Crítica – Godzilla vs. Kong

Godzilla vs. Kong é um regresso em forma do divisivo MonsterVerse. Desde CGI genuinamente impressionante e visualmente orgásmico até às lutas entre monstros repletas de adrenalina e energia, este filme é a definição de puro entretenimento de blockbuster.

- Publicidade -

Sinopse: “Numa era em que os monstros andam pela Terra, a luta pelo futuro da humanidade coloca Godzilla e Kong em rota de colisão. Enquanto Monarch embarca numa missão perigosa em terreno desconhecido e descobre pistas sobre as origens dos Titãs, uma conspiração humana ameaça erradicar todos os seres vivos da face do planeta, para sempre.”

Se leram as minhas outras críticas do MonsterVerse, sabem que, apesar de ser fã dos Titãs, a minha opinião sobre os filmes não tem sido a melhor. Desde o surpreendente Godzilla ao inacreditavelmente dececionante King of the Monsters, passando pelo genérico Kong: Skull Island, este universo cinemático não se encontrava propriamente a seguir o caminho certo para mim. Ao passo que os efeitos visuais e a ação melhoravam, os dois pilares de filmmaking – história e personagens – estavam a ser tratados com menos cuidado após cada nova longa-metragem. Mesmo as sequências de luta do último filme foram uma surpresa negativa, devido à falta de visibilidade. Portanto, entrei para Godzilla vs. Kong com expetativas moderadas, sabendo que podia deixar o cinema sem me sentir particularmente feliz…

Bom, não podia estar mais contente por escrever que desfrutei imenso! Trazer de volta Max Borenstein, o argumentista que ajudou a arrancar este universo, após a sua ausência no último filme, e adicionar Eric Pearson, um dos guionistas de Thor: Ragnarok, provou ser uma decisão inteligente. Não, o seu argumento não é uma obra-prima nem nada remotamente próximo de ser um guião inovador e impressionante. No entanto, os escritores prepararam a batalha entre os dois Alpha Titans sem a necessidade de dispositivos de enredo ridículos ou decisões de personagens ilógicas, que é tudo o que sempre pedi desta franchise. Nunca esperei que um filme com dois monstros gigantes a lutarem entre si possuísse uma história inovadora e profunda. Tudo o que desejava era uma narrativa direta que não tentasse executar as ideias mais absurdas alguma vez pensadas.

Godzilla vs. Kong

Borenstein e Pearson são capazes de criar uma história simples baseada num conceito admitidamente cliché – versão 12834 da “Terra oca” – que nunca pede demasiado aos espectadores. Claro que existem muitos momentos em que o público simplesmente terá de aceitar e seguir em frente. No entanto, mantém o foco principal nos monstros, distraindo os espetadores das personagens formulaicas. Ainda assim, Alexander Skarsgård interpreta um protagonista decente e Rebecca Hall tem uma relação interessante com a sua filha adotiva, Jia (Kaylee Hottle), por isso, nem todas as personagens são finas como papel ou copiadas de arquétipos demasiado repetidos. Millie Bobby Brown volta para repetir o seu papel enquanto Madison Russell, mas o seu arco assenta num subplot irrelevante que só prejudica o ritmo do filme.

Numa película em que a grande maioria de storytelling depende de exposição pesada, não ajuda nem o ritmo nem o tom do filme ter uma linha narrativa inteira dedicada a conspiradores a tentarem infiltrarem-se na Apex para encontrar segredos que todos os membros do público já conhecem desde o início. É um subplot sem impacto que nem sequer oferece cenas de ação verdadeiramente entretidas. Sinceramente, dá a sensação de que a jovem atriz está a ser usada como objeto de marketing, visto que é a única atriz principal do filme anterior a ter um tempo de ecrã significativo neste. É realmente uma pena, pois é definitivamente uma das atrizes mais jovens a trabalhar hoje em dia com o maior potencial. Mas chega de nitpicks e problemas…

Godzilla vs. Kong proporciona, sem dúvida, as batalhas entre monstros energéticas, entusiasmantes e de deixar o queixo caído que todos têm estado à espera. Os efeitos visuais possuem uma curva exponencial de evolução, o que significa que as mudanças mais incríveis podem acontecer de um ano para o outro. O trabalho excecional de CGI neste filme é um orgasmo visual. Esperei um mês inteiro para poder ver este filme no maior cinema IMAX do país e saí visualmente saciado. Desde a aparência deslumbrante dos Titãs às sequências de luta genuinamente espantosas, os artistas de efeitos especiais são os verdadeiros criadores deste filme. Não tenho vocabulário para os elogiar o suficiente, por isso, deixo um sincero “obrigado”.

Adam Wingard (Blair Witch, The Guest) podia ter controlado o tempo gasto em cada enredo um pouco melhor, mas, no geral, faz um trabalho excelente. Existem mais personagens e histórias secundárias do que o necessário, mas estas não se sentem tanto devido à realização impecável de Wingard. Os monstros defrontam-se por diversas ocasiões que estão bem estruturadas, contando uma história guiada por ação sem diálogos ou outro tipo de exposição. Tecnicamente, adoro como todos os locais têm uma cor e uma atmosfera própria. Tom Holkenborg (também conhecido por Junkie XL) cria uma banda sonora arrepiante que realmente eleva as sequências de ação, todas muito bem editadas (Josh Schaeffer). Numa nota geral, o valor de produção é tão impressionante como esperado de uma saga de cortar a respiração visualmente.

Godzilla vs. Kong é um regresso em forma do divisivo MonsterVerse. Max Borenstein e Eric Pearson conseguem escrever um argumento descomplicado sem pontos de enredo absurdos ou decisões de personagens extremamente irracionais, que é tudo o que sempre desejei por parte desta franchise, mesmo que contenha imensas fórmulas e clichés. Ninguém antecipa um guião digno de Óscar, mas algo que possa servir de companhia às enormes batalhas entre os Titãs.

Adam Wingard tem dificuldades em equilibrar as histórias secundárias desnecessárias e irrelevantes que, infelizmente, afetam o ritmo e o tom do filme, mas, em última análise, é capaz de montar todas as sequências de luta de forma adequada. Relativamente à ação, esta é, de longe, o melhor exemplo da saga. Desde CGI genuinamente impressionante e visualmente orgásmico até às lutas entre monstros repletas de adrenalina e energia, este filme é a definição de puro entretenimento de blockbuster.

Como esperado, um valor de produção extraordinário e uma banda sonora perfeita de Junkie XL fazem desta crítica uma recomendação sem avisos.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

Crítica – Dune: Parte Um

Se vieram aqui à procura de puro espetáculo, podem ficar desapontados. Mas, se vieram à procura de uma visão original de um dos universos de ficção científica mais amados de sempre, este é o filme certo.

Quinto filme de Scream ganha primeiro trailer

E traz de volta caras conhecidas.

Crítica – Titane

Titane é um híbrido que, tal como a fusão de máquina com humano, merece ser visto.

Crítica – Spectre

Spectre não consegue alcançar o tremendo potencial da sua narrativa intrigante e do seu antagonista fascinante, mas Sam Mendes ainda consegue dar ao público um filme decente.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

The Lightbringer – Uma aventura poética

Um jogo de plataformas interessante com algumas escolhas de design que o tornam num produto bizarro.

Suicide Squad: Kill the Justice League com direito a trailer de história

Suicide Squad está de regresso numa aventura virtual com uma missão impossível.

Dwayne Johnson apresenta-se como Black Adam no primeiro teaser

Após vários anos de desenvolvimento, um dos anti-heróis mais poderosos da DC terá direito a um filme.