Splatoon Raiders Review – Tinta, grind e repetição

- Publicidade -

Splatoon Raiders é o primeiro grande spin-off da série e aposta numa experiência mais focada no modo a solo, com combates divertidos e boas ideias, mas com dificuldades e esconder a sua natureza moldada no multi-jogador.

Depois de uma trilogia de grande aparente sucesso, a Nintendo resolveu mexer na fórmula de Splatoon, convidando os jogadores mais tímidos e antissociais, a embarcarem numa experiência mais a solo. E eis que nos chega Splatoon Raiders. Foi com este ângulo que o quarto jogo da série, ou um spin-off, digamos, se apresentou e foi com alguma curiosidade que o recebi, até porque, apesar de não me ter aprofundado muito nas aventuras online e competitivas dos jogos anteriores, diverti-me com os desafios que os jogos permitiam fazer a solo.

Para o bem e para o mal, à medida que o jogo se aproximava do lançamento até me chegar às mãos, Splatoon Raiders não parecia ser tanto um jogo de aventura tradicional, com narrativa e foco singular num protagonista com agência, como, digamos, uma aventura de Mario, Kirby ou Samus, ou qualquer outra mascote da Nintendo. Mas sim um jogo novamente focado em objetivos. E, ao começar a jogar Splatoon Raiders, caiu-me a ficha e percebi que este não era bem o jogo que queria.

Splatoon Raiders é, efetivamente, um jogo mais orientado para a experiência a solo. Com mecânicas ajustadas, uma progressão mais linear que os títulos anteriores, tem uma espécie de narrativa que suporta os objetivos propostos, mas é inegável que a sua estrutura é baseada num jogo enquanto serviço, quase como se inicialmente essa fosse a visão do jogo, onde, a certa altura, alguém da produção disse: “vamos manter só o co-op opcional“, que eventualmente se torna quase uma necessidade.

splatoon raiders review echo boomer 2
Splatoon Raiders (Nintendo)

Mas, regressando um pouco atrás, Splatoon Raiders coloca-nos na pele de um mecânico, um sobrevivente de um acidente de helicóptero, juntamente com outras três personagens – o trio musical Deep Cut -, quando sobrevoavam as ilhas Spirahlite. Nisto, passa-se um mês e o trio monta um posto de comando. A partir daí, cabe ao jogador embarcar em missões espalhadas pelo arquipélago em busca de materiais para ajudar o grupo a voltar a casa, ao mesmo tempo que investiga e explora o mundo em busca de relíquias e dos mistérios da região. Apesar desta sua premissa descritiva, Splatoon Raiders não é um jogo de mundo aberto, abraçando um formato mais linear e tradicional, onde vamos avançando de nível em nível, com biomas progressivamente diferentes, áreas opcionais e confrontos com bosses.

Juntamente com a sua jogabilidade, Splatoon Raiders tem, em papel, um potencial enorme e, em parte, cumpre nessa combinação, mas com alguns sacrifícios e decisões de game design que me fartaram rapidamente. Splatoon Raiders recupera as mecânicas de tinta, mas, em vez de batalhas de controlo de arenas, onde o alarme da obsessão compulsiva apitava e nos obrigava a pintar todo o ambiente, nesta nova experiência essa mecânica é afinada e usada de forma mais natural, dado que os combates diretos com hordas de inimigos são a prioridade, obrigando a um loop de disparo e mergulho na tinta, uma constante tão divertida como estratégica. E, apesar disso, não quer dizer que a jogabilidade esteja propriamente mais simples, uma vez que os inimigos, por sua vez, também pintam o ambiente, limitando os nossos movimentos e capacidades de recarga.

Splatoon Raiders consegue pegar neste loop divertido e simples e aprofundá-lo de outras maneiras até bastante criativas, com power-ups que se ativam ao apanhar orbs largadas por inimigos, por objetivos específicos nas regiões ou missões, e pela variedade de armas disponíveis, que vão de pistolas, metralhadoras, rolos gigantes, espadas de tinta e outras, com formas de ataque bastante distintas, para não referir também habilidades especiais nossas e de um dos nossos companheiros. Tudo somado, temos um template perfeito para a experimentação e combinações, que podem ser feitas e guardadas entre sessões de jogo, com builds específicas para diferentes cenários. O jogo abraça assim um lado mais RPG, incluindo uma progressão com crafting, com base nos recursos capturados nas missões e com muito incentivo a jogar e rejogar diferentes missões.

splatoon raiders review echo boomer 1
Splatoon Raiders (Nintendo)

Missão após missão, à medida que novas áreas começavam a abrir e o número de armas e habilidades a desbloquear aumentava, a verdadeira natureza de Splatoon Raiders começou a revelar-se. E não se parecia muito com o que esperava. A certa altura, as missões começaram a pedir requisitos mais elevados, outras com objetivos tipo desafios que propunham chamar amigos para co-op, os objetivos das missões começavam a repetir-se e… Splatoon Raiders começou a parecer-se demasiado com um jogo de extração e de (como o seu nome desde o início sempre propôs), raids, onde há uma estreita ligação entre progressão e grind. E atenção, não há nada de errado no jogo em optar por este registo, mas sinto que toda a apresentação de “novo jogo de aventuras a solo” é um pouco insincera ou dissimulada face àquilo que assume ser. Splatoon Raiders tem mais de, por exemplo, um Destiny, do que de um Donkey Kong Bananza. E, desta forma, parece-se mais com um second job, que retém o nosso tempo a fazer grind, do que uma viagem emocionante e de progressão variada constante.

Mas estas escolhas não significam que Splatoon Raiders não explore a mitologia e expanda o mundo de Splatoon de forma significativa para os fãs. Há uma história de fundo, investigação e muito, muito lore através de diálogos no nosso posto de comando, à medida que vamos obtendo relíquias. Contudo, esta vertente só se torna realmente interessante para quem está investido no mundo e nas personagens de Splatoon, o que não é de todo o meu caso.

Splatoon Raiders volta a adotar a estética e o estilo dos jogos anteriores, com uma apresentação colorida, uma direção de arte muito vincada e uma banda sonora e vozes que, francamente, preferia que fossem completamente mudas. Definitivamente não sou um fã, mas percebo onde está o charme. Visualmente, Splatoon Raiders é ok e não é propriamente um grande show-off visual da Nintendo Switch 2 para onde é exclusivo. Apesar de contar com momentos extremamente caóticos, com dezenas e dezenas de inimigos no ecrã, números a multiplicarem-se e orbs a saltarem, o desempenho do jogo é fluido, constante e sólido, acentuando uma grande satisfação durante a jogabilidade. Mas até esta parte é mais uma prova de que Splatoon Raiders é um jogo desenhado em torno da repetição, de ciclos de jogo curtos e de um espetáculo visual para libertar dopamina.

Não há dúvidas de que Splatoon Raiders é um jogo divertido e sólido, que quero continuar a jogar em pequenas sessões ao fim do dia para descontrair. Mas sinto pena que Splatoon Raiders se tenha tornado nisto: num passatempo, numa atividade quase brainless e com pouca substância artística ou narrativa, como bons jogos de aventura a solo normalmente proporcionam. Para alguns, Splatoon Raiders será perfeito. Mas, para mim, é mais um para jogar apenas até aparecer algo melhor.

Cópia para análise cedida pela Nintendo Portugal.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados