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Crítica – Guns Akimbo

Daniel Radcliffe vestido com um roupão e com armas presas às suas mãos. Estes são apenas alguns dos ingredientes que tornam Guns Akimbo o filme mais louco de 2020 até à data.

A vida de Miles (Daniel Radcliffe) fica virada do avesso quando ele se vê inscrito num site da dark web que obriga estranhos a lutar até à morte, num jogo por toda a cidade que é transmitido ao vivo para o público fanático de todo o mundo… Depois de enfrentar uma máquina mortífera aparentemente imparável chamada de Nix (Samara Weaving), Miles consegue evitar mais conflitos. Mas quando a sua ex-namorada é sequestrada, ele vai ter de superar todos os seus medos e parar de fugir.

Como se torna cada vez mais comum hoje em dia, tenho que começar esta crítica deixando claro que nenhuma controvérsia criada à volta de Guns Akimbo afetou a minha opinião. Sinto-me um pouco exausto sobre o facto de quase todos os filmes terem algum tipo de problema externo, totalmente não relacionado com a sua história ou personagens. Podem assistir ao que quiserem, ninguém vai obrigar ninguém a assistir a este ou àquele filme. Desde que não criem uma opinião propositadamente negativa com base em algo que está desprovido de qualquer ligação com o filme em si, sinto-me indiferente se as pessoas decidirem não ver. Dito isto…

Desfrutei imenso de Guns Akimbo! Como é que alguém não se sente entretido por um Daniel Radcliffe vestido com um roupão e com armas presas às suas mãos? Ou por uma Samara Weaving a subir um patamar no que toca à loucura em comparação com Ready or Not? Não há como negar que este filme é extremamente violento, sangrento e que não se esconde do seu comentário social. Este último não só é evidente como, sem quaisquer dúvidas, demonstra algo que todos sabemos que é bem verdade: os trolls da Internet são a pior espécie que podemos encontrar online.

Honestamente, gostava que Jason Lei Howden tivesse ido ainda mais longe. Existe muito potencial num filme como este e, embora seja seguramente acima da média, podia facilmente ter chegado ao topo dos filmes com mais entretenimento dos últimos anos. Ainda assim, adoro esta abordagem a um assunto que, infelizmente, toda a gente (incluíndo críticos de cinema online), tem que lidar com todos os dias. Uma parte de mim deseja que este conceito fosse real… Sempre que um “alerta troll” fosse ativado, essa pessoa teria que deixar o seu sofá confortável e seguro e lutar na vida real contra outros cobardes online ATÉ À MORTE… okay, talvez não tão extremo, mas entendem o meu ponto.

A ação é tão louca quanto o próprio conceito. Não que seja uma surpresa para os leitores, mas, obviamente, este é um daqueles filmes que pede ao espetador para simplesmente aceitar e desfrutar da ação irrealista, rebuscada, “impossível esta personagem ter sobrevivido a isto”. O trabalho de câmara (cinematografia de Stefan Ciupek) adequa-se ao estilo de videojogo empregue pela ação e, apesar de algumas sequências serem admitidamente demasiado exageradas, a maioria destas são entretenimento puro ou genuinamente hilariantes. Ah, e Michael Bay, se estiver a ler isto: Guns Akimbo oferece um demo porreiro sobre como fazer explosões parecerem espetaculares E avançarem a narrativa ao mesmo tempo.

Os dois atores principais são fantásticos e partilham uma grande química. Daniel Radcliffe tem feito alguns trabalhos pós-Harry Potter que passam despercebidos ou subvalorizados (vejam Swiss Army Man, por favor) e, aqui, consegue ser muito engraçado durante todo o tempo de execução. Do lado oposto, Samara Weaving parece ter encontrado a sua zona de conforto ao interpretar psicopatas completamente lunáticas e malucas. Ambos entregam prestações incrivelmente divertidas, carregando o filme inteiro através de toda a sua ação insana e momentos cómicos.

Jason Lei Howden não é capaz de controlar o ritmo do filme muito bem, mas nunca se torna overwhelming. No entanto, o tom é perfeito. Guns Akimbo nunca tenta ser algo mais do que o que realmente é. Mantém a narrativa simples e repleta de entretenimento, sem camadas complexas ou esforços românticos extremos. Nunca diz para o espetador: “sei que a ação é absurdamente exagerada, mas aqui está uma cena emocional com a qual se devem importar”. É um filme guiado por entretenimento sem ênfase sério no desenvolvimento de personagens e não há absolutamente nada de errado com isso.

Guns Akimbo é o filme mais louco de 2020 até à data. Jason Lei Howden não se contém com a ação brutal, violenta, sangrenta e extremamente exagerada. Desde que o espetador seja capaz de aceitar esta representação propositadamente irrealista de um death match na vida real, é uma explosão de entretenimento puro.

A mensagem social é clara e é perfeitamente adequada aos trolls online de hoje em dia, pessoas que se escondem atrás do seu monitor. Daniel Radcliffe e Samara Weaving são impecáveis juntos, oferecendo prestações hilariantes. Infelizmente, este filme não atinge todo o seu potencial. Não existe controlo do seu ritmo, mas o que mais desejava é que Howden não tivesse quaisquer restrições em relação ao tema social que aborda. É um filme bom e divertido, mas poderia ter sido incrível.

Independentemente disso, é, sem dúvida alguma, uma recomendação da minha parte, a menos que a polémica (ridícula) em torno deste filme afete a vossa opinião. Neste caso, deixem o filme para outros desfrutarem.

Guns Akimbo poderá ser visto em breve nos videoclubes digitais.

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