Análise – Crash Bandicoot 4: It’s About Time

Crash tem mais um regresso esta geração, mas desta vez com uma sequela verdadeira que promete por à prova a destreza de todos os fãs e jogadores.

Crash Bandicoot 4: It's About Time
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Crash Bandicoot está de regresso e desta vez não é em forma de spin-off, cameo, remake ou remaster, mas sim numa verdadeira sequela, ignorando, de alguma forma, todas as outras entradas da série após a saída da exclusividade na PlayStation.

Agora desenvolvido pela Toys For Bob, Crash Bandicoot 4: It’s About Time até se aproxima mais de uma sequela do remake da Vicarious Visions (que mais recentemente lançou Tony Hawk’s Pro Skater 1+2), pegando nos seus pilares mecânicos e artísticos, mas com toda a liberdade de explorarem Crash com a sua própria visão.

É interessante comparar esta sequela com o jogo anterior, considerado por muitos como muito difícil, onde a filosofia de game design e desafios eram abordados de outra forma, colocando por vezes de parte aspetos de acessibilidade que encontramos em jogos mais atuais.

Crash Bandicoot 4: It’s About Time, por ser um jogo completamente novo, liberta-se das limitações de uma reprodução 1:1 dos títulos originais, com níveis completamente frescos, habilidades e novos inimigos e obstáculos que desafiam não só a criatividade dos produtores, como os obrigam a tornar o jogo o mais familiar e acessível a novos e antigos jogadores. Contudo, os mais entusiastas podem “respirar de alívio”: Crash Bandicoot 4: It’s About Time é um jogo extremamente desafiante.

Com dois modos de jogo, Retro e Modern, os jogadores podem escolher o tipo de dificuldade que querem. No Retro, há um número limitado de vidas que os levam ao Game Over. Já no Modern, fiquem a saber que as vidas perdidas vão acumulado. Fora isto, o jogo mantém o mesmo funcionamento, com a morte ao simples toque se não tivermos uma máscara de proteção, dando a todos os jogadores o mesmo tipo de experiência, independentemente do modo que escolham.

O verdadeiro desafio e dificuldade de Crash Bandicoot 4: It’s About Time está nos objetivos e na decisão do jogador em querer completar tudo, com itens que só se desbloqueiam ao passar um nível com um determinado número de mortes ou de wumpa fruits apanhados.

Crash Bandicoot 4: It's About Time

Crash Bandicoot 4: It’s About Time vem testar as habilidades de todos, dos mais entusiastas aos mais casuais, com convites a cumprir objetivos, a repetir níveis e a explorar todos os segredos, até porque a Toys For Bob encheu o jogo de conteúdos para fazer valer o custo do jogo. Em poucas palavras, Crash Bandicoot 4: It’s About Time é um pouco do que já estava à espera após previews e trailers de desenvolvimento: um jogo colossal. E isto é interessante, uma vez que esta nova aventura podia muito bem cair numa experiência muito linear e pouco substancial.

Entre dezenas de skins para desbloquear para as duas personagens principais – Crash e Coco –, níveis secretos que desafiam a nossa paciência, níveis dedicados a personagens secundárias com habilidades especiais e modos que transformam por completo a revisitação dos níveis, Crash Bandicoot 4: It’s About Time tem potencial para ser um jogo capaz de durar dezenas e dezenas de horas se quisermos e conseguirmos completar a 100%.

Não há dúvidas de que os níveis são as estrelas de Crash Bandicoot 4: It’s About Time. São às paletes, numa aventura que nos leva por diferentes mundos e lugares, com uma grande variedade e dedicados a diferentes temas. Temos selvas, desertos, baias com barcos piratas, cidades futuristas, pântanos e outros sítios fantásticos por explorar. Alguns níveis são extremamente longos, algo que se revela tão positivo, como, por vezes, negativo, parecendo que se tornam organicamente mais desafiantes e, em algumas ocasiões mais complicadas, uma frustração por nunca mais terminarem ou por contarem com checkpoints demasiado separados.

Contudo, o desafio do jogo parece ser pensado ao milímetro, assim como a colocação de todos os obstáculos, caixas, armadilhas e inimigos, dispostos conscientemente ao ponto de o jogador mais destemido, e com sentido de ritmo – ou simplesmente habituado ao fim de várias tentativas –, conseguir fazer a navegação por várias áreas de forma muito orgânica, quase em piloto automático.

Cada segmento e obstáculo parece ter sido pensado, testado e repensado vezes sem conta, com imensos puzzles ambientais e outros detalhes que tornam a primeira viagem pelos níveis uma descoberta constante, mesmo em ambientes semelhantes, e a sua repetição fácil de recordar.

Crash Bandicoot 4: It's About Time

Esta sensação de tudo ter sido pensado ao pormenor é acentuada com as habilidades que Crash e Coco podem usar em momentos muito específicos de alguns níveis e até em batalhas de bosses, como o poder de baixar a velocidade do tempo, inversão dos níveis, modo tornado e ativação de plataformas e objetos. A presença destes momentos é também cuidada e bastante ritmada ao longo do jogo, dando continuidade à constante sensação de surpresa e ajudando também a dar uma nova perspetiva à jogabilidade normal.

Além destes poderes, temos também algumas personagens secundárias como Dingodile, Neo Cortex e uma versão alternativa de Tawna, que contam com habilidades próprias e níveis também dedicados que se cruzam com os níveis tradicionais de Crash e Coco, oferecendo também a sua perspetiva dos eventos, culminando, na maioria das vezes, com a repetição de porções finais de outros níveis já ultrapassados.

Visualmente, Crash Bandicoot 4: It’s About Time é delicioso. Usa a mesma direção visual de Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, apesar de ser um aparente upgrade visual e estético. Tanto as personagens como os ambientes são extremamente ricos em detalhes e pormenores animados, ao ponto de termos a sensação de ambientes vivos e orgânicos até nos momentos mais calmos. As personagens de ambiente e inimigos reagem de forma dinâmica a todas as nossas ações e a fluidez de tudo transforma Crash Bandicoot 4: It’s About Time num autêntico desenho animado interativo.

As cinemáticas também são de uma qualidade extrema, quase CGI animado, e todas estas sensações resultam graças ao impecável desempenho do jogo. Apesar de nas consolas Premium (Xbox One X e PlayStation 4 Pro) ser possível atingir melhores resultados, na PlayStation 4 Slim, onde o jogo foi testado, Crash Bandicoot 4: It’s About Time apresenta-se a 30FPS sólidos, sem quebras e com tempos de resposta excelentes que tornam a experiência de jogo impecável e precisa, algo que é muito necessário para ultrapassar os objetivos mais complicados.

Crash Bandicoot 4: It’s About Time é um regresso fantástico do marsupial ao mundo dos videojogos. Com um jogo extremamente rico em conteúdo, super divertido de se jogar, extremamente desafiante e muito animado, é, sem dúvida alguma, um jogo obrigatório para os fãs de Crash e de jogos de plataformas.

Nota: Muito Bom - Recomendado

Plataforma: PlayStation 4 e Xbox One
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

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