Crítica – “Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw”

Desde que o possante Hobbs (Dwayne Johnson), um dedicado operacional do Serviço de Segurança Diplomática dos Estados Unidos, e o rebelde Shaw (Jason Statham), um antigo agente do exército britânico, se enfrentaram pela primeira vez em Furious 7, em 2015, a dupla trocou insultos e socos, enquanto tentavam dar cabo um ao outro. Agora, quando Brixton (Idris Elba), um anarquista cibernético geneticamente alterado, assume o controlo de uma ameaça biológica que pode mudar a humanidade para sempre, os dois inimigos têm de se unir para destruir o único homem mais perigoso do que eles.

- Publicidade -

Sobre a saga Fast & Furious: pode ser diversão parva. Todos os filmes têm o direito de entreter, mesmo que ignorem por completo todos os aspetos relacionados com física e lógica… desde que estabeleçam o seu tom desde o início. Não se pode fazer um filme de ação onde as personagens principais sobrevivem basicamente a tudo o que não devem e, ao mesmo tempo, levar tudo a sério.

Não é que não se possa ter essa mistura de tons (Furious 7 fê-lo brilhantemente), mas isso está reservado para alguns dos melhores filmes do ano, uma vez que não é fácil (de todo) equilibrar tantas coisas diferentes. Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw afirma o seu tom nos primeiros 10 minutos e todos sabem no que se estão a meter. No entanto, não funcionou muito bem para mim…

M7d9JAu

A saga Fast & Furious é um sucesso inegável, ainda mais em Portugal, onde constantemente quebra recordes de bilheteira. Possui tudo o que um blockbuster deve ter: toneladas de ação (perseguições de carro, explosões, lutas, tiroteios), um enredo fácil de seguir e desenvolvimento de personagens simples. Não há nenhum problema em deixar o cérebro à entrada do cinema por um par de horas.

Claro, Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw é ridículo. É completamente absurdo, não tem qualquer sentido lógico e é inacreditável a quantidade de sequências que ocorre e que desafia a física. Mas isso é exatamente o que se estabelece naqueles primeiros minutos. Dito isto, o público só precisa de se sentar confortavelmente e comer o balde inteiro de pipocas enquanto assiste à ação ridícula no ecrã.

Então, se o tom está bem equilibrado, por que não consegui apreciá-lo tanto quanto o resto? As pessoas parecem estar a divertir-se bastante (mesmo os críticos, que costumam demolir este tipo de filmes, estão a gostar), logo estou na minoria, mas achei a ação muito underwhelming e a comédia esteve longe dos níveis que estava à espera. Sim, existem grandes set pieces e há excelentes cenas de ação, especialmente uma perseguição de mota-carro entre Brixton, Hobbs, e Shaw. Verdade, lá se soltaram uns risos que não consegui conter devido ao quão incrível a química entre Statham e Johnson é. No entanto, isso não é suficiente.

Primeiro, o problema principal com a história: Brixton. Idris Elba é fantástico como sempre e gostava imenso que ele fosse o próximo James Bond. No entanto, a sua personagem é tão mal escrita e tão horrivelmente explorada que me questiono o porquê de a terem concebido como uma máquina com super-poderes. Literalmente, não há nenhuma diferença entre ele e as outras duas personagens principais, o que destrói a vibe de “super-vilão” que Elba deveria ter.

Esse é o problema de ter um filme tão absurdo: se os “heróis” são invencíveis devido à enorme plot armor que possuem, como é que o “super-vilão” é diferente deles? Se uma explosão ocorre com os três próximos uns dos outros, como é que Hobbs e Shaw sobrevivem da mesma forma que Brixton? Como é que um soco do “Super-Homem negro” tem o mesmo impacto que um soco dos outros dois?

Pgj2BLl

Depois, a comédia. Não é que não goste de ver Statham e Johnson a gozar e a ameaçarem-se por cinco minutos seguidos em três cenas diferentes. É demasiado tempo e nem todas as piadas têm efeito. O filme em si é muito longo, pouco mais de duas horas. Se não tivesse conhecimento de toda a sequência de Samoa por ocasionalmente vê-la em trailers na televisão, teria acreditado que o filme estava prestes a acabar quando começou o terceiro ato. Parece que vai terminar, mas depois há toda uma outra sequência de ação para mostrar.

Pela primeira vez em muito, muito tempo, quase adormeci durante a transição do penúltimo para o último momento de ação. Este também é muito dececionante tendo em conta que David Leitch é o realizador. Muitos cortes rápidos e edição demasiado torbulenta.

Finalmente, há uma tentativa de iniciar um romance que eu não vou revelar, mas… Não é que seja forçado, porque realmente não é. Segue um caminho lógico, as personagens não dizem coisas estúpidas uma para a outra e foi, surpreendentemente, uma boa maneira de parar para respirar e relaxar longe de toda a ação. No entanto, quando o filme atinge a sua conclusão, simplesmente ignoram a relação e nunca mais a abordam. Há até uma linha de diálogo semelhante a “vou deixar-te dar-me um beijo amanhã se ainda estivermos vivos”, mas nunca voltam a este ponto. É como se nunca tivesse acontecido… Porquê? A única coisa que foi realmente lógica e emocionalmente convincente é completamente ignorada no fim. Desapontante.

Não quero ser muito duro com Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw porque entendo o quão divertido e engraçado este possa ser. Tenho a certeza que o público vai adorar e os fãs da franchise vão gostar ainda mais. A química do elenco é palpável e todos são fantásticos. Dwayne Johnson e Jason Statham são impressionantes como as estrelas de ação e são, definitivamente, a principal fonte de entretenimento. Vanessa Kirby também é excelente e tenho que elogiar o filme por manter surpresas espetaculares escondidas. Não vão acreditar quem está neste filme também. Há ainda algumas sequências de ação impecáveis e ri mais do que um par de vezes, logo creio que não é tão mau como esta crítica possa transmitir.

M2Hhnfn

Sei que estou na minoria, logo recomendo a todos os leitores verem o filme (exceto nos Cinemas NOS) e julgá-lo por vocês mesmos. Se gostam de ação absurda, ridícula e over-the-top, bem como comédia cheesy, Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw pode ser perfeito. Mas realmente não funcionou para mim.

A comédia não foi tão boa como eu esperava, a ação não é tão cativante e Brixton é uma personagem tão horrivelmente escrita e pouco explorada que continuei a sentir-me frustrado cada vez que uma sequência de ação terminava. Vão pelas grandes cenas de ação e pela pura diversão e fiquem-se pela química do elenco fantástico.

PS: se ainda não viram Game of Thrones até agora, spoilers valentes neste Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw. Fica o aviso.

Nota: 2.5 Estrelas

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

Matrix Resurrections recebe um novo e incrível trailer

Neo e companhia estão de volta e com mais questões existenciais.

Crítica – The Expanse (Sexta Temporada)

As opiniões poderão variar, mas desengane-se quem está à espera de uma nova temporada de The Expanse tão brilhante como as anteriores. Mesmo assim, vale a pena regressar ao espaço com esta sexta ronda, que continua a superar a má ficção científica de outras produções.

Crítica – House of Gucci

Um filme que é uma demonstração de estilo, de ideias, mas com uma estrutura clássica que podia ser mais original e menos dependente de atalhos.

Arcane: Act 3 – Uma gloriosa injeção de Hype

O terceiro ato de Arcane remata com muitas emoções e uma excelente direção a primeira temporada daquela que é, inequivocamente, a melhor série de animação de que há memória.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Pingo Doce chega pela primeira vez aos Açores

O sortido do espaço conta com muitos produtos regionais, fruto das parcerias feitas com 129 fornecedores dos Açores.

Continente abre primeira loja em Gouveia

Continua a expansão da marca da Sonae.

Lagoa dos Salgados será classificada como área protegida de âmbito nacional

Há 21 anos que, em Portugal, não era classificada nenhuma área protegida de interesse nacional.