Crítica – We’re Here (1ª temporada)

We’re Here é uma das novas séries a estrear em breve na HBO Portugal que promete marcar até mesmo os menos curiosos. Basta que decidam dar uma oportunidade ao show, não só pela irreverência, mas também pelo contexto que oferece.

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Surge pelas mãos e alma de três antigos participantes do RuPaul’s Drag Race: D.J. Pierce (Shangela Laquifa Wadley), que foi o 6º classificado da terceira temporada; Christopher Caldwell (Bob the Drag Queen), que venceu a oitava temporada; e David Huggard (Eureka O’Hara), que conquistou o 2º lugar na 10ª temporada.

Para quem não conhece, RuPaul’s Drag Race é um famoso reality show competitivo que surgiu em 2009 com o propósito de encontrar a próxima estrela americana de drag, encontrando-se atualmente na 12ª temporada. Para terem uma noção da dimensão da marca RuPaul, o mesmo deu origem a uma série de novos programas do género, nos quais se incluem a versão chilena, tailandesa e inglesa (tendo sido já anunciada a canadiana e australiana).

We’re Here veio para ficar (pun intended), se bem que o carácter não é tanto o competitivo, mas sim o de quebrar barreiras a nível de mentalidade da população em geral, tendo como foco o trabalho de terreno do trio maravilha em diversas localidades pequenas em solo estado-unidense. A cada episódio, Shangela, Bob e Eureka viajam para um local em específico com o objetivo de reunir estranhos com curiosidade em relação a este conceito, preparar um espetáculo e apresentá-lo à comunidade.

We're Here HBO

Ao longo dos primeiros cinco episódios, a premissa é bastante interessante, pois decompõe uma realidade que muitos criticam, mas poucos conhecem, sendo assim algo “urgente” dar uma hipótese a esta série.

O termo “Drag Queen” é mais complexo do que as pessoas julgam, não por ser complicado, mas por ser muito abrangente. E se há coisa que esta nova aposta da HBO prova é que o termo “Drag Queen” engloba mais do que a comunidade LGBT. Transcende por completo a orientação sexual, crenças religiosas e ideologias políticas.

No entanto, é no último episódio que a autenticidade da série e o impacto que teve são analisados a fundo. É certo que o 6º episódio foi condicionado pela Covid-19, pelo que não foi gravado como era suposto. Porém, foi aproveitado para dar contexto biográfico sobre a vida das três Drag Queens que lideram a série, conferindo-lhe mais profundidade. Para ser franco, o último episódio foi, sem dúvida, o melhor, ainda que não tenha sido planeado.

Ao longo desta temporada, vão facilmente perceber o quão importante é esta componente tão única e extravagante na vida de muita gente. We’re Here é, sobretudo, sobre empowerment, mas é também sobre tolerância, respeito, amizade, comunidade, solidariedade e amor. Para os mais ortodoxos, esta pode parecer uma série com conteúdo fora do comum e da vossa zona de conforto, mas garanto que não precisam de ser fanáticos para conseguir apreciar a série.

Até vos digo mais: para mim isto não é novo. Como fã do estilo de vida da década de 80 nos Estados Unidos, costumo ver muito conteúdo que remonta a essa época. Há uns anos, por curiosidade, decidi ver um documentário de 1990 chamado Paris Is Burning, que foi gravado em Nova Iorque durante os anos 80. Este tem como foco a tentativa de adaptação à sociedade e auto-inclusão por parte das comunidades LGBT, bem como as dificuldades que atravessavam para conseguirem ser aceites pela comunidade em geral que, na altura, tinha uma mentalidade bem mais fechada.

Se tiverem oportunidade, antes de ver We’re Here, vejam Paris Is Burning. Vai acabar por dar-vos um contexto histórico às raizes do Drag como forma de expressão da comunidade LGBT. Se ainda não vos convenci, na altura em que foi lançado, limpou 11 prémios de melhor documentário e, 26 anos depois (em 2016), foi selecionado pela National Film Registry para ser incluido na Biblioteca do Congresso como “cultural, histórico ou esteticamente significante”.

We’re Here estreou na HBO Portugal a 24 de abril.

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