Análise – Dragon Ball Z: Kakarot

Dragon Ball. Aquele que é um dos animes mais icónicos de todos os tempos (em muito devemos agradecer a Akira Toriyama) e que foi dobrado em português de Portugal (e com sucesso, diga-se), acaba de receber um novo jogo que promete ser a derradeira experiência da série até à data. Após dezenas e dezenas de títulos, e algum tempo depois de Dragon Ball FighterZ, eis que nos chega um título completamente diferente, mas que foi feito a pensar claramente nos fãs. Dragon Ball Z: Kakarot é esse jogo, ainda que tenha algumas falhas pelo caminho.

Se FighterZ nos apresentava o típico jogo de luta Beat ‘em up, Dragon Ball Z: Karakot coloca-se num patamar completamente diferente, apresentando-nos um RPG que nos faz sentir na pele das personagens do conhecido anime. Temos aqui um jogo de exploração que nos permite (re)viver toda a história da saga Z, desde a chegada de Raditz, irmão de Goku, ao planeta Terra, como à ameaça de Majin Buu.

Dragon Ball Z: Kakarot foi feito pelo estúdio CyberConnect2 e, apesar de reproduzir fielmente em jogo aquilo que acontece na série, existem vários detalhes que ficaram de fora, missões secundárias que não acrescentam nada, minijogos demasiado simples e inimigos espalhados pelo mundo de jogo que acabam por ser bastante genéricos e, até, demasiado inconvenientes. Ou seja, apesar de este ser o jogo Dragon Ball mais rico em conteúdo até à data, nem tudo é perfeito. Longe disso.

O jogo começa e termina tal e qual como todos sabemos. Afinal de contas, trata-se de uma reprodução “fiel” ao que aconteceu na série, pelo que podemos contar com cerca de 40 horas para a história principal. Já as side quests fazem com que, esse número, suba para perto de 100 horas de jogo. Há muito para fazer… mas isso não é necessariamente bom.

Dragon Ball Z: Kakarot

Poucas horas após ter agarrado no comando, percebi que, de facto, a malta da CyberConnect2 deu-se ao trabalho de transpor com delicadeza e rigor tudo aquilo que vai acontecendo ao longo da jornada. Às vezes até em demasia, existindo fillers no jogo que acabam por ser bastante aborrecidos. Há cenas icónicas, com os mesmos diálogos e tudo (sim, há mesmo muito fan service), mas também existem outras importantes que foram descartadas, sendo contadas, por exemplo, através de apenas alguns ecrãs e em modo corridinho. Aliás, os fãs mais acérrimos irão perceber que existem pequenas diferenças em algumas cutscenes… E mais não dizemos.

Há pouco falei de como este é um jogo substancialmente diferente do que foi feito até aqui (não consideremos o Dragon Ball Online, exclusivo do Japão e de mais um ou outro país), apostando na exploração. E é precisamente a explorar que iremos perder grande parte do nosso tempo. O mapa tem dimensões consideráveis, pelo que irão perceber que, ora a voar, ora a correr, reconhecerão cenários familiares. Locais como a casa de Goku, a ilha onde está a casa do Tartaruga Genial, a Kami Tower ou a Corporação Cápsula… está tudo aqui.

De um lado para o outro, poderão apanhar frutas, ovos, peixes e outros animais, fazendo, depois, refeições com o que apanharam. Podem ainda falar com vários NPCs e é também, no mapa, que conseguirão avançar na história, indo até aos locais definidos com um ponto de exclamação a vermelho (os azuis são para as sidequests). No entanto, acho algo ridículo o facto de não vermos o formato dos objetos. Ou seja, quando apanhamos alguma coisa, a única coisa que se vê são pontos coloridos, de várias cores. Não se percebe.

Em Dragon Ball Z: Kakarot, podemos também apanhar as tão ansiadas bolas de cristal. As sete Dragon Balls são facilmente encontradas com recurso ao nosso radar, porém, os seus desejos deixam francamente a desejar. Entre ressuscitar inimigos para novos combates, pedir a moeda do jogo ou as orbs que apanhamos por todo o lado, não nos parecem desejos dignos. Depois, assim que pedirem o desejo, terão de esperar 20 minutos de tempo real de jogo até que as possam reunir novamente.

Dragon Ball Z: Kakarot

Apesar de este ser um jogo de exploração, nota-se que o grande cuidado foi dado às personagens, e não propriamente ao mundo de jogo em si. As texturas são de fraca qualidade e bastante genéricas, algo que se reflete principalmente na relva, árvores e montanhas, como se fosse algo saído da PlayStation 2. Merecia mais, muito mais.

Já as missões… são chatinhas. Tirando a parte dos combates (já lá vamos), e apesar de já sabermos antecipadamente o que iremos fazer para progredir na história, tarefas como ir buscar frutas ou apanhar certos itens para fazer um cozinhado acabam por ser bastante infantis. Mas piores mesmo são as missões secundárias, que não acrescentam rigorosamente nada à experiência de Dragon Ball Z: Kakarot. Servem somente para ganhar itens, experiência e outras coisas. Fora isso, realizá-las, apesar de se concluírem rapidamente, é um tremendo aborrecimento.

Outra coisa que também não faz qualquer sentido é a quantidade de inimigos genéricos que aparecem no mapa. Quando estiverem a jogar, irão reparar que, a voar ou a pé, ficarão no radar dos inimigos espalhados pelo mapa de jogo. O problema é que não só não conseguem escapar, como os inimigos são sempre os mesmos, fazendo com que as batalhas sejam repetitivas e cansativas. Além disso, a experiência ganha em cada combate é tremendamente desajustada.

Algo que também podia acrescer valor ao jogo, mas que acaba por ser desprovido de inspiração, são os mini-jogos. Seja a pescar, a conduzir (lembram-se desse mítico episódio?) ou a dar tacadas num jogo de beisebol, tudo pareceu feito às três pancadas. Não é algo que o jogador se vá lembrar de fazer, a não ser que seja estritamente necessário para progredir na história.

Porém, e apesar da componente RPG, é nos combates que Dragon Ball Z: Kakarot brilha. Com um mecânica reminescente de Xenoverse, mas que também nos faz lembrar, a espaços, o saudoso Dragon Ball Z Legends, título original da Sega Saturn, as batalhas são bastante desafiantes.

Apesar de a câmara nem sempre ajudar o jogador, ficando presa ou não se deslocando corretamente, os fãs irão adorar o quão desafiantes os combates chegam a ser. Podemos jogar com diferentes personagens, algo que depende do ponto da história onde nos encontramos, e cada um dos lutadores tem um leque variadíssimo de ataques, algo que dá toda uma outra consistência às lutas. À medida que a personagem evolui, podemos ir trocando os ataques por outros mais poderosos, portanto não esperem logo um Vegeta a conseguir fazer um Final Flash ou um Goku com uma Spirit Bomb.

Algo útil e que nos pode ajudar imenso é o facto de, em algumas batalhas, termos a ajuda dos outros lutadores do jogo. Embora controlados pela CPU, temos acesso a ataques de suporte, bastando-nos algo tão simples como carregar em dois botões.

Dragon Ball Z: Kakarot

Simples é mesmo a palavra de ordem para os combates. A mecânica assenta sobretudo num sistema de combos, em que um botão serve para ki blasts, outro para socos e pontapés, outro para recarregar energia e outro para dodge a ataques, isto no que toca ao mais básico. Depois basta juntarem os outros botões do comando para ações mais complexas.

O grafismo, isto se excluirmos os cenários de jogo, são belíssimos. As personagens estão fielmente retratadas e são um regalo para os olhos, bem como as animações, pelo que qualquer fã de Dragon Ball ficará rendido. O mesmo acontece com o som, onde temos aqui as vozes originais das personagens em japonês e inglês.

Dragon Ball Z: Karakot é ainda rico em colecionáveis. Não só vamos encontrando pontos no mapa que nos dá fotos de acontecimentos da primeira série, como existe uma enciclopédia que resume a história de Dragon Ball Z. Há ainda um organograma de personagens que vai ficando preenchido com as respetivas ligações à medida que avançamos no jogo.

Não posso ainda deixar de mencionar os menus, confusos, e que não chegam a ser explicados na totalidade, mas, principalmente, os problemáticos ecrãs de loading. Se vão ao mapa e escolhem um local para ir, levam com um ecrã de loading. Se entram na casa de Goku, um ecrã de loading. Se vão à Capsule Corporation, outro ecrã de loading. Chega a ser desgastante querermos evoluir na história e, por cada coisa que fazemos, surgir um ecrã de loading. E o pior é que têm todos uma duração de cerca de 30 segundos. É demasiado. Espero sinceramente ver isto resolvido numa próxima patch.

Para concluir, Dragon Ball Z: Kakarot pode, de facto, ser considerado até à data o derradeiro jogo de Dragon Ball pelos fãs mais acérrimos. Porém, a falta de alguns elementos chave, o gameplay repetitivo e as side quests aborrecidas fazem com que este novo título não nos faça voltar a pegar nele até que um DLC traga novidades.

Nota: Bom

Dragon Ball Z: Kakarot

Plataformas: PC, PlayStation 4 e Xbox One
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Bandai Namco.

Dragon Ball Z: Kakarot é uma fiel reprodução da história desenvolvida por Akira Toriyama, mas falta-lhe polimento e alguma inovação no gameplay para que possa ser recomendado a quem não é verdadeiramente fã.

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

10,850FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
632SeguidoresSeguir

Relacionados

Análise – 9 Monkeys of Shaolin

Viajem até à China Medieval numa busca por vingança e muita ação.

Análise – Xiaomi Mi True Wireless Earphones

Apesar do design um pouco mais robusto e a curta autonomia apresentada, o preço dos Xiaomi Mi True Wireless Earphones faz com que sejam uma opção a ter em conta.

Análise – Angry Video Game Nerd 1&2 Deluxe

Está na hora de regressarmos ao passado para jogarmos dois jogos que pensávamos estarem perdidos no tempo!

Análise – FIFA 21

FIFA 21 vem com muitas novidades e algumas melhorias face ao capítulo anterior, mas falha onde não pode: dificuldade da AI da consola em jogo offline.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Fórmula 1 – Grande Prémio de Portugal dá recorde a Lewis Hamilton

92. É este o número de vitórias de Lewis Hamilton enquanto piloto de Fórmula 1. Este fim-de-semana, no Grande Prémio de Portugal, em Portimão, o piloto britânico bateu o recorde de 91 Grandes Prémios ganhos, que pertencia ao alemão Michael Schumacher.

Análise – 9 Monkeys of Shaolin

Viajem até à China Medieval numa busca por vingança e muita ação.