Opus: Prism Peak Review: O significado de uma fotografia

- Publicidade -

A sua mensagem é forte e a viagem emocional de Eugene agarrará certamente a maioria dos jogadores, mas a jogabilidade limita o potencial de Opus: Prism Peak e deixa que a repetição prejudique a mensagem da sua narrativa.

Enquanto ficamos mais velhos, mais compreendemos o poder das memórias, mas também o quão são frágeis. Mesmo uma memória forte, que julgávamos ser inesquecível, vai perdendo a sua forma com o passar dos anos. Os acontecimentos baralham-se, os pormenores dissipam-se e sentimos que uma parte de nós, que julgávamos imortal, desaparece com essas memórias. Talvez seja por isso que dependemos tanto de fotografias, vídeos, qualquer tipo de registo que comprove que um acontecimento foi real. Mas até mesmo a fotografia é incapaz de capturar o verdadeiro significado de um momento, os nossos sentimentos, o seu contexto e valor emocional se a nossa memória falhar. O que já foi esquecido desde que abandonámos a infância e entrámos na adolescência e depois na vida adulta? Esta é a questão que Opus: Prism Peak explora através da história de Eugene, um fotógrafo falhado, agora com 40 anos, que se vê preso num mundo de fantasia onde tudo é estranhamente familiar.

Este é um tema que se torna mais pertinente à medida que os anos passam e nós ficamos mais velhos. Tal como Eugene, eu também me aproximo dos 40 anos, as memórias de infância falham, as aventuras do passado desaparecem enquanto a frustração da vida adulta ocupa a mente. Para Eugene, a vida empurrou-o para uma vida de falhanços, ao ponto de esquecer o passado e a sua relação com o avô, aquele que lhe incutiu o amor pela fotografia. Através da sua viagem por um mundo fantasioso e igualmente simbólico, Eugene tem a oportunidade de se reaproximar com o que parecia ter perdido ao longo dos anos e essa ponte constrói-se através do ato de fotografar. Opus: Prism Peak deambula pelo poder da fotografia e das memórias, mas perde-se através de má otimização na versão Nintendo Switch 2 e na repetição de puzzles que requerem pouca criatividade dos jogadores, focando-se na captura de itens, personagens e cenários para avançar a narrativa. A repetição rouba o impacto da captura de memórias e torna-a mundana, demasiado restritiva e previsível, naquela que deveria ser uma experiência emocionalmente inesquecível.

Cópia para análise (versão Nintendo Switch 2) cedida pela Dead Good Media.

João Canelo
João Canelo
Crítico de videojogos, Guionista, Professor e o responsável pelo melhor mortal nas aulas de Educação Física em 2002. Um aficionado por jogos peculiares.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados