de impressionantemente único ao género respetivo, mas os atores principais, a caraterização convincente e as músicas originais excelentes contribuem para entretenimento genuíno.

Owen Wilson (Loki) e Jennifer Lopez (Hustlers) possuem uma química surpreendente, para além de entregarem duas prestações absolutamente fantásticas, constantemente puxando os espetadores de volta para o ecrã quando a narrativa se torna algo repetitiva e genérica. John Bradley (Game of Thrones) e Sarah Silverman (Ralph Breaks the Internet) também ajudam com o ambiente leve e divertido do filme.

O balanço entre a vida de um famoso e o “cidadão comum” é muito bem trabalhado, sendo que a visão do quanto a fama é limitativa de uma vida normal é a componente narrativa mais interessante da história. Para fãs de rom-coms, recomenda-se vivamente.

Nota: ★★★½

KIMI

KIMI traz consigo o potencial narrativo e cinematografia impactante que obras de Steven Soderbergh (No Sudden Move) possuem sempre, mas nem a prestação soberba de Zoë Kravitz (The Batman) esconde alguns problemas com os temas desenvolvidos. Tecnologicamente, a proximidade deste mundo com o nosso chega a ser assustadoramente realista, mas as abordagens à agorafobia e invasão de privacidade nem sempre são bem sucedidas.

O arco da protagonista foca-se na capacidade de ultrapassar um trauma passado, algo que é maioritariamente bem conseguido, mas a conclusão abrupta de toda a história não só desvaloriza e simplifica PTSD, como levanta inúmeras questões lógicas relativamente ao enredo, para além de outras tantas morais no que toca ao stalking.

Provavelmente, criará alguma divisão no público comum.

Nota: ★★½

Moonfall

Moonfall é tão insanamente ilógico quanto se esperava/pretendia, mas é a falta de momentos carregados de entretenimento durante a maior parte do tempo de execução que derruba o filme. O balanço entre as diferentes e simultâneas sequências de ação sofre muito devido às personagens subdesenvolvidas e desprovidas de qualquer interesse, sendo que o trabalho de montagem incoerente e confuso não ajuda.

Os chamados “disaster flicks” pedem sempre uma certa quantidade de “suspension of disbelief“, mas Roland Emmerich realmente abusa dos níveis de absurdidade ao co-escrever um dos argumentos mais cientificamente ridículos da história do cinema – as revelações do terceiro ato deixam qualquer um boquiaberto.

Um desastre surpreendentemente entediante em todos os aspetos, seja em relação à história, ação ou até as próprias prestações.

Nota:

The King’s Daughter

The King’s Daughter é tudo aquilo que os espetadores esperavam: uma história formulaica e desinteressante, repleta com clichés antiquados e uns efeitos visuais de fazer arrepiar a espinha. Nenhum cineasta e respetiva equipa criativa merecem ficar com a sua obra presa num limbo de sete anos até ser lançada, muito menos devido a problemas de calendário e orçamento.

No entanto, apesar de se perdoarem os efeitos visuais horrorosos, a narrativa desapontante não tem salvação, nem as prestações do seu elenco. Pierce Brosnan (False Positive) parece representar uma caricatura, ao passo que Kaya Scodelario (Crawl) beneficiou com o atraso no lançamento que, assim, não afetou negativamente o seu início de carreira.

O único ponto positivo é que, de facto, saiu para o grande ecrã. Pena não valer tanto a pena.

Nota:

The 355

The 355 possui excelentes prestações por parte de todas as envolvidas – principalmente Jessica Chastain (It: Chapter Two) e Lupita Nyong’o (Us). No entanto, o argumento genérico, diálogos pouco trabalhados e personagens pouco ou nada desenvolvidas tornam uma obra com bastante potencial em mais uma desilusão de Simon Kinberg (The New Mutants).

As sequências de ação até contêm coreografias interessantes, mas o uso de cortes rápidos e shaky-cam nem sempre contribuem de forma positiva. A narrativa encontra-se carregada com as fórmulas do costume do género em questão e algumas tentativas de abordar o tema do feminismo eficientemente saem ao lado.

Pessoalmente, salva-se pelo facto de praticamente ter sido todo filmado em locais reais, ajudando com os níveis de entretenimento.

Nota: ★★½

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