Crítica – Artemis Fowl

Artemis Fowl entra para a lista das piores longas-metragens que a Disney alguma vez criou.

Artemis Fowl

Filme disponível nas seguintes plataformas:

Descendente de uma longa linhagem de mentes do crime, Artemis Fowl (Ferdia Shaw), um génio de 12 anos, vê-se numa batalha de força e astúcia contra uma poderosa e oculta raça de fadas que pode estar por trás do desaparecimento do seu pai.

Um dos filmes mais adiados de sempre, Artemis Fowl, passou por graves problemas de produção. Os seus planos começaram em 2001 (!) e só quase 20 anos depois está a ser lançado… num serviço de streaming. Vários realizadores e argumentistas passaram por este projeto, mas Kenneth Branagh, Conor McPherson e Hamish McColl são as pobres almas que decidiram ficar. Não vou esticar esta crítica mais do que o necessário. É um dos piores filmes que a Disney alguma vez lançou, live-action ou de animação!

Não tenho conhecimento do material original, por isso, não posso dar a minha opinião sobre se é leal ao mesmo ou não. No entanto, posso escrever que é uma adaptação chocante, genuinamente horrível, de uma saga de livros que sei que tem um fandom tremendo. Estou tão boquiaberto com o quão mau é que nem sei por onde começar.

Desprezo imenso criticar prestações de atores jovens, especialmente quando se trata de estreias como a de Ferdia Shaw, mas, neste caso, não consigo evitar. A performance de Shaw é mesmo embaraçosa, não só pelas suas expressões sem emoção e “vazias”, mas também pela cinematografia e edição.

Shaw passa o filme inteiro simplesmente a ler as suas falas e à espera que alguém lhe dê a próxima. Odeio escrever isto, mas é uma das piores estreias de um jovem ator que alguma vez vi. No entanto, nem tudo é culpa de Shaw. O guião é atroz em todos os níveis e, por alguma razão, Haris Zambarloukos (DP) e Matthew Tucker (editor) mantêm a câmara no miúdo por muito tempo. Durante todo o tempo de execução, Shaw termina a sua fala e a câmara mantém-se nele por segundos a mais, à espera do corte tardio, enquanto a prestação do jovem ator fica vulnerável.

Mesmo assim, o argumento e a falta de uma história coerente são os piores aspetos de todos. Sendo alguém que não tinha ideia de quem era Artemis Fowl, como os mundos dos humanos e das fadas funcionavam e quais eram as regras deste universo ficcional, terminei o filme confuso e impressionado (no mau sentido, obviamente) com a estrutura atrapalhada. Josh Gad (Mulch Diggums) narra os eventos do filme inteiro com a voz mais estranha e caricatural possível, ao passo que Judi Dench (Commander Root) aplica a mesma estratégia. A quantidade de exposição pesada e brutalmente forçada nestes 94 minutos é absurda para um filme que deveria começar uma nova saga cinemática.

Artemis Fowl

Todas as linhas de diálogo assemelham-se a um tipo de anúncio, como se novas informações tivessem sido desvendadas, mesmo quando não o são. A estrutura narrativa é caótica e tenta compactar de tal maneira a construção deste mundo fictício que é impossível importar-me com um único enredo ou personagem. Durante a primeira metade do filme, não tinha ideia sobre o que é que o filme queria ser. Existe um MacGuffin enorme no centro de tudo, um vilão (?) sobre quem o filme não explora nada e tantos subplots que se misturam numa tentativa desesperada de dar algum sentido ao filme.

A edição é extremamente choppy. As sequências de ação são hilariantemente más com CGI surpreendentemente “velho” e até a banda sonora (que é capaz de ser o único componente decente de tudo isto) torna algumas cenas ainda piores. Existe também uma história secundária envolvendo Lara McDonnell (Officer Short), que é igualmente mal explorada, mas é muito mais cativante do que qualquer assunto remotamente ligado a Artemis. Este último é uma personagem tão desinteressante que não me importei sequer com esta por um único segundo. Honestamente, não consigo entender como é que a Disney foi capaz de lançar isto.

Artemis Fowl é uma das piores longas-metragens que a Disney alguma vez criou, sem quaisquer dúvidas. Não contém absolutamente nenhuma qualidade redentora. Por mais que me doa escrever, Ferdia Shaw entrega uma das piores prestações jovens que já testemunhei, mas a vergonha é partilhada por todos os envolvidos nesta trapalhada atroz de filme. É genuinamente impressionante o quão mau é.

Possui um argumento terrível, carregado com uma exposição irritantemente explícita, uma voz de narração ridícula (perdoa-me Josh Gad) e uma quantidade inacreditável de informação que conseguiria ser encaixada num tempo de execução de três horas, quanto mais num tão curto como este. Nenhum enredo é explorado ou executado corretamente e nenhuma personagem está sequer perto de ser interessante. Todas as sequências de ação são um desastre visual e as tentativas de comédia saem incrivelmente ao lado. Tecnicamente, é tão embaraçoso quanto o resto: edição descontrolada, cinematografia defeituosa e efeitos visuais surpreendentemente amadores.

O único pequeno positivo que tenho é Lara McDonnell, cuja prestação considero decente, mas não posso recomendar, de forma alguma, este erro colossal por parte de um estúdio tão famoso.

Artemis Fowl está disponível no Disney+. O serviço chega a Portugal em setembro.

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