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Crítica – The New Mutants

Apesar de todos os problemas de produção, The New Mutants acaba por ser um filme bastante decente, muito devido ao talentoso elenco.

Sinopse:Rahne Sinclair (Maisie Williams), Illyana Rasputin (Anya Taylor-Joy), Sam Guthrie (Charlie Heaton) e Roberto da Costa (Henry Zaga) são quatro jovens mutantes que estão a ser mantidos num hospital isolado para acompanhamento psiquiátrico. Dr. Cecilia Reyes (Alice Braga), acreditando que os adolescentes são um perigo tanto para si mesmos como para a sociedade, mantém-se de olho neles enquanto tenta ensiná-los a controlar as suas habilidades mutantes. Quando uma nova paciente, Danielle “Dani” Moonstar (Blu Hunt), se junta aos restantes na instalação, eventos estranhos começam a acontecer.”

Ainda não acredito que estou a escrever uma crítica para The New Mutants… O último filme da saga X-Men, antes desta ser introduzida na MCU, tornou-se um dos filmes mais adiados da história, mas foi finalmente lançado esta semana.

Filmado em 2017 com uma data de lançamento original para abril de 2018, Josh Boone tinha reshoots planeados, o que atrasou o filme pela primeira vez. Entretanto, a Disney iniciou negociações para se fundir com a 20th Century Fox (agora 20th Century Studios), algo que, consequentemente, que deixou o projeto num estado de limbo. E mais recentemente surgiu a pandemia global de COVID-19, empurrando o filme para uma data ainda mais longínqua. Resultado final: um lançamento mundial limitado três anos após a conclusão das filmagens e sem qualquer reshoot. Como tal, obviamente, as minhas expetativas eram muito baixas…

Surpresa, surpresa, The New Mutants não é uma trapalhada horrível, mas sim… mediano! Tenho mesmo pena por tantas pessoas terem trabalhado neste filme e terem que esperar tanto tempo para que ficasse disponível para toda a gente. Adoro como está longe de ser apenas mais um filme genérico e formulaico de super-heróis. Sim, tem dezenas de clichês e ainda parece um filme “à la” X-Men em determinados momentos, mas hei-de lá chegar.

Aprecio genuinamente que Boone e Knate Lee tenham escrito uma narrativa repleta com desenvolvimento de personagem significativo e detalhado, incluindo um arco romântico convincente. Todos os jovens mutantes têm a sua própria história explicada no centro do ecrã. E sempre que o filme mergulha no passado de uma personagem, tal nunca parece um mero subplot irrelevante. Tudo tem o seu propósito.

A equipa técnica teve um orçamento muito baixo em comparação com outros filmes do género, logo sinto-me na obrigação de os elogiar por transformarem um filme pequeno filmado num só local em algo surpreendentemente entretido. Os efeitos visuais não têm a qualidade que os espetadores estão acostumados a ver agora, mas são razoavelmente bons na maioria das vezes. A atmosfera de horror está, sem dúvida alguma, presente, mas parece que o filme podia ter beneficiado de uma abordagem mais assertiva e ousada nestas sequências de “pesadelos”. O melhor aspeto de todo o filme está relacionado com o elenco indiscutivelmente talentoso, com apenas uma exceção…

Desde o comportamento rebelde de Anya-Taylor Joy à prestação experiente de Charlie Heaton, passando pela performance emocional de Maisie Williams e pelos one-liners engraçados de Henry Zaga, todos estes atores provam que foram escolhidos para uma franchise tão popular por terem muito talento. Apesar dos sotaques ridiculamente defeituosos, todos partilham uma química excelente entre si, incluindo a estreante Blu Hunt. No entanto, esta última não é uma protagonista convincente devido à sua inexperiência. Não quero ser demasiado duro com Hunt, até porque reparei em alguns bons momentos enquanto ela dividia o ecrã com os seus colegas. Apesar disso, muitas das cenas em que atua sozinha ou contra um ecrã verde atinge níveis cringe-worthy de mau acting.

Boone e/ou a equipa de casting também devem assumir a responsabilidade ao escolhê-la como personagem principal, mas, honestamente, nem é a atriz o meu problema principal. Esse está diretamente ligado à própria personagem. Apesar de ter o mesmo foco que os colegas mutantes têm quando se aborda o passado de cada um, Moonstar nunca tem de lidar realmente com as consequências dos seus poderes. Alguns mutantes magoaram ou mataram pessoas e estão inquestionavelmente afetados por causa disso. Moonstar não tem um único momento em que sente pena do que aconteceu no seu passado ou onde é confrontada com o mesmo. É muito difícil relacionar-me com uma protagonista quando tanto a personagem como a atriz que a interpreta revelam falta de uma personalidade cativante.

Finalmente, Alice Braga, como a médica do hospital, é provavelmente o componente mais formulaico do filme. Basta testemunhar a primeira conversa que tem com os mutantes para qualquer espetador prever facilmente como a história se vai desenrolar. Braga entrega uma boa prestação como Dr. Cecilia Reyes, mas, estranhamente, as motivações de Reyes e o que está para além do hospital levantam questões intrigantes que, infelizmente, nunca são respondidas. Talvez os supostos reshoots resolvessem alguns destes problemas, talvez acrescentassem mais. Impossível saber, mas o que sei com certeza é que The New Mutants está longe de ser uma obra horrível.

No fim, Josh Boone e Knate Lee entregam um argumento razoavelmente divertido fora da zona genérica do género de super-heróis, repleto com desenvolvimento detalhado de personagens e sequências de horror bastante decentes, especialmente tendo em conta o orçamento algo reduzido. The New Mutants apresenta um elenco maravilhoso, onde todos partilham uma química tremenda uns com os outros.

Todos os atores têm prestações excelentes, exceto a estreante Blu Hunt, que infelizmente deixa a sua inexperiência superar o seu evidente potencial. Contrastando com o tratamento geral das personagens, Dani Moonstar não consegue ser uma protagonista convincente, visto que mal teve que lidar com as consequências emocionais dos seus poderes, tal como os outros jovens mutantes fizeram. Apesar da visão refrescante ao nível da história geral, esta continua a possuir alguns clichês e elementos formulaicos ao longo do filme, sendo que a maioria estão relacionados com o hospital.

No seu todo, é surpreendentemente decente considerando os ínumeros problemas de produção. Recomendo nem que seja para apenas dizer adeus ao último filme da saga X-Men pré-MCU.

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