Crítica – Loki

Loki é mais uma adição extraordinária ao MCU, entregando um estudo profundo da personagem epónima enquanto apresenta o início do Multiverso aos fãs.

- Publicidade -

Sinopse: “Loki (Tom Hiddleston), God of Mischief, sai da sombra do seu irmão para embarcar numa aventura que acontece após os eventos de Avengers: Endgame.”

Criar (com sucesso) um universo cinematográfico, franquia, saga – como preferirem – é uma tarefa tremendamente desafiadora, mas atualmente começa a tornar-se algo cada vez mais comum, especialmente no reino do cinema. No entanto, trazer a televisão para a mesma narrativa geral titânica é impensável e, se feito antes, certamente não foi tão universalmente aclamado quanto ao incrivelmente popular MCU. Depois de WandaVision superar todas as expectativas ao tornar-se numa das melhores séries do ano e de The Falcon and The Winter Soldier ressoar com a maioria dos espectadores, apesar da queda em qualidade, Loki era, claro, muito aguardado pelos fãs.

Vou manter revelações, plot twists e momentos importantes guardados, logo não se preocupem. Esta análise aborda toda a temporada sem revelar nomes de personagens, tendo o primeiro trailer oficial como base para o que era conhecido antes do primeiro episódio. No entanto, mencionarei os atores listados como parte do elenco à data de lançamento do episódio piloto, mesmo que só tenham aparecido mais tarde – repito, as personagens permanecerão anónimas. Dito isto, Loki é mais uma adição notável ao universo em expansão exponencial da Marvel.

Loki

Michael Waldron (HarmonQuest) e Kate Herron (Sex Education) trazem uma equipa excecional de argumentistas que tiveram o trabalho monumental de apresentar a Time Variance Authority (TVA), uma organização que muda drasticamente como o tempo e o espaço funcionam no MCU para sempre. Desde a caraterização aprofundada da TVA aos inúmeros mistérios presentes nesta primeira temporada, Loki contém uma estrutura narrativa eficaz que permite que todos os episódios terminem com perguntas intrigantes sem resposta, o que deixava muitos espectadores ansiosos pela semana seguinte.

Com tantas séries a lançarem temporadas inteiras num único dia, sinto-me agradecido quando uma série de TV reconhece que um lançamento semanal pode ser melhor para o mesmo. Com o Multiverso ao virar da esquina, Loki obviamente segue o mesmo caminho que todos os filmes e séries do MCU seguirão até (provavelmente) Doctor Strange and the Multiverse of Madness. Se WandaVision e TFATWS impactam principalmente as personagens, Loki muda, sem dúvida, a perspetiva do público sobre o universo, montando a base para a Phase Four de forma brilhante.

No entanto, esta temporada também possui um estudo profundo de Loki enquanto personagem. O episódio piloto realiza um trabalho notável em relembrar a audiência que esta versão de Loki ainda é a que quer governar a Terra e destruir os Avengers, visto que origina de 2012. Com a ajuda de Mobius (Owen Wilson) e mais umas personagens retratadas por, por exemplo, Sophia Di Martino (Yesterday) e Richard E. Grant (Star Wars: The Rise of Skywalker), Tom Hiddleston (Avengers: Infinity War) navega pelos sentimentos complexos de Loki sobre si mesmo. Desde o seu suposto “glorious purpose” às suas “ilusões”, a exploração da personagem é fascinante.

Hiddleston oferece uma prestação fenomenal, não dando a ninguém a hipótese de se destacar acima dele. Regressando ao papel mais icónico da sua carreira, o ator demonstra todo o seu imenso talento, alternando perfeitamente entre o “mau” Loki de 2012 e o Asgardian orgulhoso, Odinson dos últimos capítulos do MCU. As suas interações com Owen Wilson são algumas das conversas mais cativantes entre duas personagens do MCU de sempre, debatendo temas complexos e sensíveis como fé, destino e o que torna uma pessoa verdadeiramente boa ou má?

Loki

Wilson encaixa-se perfeitamente na saga da Marvel, assim como todos os outros atores da série. Mobius torna-se uma personagem adorada por muitos com uma história pessoal mais profunda do que um simples funcionário da TVA. Sophia Di Martino possui um tempo de ecrã significativo e, com isso, um enredo impactante partilhado com Loki, o qual tenho que admitir que não me convenceu totalmente. Apesar da sua personagem ser extremamente interessante do primeiro ao último segundo no ecrã, é quando as motivações de Loki se alinham com a sua linha narrativa individual que o argumento geral sofre de problemas de ritmo e desequilíbrio tonal, incluindo um terceiro episódio irrelevante.

Gugu Mbatha-Raw (Motherless Brooklyn) interpreta uma juíza misteriosa da TVA que contribui mais para exposição do que para um subplot realmente empolgante, embora a sua amizade com Mobius tenha alguns bons momentos. À medida que a temporada se aproxima do seu finale, um certo grupo de personagens aparece, gerando tanto sequências fantásticas como alguns problemas. Este grupo oferece a ação e entretenimento obrigatórios nos episódios finais, mas o seu potencial é tão especial que não ficaria chocado por ver um spin-off anunciado do nada. No entanto, o seu tempo de ecrã é tão curto que o finale “sabe a pouco”, apesar do seu enorme impacto no MCU.

Seguindo a mesma linha de pensamento, esta série é, sem dúvida, a mais relevante até agora, especialmente no que diz respeito a como as próximas Phases serão desenvolvidas. O episódio final abre as portas a um novo vilão ao nível de Thanos, mas as últimas revelações um tanto ambíguas deixam uma sensação de incerteza que não esperava. A menos que o espectador seja leitor da banda desenhada, os minutos finais podem ser parcialmente dececionantes, mas nunca ao ponto de estragar nada que a série tenha construído até este momento. Muito pelo contrário.

Tecnicamente, a banda sonora de Natalie Holt é um daqueles elementos únicos que elevam tremendamente qualquer filme ou série. A música instrumental viciante é essencial para estabelecer o mood geral, controlando lindamente a atmosfera em cada episódio. Loki também é a série que apresenta a produção artística mais visualmente deslumbrante (Kasra Farahani), bem como os melhores efeitos especiais, embora não necessitasse de alguns usos pesados de CGI. Finalmente, a cinematografia de Autumn Durald Arkapaw envolve a série num ambiente negro e misterioso que se adapta perfeitamente à história geral.

Loki é mais uma adição extraordinária ao MCU, entregando um estudo profundo da personagem epónima enquanto apresenta o início do Multiverse aos fãs. Os argumentistas fazem um trabalho fenomenal, construindo a TVA e desenvolvendo o seu conceito de tempo detalhado que impacta tremendamente o universo sem depender em demasia de exposição.. Desde a produção artística digna de muitos prémios à banda sonora memorável e viciante, todos os aspetos técnicos roçam a perfeição.

No entanto, são as prestações que conduzem a série, principalmente Tom Hiddleston como o vilão icónico, mas Owen Wilson, Sophia Di Martino e um par de outros atores também brilham. Opinião divisiva sobre o episódio final que pode ser um pouco desapontante para não-leitores da banda desenhada e também sobre um enredo pouco convincente envolvendo Hiddleston e Di Martino.

Ainda assim, é a série mais importante do MCU até agora, logo não convém perdê-la!

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

Crítica – The Falcon and The Winter Soldier

The Falcon e The Winter Soldier é, definitivamente, uma série menos entusiasmante e mais lenta, mas também mais “aterrada”, que o seu antecessor mágico. Porém, cumpre a missão principal de aproximar ainda mais o público de Sam e Bucky.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Já repararam nos novos talões do Lidl? São mais ecológicos

Agora é esperar que a concorrência faça o mesmo.

Burger King abre novo restaurante em Sesimbra

É o 12º spot da marca no distrito de Setúbal e o segundo em Sesimbra.

Vai ser possível visitar os novos trabalhos arqueológicos em Troia ainda em setembro

Mas atenção: é num dia específico e os lugares são limitados.