Crítica – Spider-Man: No Way Home

Spider-Man: No Way Home é uma das obras mais negras, tristes e emocionalmente desgastantes da MCU, superando todas as expetativas.

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Sinopse: “Pela primeira vez na história cinematográfica de Spider-Man, a identidade do nosso herói amigo da vizinhança é revelada, colocando as suas responsabilidades de super-herói em conflito com a sua vida pessoal/normal e colocando em risco aqueles com quem se preocupa. Quando Peter Parker (Tom Holland) pede ajuda a Dr. Strange (Benedict Cumberbatch) para restaurar o seu segredo, o feitiço abre um buraco no seu mundo, libertando os vilões mais poderosos que já lutaram contra Spider-Man em qualquer universo. Agora, Peter terá que superar o seu maior desafio até hoje, que não alterará apenas o seu próprio futuro para sempre, mas também o futuro do Multiverso.”

O Universo Cinemático da Marvel (MCU) já soma 26 filmes no seu repertório, sendo Spider-Man: No Way Home a 27ª película. Devido ao seu enorme fandom, alguns filmes recebem uma quantidade tremenda de hype, especialmente aqueles que reúnem mais do que apenas um super-herói. Os filmes Avengers costumam gerar mais excitação antes da estreia, mas obras como Captain America: Civil War também atingiram esses níveis de grande antecipação. No entanto, considerando que Infinity War e Endgame ocupam os primeiros lugares neste tópico, No Way Home junta-se aos mesmos criando um novo tipo de entusiasmo devido à possibilidade única de ver todas as versões live-action do Spider-Man – e vilões respetivos – juntas no grande ecrã.

Obviamente, esta análise encontra-se livre de spoilers, como sempre. Não vou nem dar pistas para o que acontece ou não. Eventualmente, poderei adicionar alguns comentários com spoilers no final do artigo, mas só depois da próxima semana. No entanto, terei claramente em consideração o que é mostrado no primeiro trailer, bem como a sinopse bastante explícita. A menos que não tenham qualquer noção do que este filme se trata, este é um lugar seguro para quem está ansioso por assistir a um dos filmes mais antecipados do universo deste famoso estúdio. Não sejamos hipócritas. Todos sabemos que a principal questão em torno desta longa-metragem diz respeito à potencial presença de Andrew Garfield (tick, tick…BOOM!) e/ou Tobey Maguire (Spider-Man 1, 2, 3) como as respetivas versões de Peter Parker. Não só vou ignorar este tópico, mas também vou evitar entrar em detalhes sobre os vilões.

Spider-Man: No Way Home

Aliás, começo precisamente com os “maus da fita” para poder afastar-me rapidamente de território perigoso. Uma das minhas principais preocupações com No Way Home estava relacionada com o número de vilões, bem como seu tempo de ecrã e impacto/significância narrativa. Sentiria-me extremamente desapontado se alguém como Alfred Molina (Frozen II) ou Willem Dafoe (The Card Counter) – que repetem os seus papéis como Doc Ock e Green Goblin, respetivamente – aparecesse por alguns minutos e rapidamente desvanecesse no ar. Felizmente, Chris McKenna e Erik Sommers (Spider-Man: Far From Home) criam um argumento coerente e inteligente que permite que os vilões frequentemente roubem os holofotes, contendo mais do que um propósito meramente nostálgico.

De todos os desenvolvimentos de enredo de fazerem cair o queixo, o aspeto mais chocante acaba por ser o quão vitais os vilões realmente são para o arco de Peter e para a história geral. Claro, uns destacam-se mais do que outros. Pessoalmente, Dafoe oferece uma prestação tão ameaçadora e assustadora que não discordo se alguém lhe entregar o prémio de MVP. Todos os segundos com Norman Osborn/Green Goblin são incrivelmente cativante. Hipnotizantes, até. Num filme que ainda carrega o humor típico da Marvel – algo que se está a tornar cada vez mais frustrante e irritante – Dafoe traz um lado negro nunca antes visto nesta nova saga do Spider-Man. Uma interpretação implacável e cruel que acrescenta muita emoção à peça geral.

Molina obtém um “segundo lugar” muito próximo do primeiro, entregando mais uma performance notável que me obrigou a não retirar os olhos do ecrã. É preferível escrever já o seguinte: todo o elenco oferece prestações absolutamente fenomenais! De Jamie Foxx (Soul) a Marisa Tomei (The King of Staten Island), sem esquecer Zendaya (Dune), Benedict Cumberbatch (The Power of the Dog) e até Jacob Batalon (Spider-Man: Homecoming), todos brilham no seu próprio tempo. A ação do MCU nunca foi tão visivelmente violenta como neste filme. Doc Ock e Green Goblin fazem Spider-Man sofrer bastante e os espetadores irão sentir a sua dor numa das obras mais sombrias e tristes do aranhiço até hoje.

Spider-Man: No Way Home

No Way Home exibe das melhores sequências de ação do Spidey alguma vez colocadas num ecrã. Uma luta alucinante na mirror dimension entre Dr. Strange e Spider-Man, tal como toda a batalha final catártica, tensa e emocionalmente satisfatória, vêm à mente como as minhas cenas favoritas que envolvem o Web-Slinger. Em termos de entretenimento, Jon Watts (MCU’s Spider-Man) oferece o que a maioria dos espetadores deseja ao entrar no cinema para um filme do MCU. No entanto, a primeira metade encontra-se um pouco atrapalhada, movendo-se entre histórias secundárias desinteressantes que criam alguns problemas de ritmo. As introduções a cada vilão consomem muito tempo e nem todas valem o mesmo investimento por parte do público. No entanto, o problema principal encontra-se conetado a algo de que não costumo criticar com frequência na MCU.

Não sou daqueles espetadores que não aguenta o humor da Marvel, muito pelo contrário. Nunca deixei um filme do MCU sem soltar umas boas gargalhadas, portanto, obviamente, No Way Home tem alguns momentos genuinamente engraçados, especialmente quando personagens de outros universos interagem umas com as outras. No entanto, o problema habitual de colocar piadas durante ou logo após um momento dramático permanece. Felizmente, não prejudica nenhuma das cenas principais, mas retira alguma desfrutação da experiência geral. No final das contas, é uma questão de quanto cada espetador consegue suportar e também quão bem a última metade do filme compensa esses problemas admitidamente menores. Visto que não posso realmente aprofundar a narrativa, devo, pelo menos, abordar Tom Holland como Peter Parker.

Esta não só é a melhor interpretação do ator enquanto Spider-Man, mas também pode muito bem ser a melhor prestação da sua carreira. Não exagero ao escrever que No Way Home me deixou completamente de rastos emocionalmente. Segue uma história poderosa focada num protagonista complexo que tenta o seu melhor para lidar com o facto dos seus amigos e familiares estarem constantemente em perigo, mas também consigo mesmo. Desde questões de identidade e confiança até à aprendizagem das suas responsabilidades maiores, Peter enfrenta temas mais pesados neste filme do que nos dois anteriores juntos. O retrato de Zendaya de uma MJ mais sarcástica tem sido um dos meus favoritos nesta nova franchise, mas a atriz realmente demonstra o seu imenso talento e alcance pela primeira vez nesta trilogia.

Spider-Man: No Way Home

Olhando para trás, já esperava a grande maioria dos desenvolvimentos significativos. Mesmo as duas cenas pós-créditos tratam daquilo que previa, mas, mesmo assim, senti-me completamente imerso no filme. Não deixei de me sentir surpreendido, chocado e entusiasmado. Não deixei de me sentir arrepiado – menção honrosa à banda sonora fantástica de Michael Giacchino. Não deixei de chorar!

Na minha opinião, tudo isto prova como No Way Home é excecionalmente executado, realizado e escrito. Os espetadores podem esperar tudo e mais alguma coisa. Não deixará de ser uma experiência inesquecível que os fãs, sem dúvida, vão adorar. Teria que assistir novamente a todos os filmes do Spider-Man para ter um ranking pessoal justo, por isso, deixemos as comparações por agora e aproveitem este último filme o melhor que consigam.

Spider-Man: No Way Home é uma das obras mais negras, tristes e emocionalmente desgastantes da MCU, superando todas as minhas expetativas. Apesar de uma primeira metade algo atabalhoada com alguns problemas de ritmo e humor ocasionalmente frustrante e mal colocado, Jon Watts, Chris McKenna e Erik Sommers mais do que compensam estes problemas menores com as melhores (e brutalmente violentas) sequências de ação algumas vez testemunhadas num filme do Spider-Man.

Para além disso, a narrativa surpreendentemente coerente contém desenvolvimentos chocantes e realmente oferece tempo de ecrã suficiente para os vilões impactarem de forma significativa o arco de Peter Parker. Prestações impressionantes por parte de todos os envolvidos, especialmente Tom Holland, Zendaya e Willem Dafoe. Uma homenagem emotiva e nostálgica ao legado do Spider-Man que fãs irão assistir inúmeras vezes, nunca deixando de rir e chorar.

Uma experiência cinemática única, memorável e realizada com imensa paixão.

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