Crítica – Wrath of Man

Wrath of Man não é um filme único, fascinante ou mesmo inovador, mas não deixa de ser uma das maiores e melhores surpresas do ano.

Wrath of Man
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Sinopse: “Misterioso e de olhos arregalados, um novo segurança de um camião de dinheiro surpreende os seus colegas quando demonstra habilidades de precisão durante um assalto. A equipa fica a imaginar quem ele é e de onde veio. Cedo, o motivo final do protagonista torna-se claro à medida que toma passos dramáticos e irrevogáveis para acertar umas contas.”

Algumas pessoas simplesmente não apreciam o estilo de Guy Ritchie. O seu tipo de ação em modo fast forward ou HFR (high frame rate) não agrada a muitos espectadores e a sua estrutura narrativa não linear é muitas vezes mais confusa do que cativante. Pelo menos, estas são as queixas mais comuns na sua filmografia. Embora reconheça que estes atributos nem sempre funcionam, sou realmente um grande fã dos seus métodos de filmmaking. Desde os seus trabalhos mais recentes em Aladdin e The Gentlemen até à sua versão de personagens clássicas como Sherlock Holmes e King Arthur: Legend of the Sword, gosto genuinamente da abordagem arriscada e divisiva de Ritchie sobre a melhor maneira de contar uma história.

Ao ir completamente cego para Wrath of Man, honestamente não tinha um bom pressentimento. Antecipava um filme de ação genérico, oco e esquecível com um ator principal que todos nós já vimos inúmeras vezes neste género. Só esperava que tivesse entretenimento suficiente para usufruir de um bom par de horas à frente da televisão. Bom, este filme pode ser a melhor surpresa de 2021 até à data!

Se Zack Snyder (Zack Snyder’s Justice League) é frequentemente criticado pelo seu uso excessivo de slow-motion, Ritchie recebe exatamente as mesmas reclamações, mas em relação às suas cenas de ação em alta velocidade. Desta vez, este último deixa as suas caraterísticas conhecidas de lado e prova que não é um cineasta com apenas um truque.

Takes impressionantemente longos e ininterruptos – alguns atingem a marca dos três minutos – ajudam a criar uma atmosfera tremendamente tensa e cheia de suspense durante todo o tempo de execução. Todas as cenas são montadas com paciência e timing preciso, fazendo com que cada movimento minúsculo da câmara e atores capturem a atenção do público. A banda sonora de Christopher Benstead é um daqueles exemplos que começarei a dar a quem me perguntar sobre música impactante no cinema. As notas pesadas do violoncelo são incrivelmente sinistras, estabelecendo o ambiente de uma forma que não deixará nenhum espetador indiferente. Alguns leitores poderão ler o seguinte como algo negativo, mas os build-ups para todas as cenas de ação roubam os holofotes às últimas.

Wrath of Man

Dito isso, os tiroteios e a ação em geral são entusiasmantes e bem filmados, o que acredito que agradará à grande maioria dos espectadores. Jason Statham (The Meg, Hobbs & Shaw) entrega uma performance unidimensional que seria dececionante em qualquer outro filme, mas funciona para este protagonista. É suposto a personagem principal ser misteriosa e capaz de tudo, por isso, é lógico que esta esconda qualquer ponta de emoção – mesmo que tal afete negativamente alguns diálogos. Além disso, estamos a falar de Jason Statham… fãs vão ver os seus filmes pelas suas habilidades em momentos de ação, não pelas suas capacidades de atuação. Quando se trata de disparar uma arma ou lutar com alguém, não existem muitos atores que o consigam fazer de maneira tão convincente como Statham.

Relativamente à história, Ritchie não largou a sua estrutura narrativa favorita. Storytelling não linear é extremamente difícil de acertar na perfeição devido à facilidade com que se torna confusa ou atrapalhada. Felizmente, Wrath of Man apresenta várias linhas narrativas a convergirem num único momento, o que rapidamente demonstra o que os argumentistas têm em mente. Uma primeira metade misteriosamente cativante transita para uma segunda parte mais previsível e formulaica onde uma das histórias paralelas é tão desnecessária como desinteressante. As personagens secundárias não possuem qualquer tipo de arco ou desenvolvimento aleatório, com o foco principal a ir totalmente para a missão do protagonista, seja esta qual for.

Wrath of Man não é um filme único, fascinante ou mesmo inovador, mas não deixa de ser uma das maiores e melhores surpresas do ano. Embora seja verdade que Guy Ritchie segue as fórmulas de sucesso do género, choca tudo e todos ao deixar de lado as suas técnicas de marca, entregando um filme incrivelmente tenso repleto com build-ups de um só take carregados de suspense para sequências de ação enérgicas e entusiasmantes.

A prestação unidimensional de Jason Statham funciona bem o suficiente para um protagonista misteriosamente cativante que os espetadores poderão facilmente apoiar a partir do momento em que o seu verdadeiro objetivo é revelado. A banda sonora de Christopher Benstead eleva tremendamente todo o filme, estabelecendo uma atmosfera que agarra a atenção de qualquer um. A estrutura não linear apresenta narrativas paralelas, sendo que nem todas são interessantes ou necessárias, terminando com uma última cena ironicamente abrupta, contradizendo o ritmo geral bem controlado.

No final, é uma recomendação sólida para assistir nos cinemas, se possível. Wrath of Man estreia nos cinemas portugueses a 20 de maio.

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