Crítica – The King Of Staten Island

The King Of Staten Island emprega uma fórmula muito conhecida (e demasiado utilizada) que se estende em demasia, mas Judd Apatow equilibra-a com um sentido de humor negro com a ajuda dos seus co-argumentistas.

A vida de Scott (Pete Davidson) parou desde a morte do pai bombeiro quando tinha sete anos. Agora que chegou aos 20 e poucos, pouco conseguiu e até mesmo o sonho de se tornar tatuador parece estar fora de alcance. Enquanto a ambiciosa irmã mais nova (Maude Apatow) prepara terreno para a faculdade, Scott ainda vive com a mãe (Marisa Tomei), uma exausta enfermeira dos serviços de emergência, e passa os dias a fumar erva, a passear com o seu grupo e a sair em segredo com a sua amiga de infância, Kelsey (Bel Powley). Mas quando a mãe começa a namorar um bombeiro chamado Ray (Bill Burr), tem início uma cadeia de acontecimentos que obrigará Scott a lidar com a dor e a dar os primeiros passos para avançar na vida.

Judd Apatow realizou/produziu algumas peças hilariantes de cinema: Trainwreck, Bridesmaids, Superbad, Knocked Up, The 40 Year Old Virgin… Tem uma bela filmografia, não há como negar. Assim, apenas o nome dele já é suficiente para garantir o meu interesse quando uma comédia co-escrita e realizada por ele aparece. E depois, ao adicionar Pete Davidson como co-escritor e estrela principal, para além de um elenco realmente fascinante com Marisa Tomei e Bill Burr, então fico ainda mais interessado

The King of Staten Island tem uma premissa formulaica (a típica história de um “pai morto implica um rapaz malvado que precisa de aprender a ser uma pessoa melhor” tem sido explorada até à exaustão), mas será o filme capaz de elevá-la de alguma forma?

Em primeiro lugar, adoro humor negro. Para quem não gosta deste tipo de comédia, o filme de Apatow pode ser demasiado excessivo. São centenas de piadas sem quaisquer restrições sobre os assuntos mais sensíveis e personagens sem limites. Portanto, se não são fãs de comédia negra, este filme pode vir a ser uma experiência muito desagradável.

No entanto, se não têm problemas em se rirem de uma “piada má”, esta comédia pode funcionar bem o suficiente para se divertirem. Tive umas boas gargalhadas.

Scott leva o clichê “rapaz mau que faz coisas más” a um nível bastante exagerado (e, por vezes, ilegal). Possui todos os tipos de problemas psicológicos que possam imaginar e mais uns quantos. Diz as coisas mais deprimentes, tristes e ofensivas a qualquer pessoa que esteja à sua frente. Pete Davidson brilha neste papel, parecendo que está genuinamente a divertir-se muito. No entanto, a sua personagem passa por um caminho tão longo e exagerado que não consegui nem conetar-me nem sentir pena dele. Isto vai quebrar o filme para qualquer espetador dependendo da sua posição: a conexão emocional com o protagonista.

Como escrevi no início, a narrativa segue uma história bastante clichê que já se viu milhares de vezes. É bastante fácil de entender como o filme se vai desenvolver desde o início do mesmo, bem como o que vai mudar dentro das personagens e como vai acabar. As surpresas no argumento não aparecem muitas vezes neste género e, mesmo quando aparecem, muito raramente são capazes de impactar o público de uma maneira que muda completamente a perspetiva sobre o filme ou as suas personagens.

The King of Staten Island é um filme que conta aos seus espetadores tudo o que precisam de saber nos primeiros 10 a 15 minutos e, a partir daí, não existe nada remotamente novo ao longo de toda a duração.

É muito tempo. Um pouco acima de duas horas a ver alguém tentar descobrir o que vai fazer com a sua vida não é exatamente o melhor entretenimento de sempre. Existe mais de uma maneira do espetador se poder conetar com a personagem de Pete Davidson, mas, pessoalmente, necessitei de procurar bem fundo para encontrar algum tipo de ligação. Como a maioria dos leitores provavelmente sabe, o pai de Davidson também foi um bombeiro que morreu nos ataques de 11 de setembro, pelo que este filme inspira-se claramente na vida de Davidson.

Não é a biografia dele, mas sem dúvida alguma que coloca muitos dos seus problemas pessoais na personalidade de Scott. Algumas críticos até já afirmam que está apenas a interpretar-se a ele próprio, algo que não está muito longe da verdade.

Na minha opinião, o melhor aspeto de The King Of Staten Island é, sem dúvida, os diálogos incrivelmente realistas. Parece que as personagens estão a ter conversas verdadeiramente reais. A edição é tão impecável que, por diversas vezes, esqueci-me que estava a assistir a um filme. A química entre todos os membros do elenco é tão vibrante que todos os diálogos entre quaisquer duas personagens parece sempre extremamente realista. Marisa Tomei e Bill Burr são impressionantes, mesmo. Gostava que mais tempo fosse dado para desenvolver um pouco mais do subplot pessoal de Bel Powley, mas entendo que a sua personagem está longe de ser uma das mais relevantes.

No final, The King Of Staten Island emprega uma fórmula muito conhecida (e demasiado utilizada) que se estende em demasia, mas Judd Apatow equilibra-a com um sentido de humor negro com a ajuda dos seus co-argumentistas Pete Davidson e Dave Sirus. A maior parte da comédia funciona para mim, o que me ajudou a ultrapassar as partes menos entretidas (e previsíveis) da narrativa.

Davidson brilha num papel que muitos já abordaram como “está apenas a interpretar-se a si mesmo”, mas considero-o incrivelmente envolvente e cativante, mesmo que não tenha conseguido conetar-me com a sua personagem. A ligação emocional com o protagonista é o principal componente que vai fazer-vos ou adorar este filme ou passar um par horas simplesmente a ver alguém tentar descobrir o que fazer com a sua vida. Os diálogos realistas (há que assinalar a edição perfeita) e a química fenomenal entre os vários membros do elenco empurram a escala para o lado positivo.

Recomendo o seu visionamento, mas com o pequeno aviso de que, se não são fãs de comédia negra, então é melhor deixarem este para outros desfrutarem.

The King of Staten Island ficará brevemente disponível em Portugal.

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