Análise – F1 2020

Uma aposta vencedora.

F1 2020

F1 2020 é uma aposta ganha para todos os amantes de automobilismo, sem sombra de dúvidas. No entanto, é também um jogo para todos aqueles que gostam de passar tempo de qualidade a jogar.

Há uma vida atrás, era recorrente as provas de Fórmula 1 passarem na RTP1 e, inconscientemente, muitos miúdos e jovens ganharam um certo apreço pela modalidade graças à densidade da mesma. Ao fim destes anos todos sem grande contacto com a modalidade e, por sua vez, ter perdido grande parte do interesse, acho impressionante como em poucas horas o fascínio causado pela complexidade e espetacularidade da Fórmula 1 ganhou tais contornos – como se de um “transtorno de stress pós-traumático” se tratasse, ainda que, neste caso, muito bem-vinda!

Tendo como foco o jogo, digo com segurança que foi o melhor título que joguei este ano, mas vou por partes.

A nível de menus, F1 2020 está muito bem estruturado, contendo sete abas (Home, Solo, Multiplayer, F1 eSports, Customization, Showroom e Theatre) devidamente organizadas. Home compila as funcionalidades bases nas quais se destacam o atalho para o último modo jogado (sendo, por isso, variável), pelo que é fácil ir logo direto ao assunto. Showroom é, como o nome indica, um género de sala de exposições onde podemos ver com detalhe todos os carros atuais da F1, alguns modelos clássicos que, de certa forma, marcaram a competição, e ainda os modelos da F2.

Em Theatre temos acesso ao documento de vídeo dos melhores momentos das últimas corridas em que participamos, onde é possível ver e rever as nossas manobras mais ousadas, acontecimentos espetaculares e ultrapassagens épicas. Esse modo tem ainda várias funcionalidades de editor onde é possível inclusive captar imagens para mais tarde recordar. Na aba F1 eSports, temos todas as informações sobre a competição oficial online do jogo, contendo hiperligação ao site sem ser preciso sair do jogo, notícias, vídeos, entres outras coisas.

Customization é a área criativa, onde podem criar e personalizar o vosso piloto no que toca a aspeto, fato, capacete e luvas. Podem ainda criar o vosso símbolo de equipa de F1 de uma variedade de opções relativamente grande e personalizar o carro da vossa equipa em padrão, cor e patrocínios. Esta funcionalidade pode roubar algum tempo se forem exigentes, mas é fulcral para a vossa carreira em Multiplayer, no novo modo introduzido chamado My Team e, em parte, no modo clássico Driver Career. Com o progresso feito nos mais variados modos, recebe-se XP e sobe-se de nível, o que desbloqueia novas opções de personalização, entre as quais itens clássicos.

F1 2020

Avançando para as abas que realmente interessam: O multiplayer compila cinco modos online e um offline. Nos modos online há Leagues, Ranked, Unranked, Weekly Events (que vão sendo atualizados regularmente) e ainda Lan Game. O modo Offline quis dar um ar da sua graça nesta edição do jogo, trazendo de volta o famoso Split screen (que reinava quando não havia competição online nos jogos) para jogar em casa contra amigos/família. Da minha experiência neste modo, posso garantir que oferece uma boa dose de diversão.

Por fim, a aba que mais me entusiasmou: Solo. Apesar de gostar muito de jogar online pela competitividade e, em muitos casos, o companheirismo, sou um bocado da velha guarda no que toca a videojogos. Dou muito valor a um jogo que tenha a componente offline bem desenvolvida e F1 2020 enquadra-se na perfeição nas minhas exigências nesse aspeto.

Para além dos modos “rápidos” de Time Trial, Grand Prix e Championships, temos ainda o Driver Career que exige bem mais dedicação e envolvimento, mas que, em contrapartida, vos oferece uma experiência mais fiel àquilo que é a Fórmula 1 como um todo. Neste modo, entra o nosso piloto personalizado em ação e é dada a opção de começar a carreira na Fórmula 2 ou arriscar logo o salto para a prova mãe.

É o modo mais complexo do jogo, onde é exposta toda a informação geral sobre as pistas, a equipa, os adversários e as estatísticas das provas/campeonato. É também aqui que temos acesso à informação mais técnica que engloba toda a mecânica do carro – do motor aos pneus, passando pela caixa de velocidades, englobando ainda o desenvolvimento de infraestruturas que compreende seis departamentos base da competição e tudo o que podemos melhorar no desempenho do carro (Powertrain, Aerodynamics, Durability e Chassis), acedendo à árvore de upgrades na secção de Research and Development (R&D).

Apesar de parecer complexo gerir tudo isto, o assistente de voz de serviço acaba por tornar muito fácil o entendimento do funcionamento e dinâmica do jogo e que influência têm as nossas ações e decisões na equipa. Temos controlo total sobre a mesma, seja através de investimentos de melhoria ou através de entrevistas com a imprensa e agendamento de eventos no calendário, tudo detalhes que, por sua vez, afetam a moral da equipa e a reputação do piloto.

Por fim, temos o modo My Team, que foi introduzido este ano e é onde eu estou a investir a sério. Basicamente, é um modo que permite que criar a 11ª equipa da grelha, da qual são donos e piloto (enriquecida com as opções de personalização do jogo). Depois, mediante o patrocinador principal, têm uma verba inicial que tem de ser suficiente para selecionar um motor para os carros da equipa (entre os disponíveis) e um segundo condutor free-agent.

F1 2020

Com o desenrolar do campeonato e aumento de prestígio, vão desbloqueando personalizações extra e spots para novos patrocinadores. No entanto, na escolha de patrocinadores, há que ser ponderado, pois parte dos fundos são atribuídos com base em objetivos definidos, logo é importante garantir que são alcançáveis na hora de assinar contrato.

Isto, a somar a todas as funcionalidades já disponíveis do modo Driver Career, torna este modo de jogo no “Cálice Sagrado” de F1 2020.

Esta edição do jogo traz pela primeira vez o modo My Team que, como já referi acima, confere todas as funcionalidades do modo Driver Career, mais o extra de controlo, personalização e desenvolvimento de nova equipa. Só peca um pouco pelas limitações de personalização (nomeadamente no logo). Traz também o regresso do split-screen que também já abordei, sendo um dos pontos fortes do jogo.

Por fim, para além de todos as equipas e condutores oficiais de F1 e F2, tem 22 circuitos onde estão incluídos dois novos: o circuito de Zandvoort (na Holanda) e o de Hanoi (no Vietnam). O Circuito de Zandvoort é perfeito para quem gosta de puxar pelo carro e arriscar overtakes em curvas longas, a alta velocidade, e é um dos meus preferidos.

Já o circuito de Hanoi é um autêntico parque de diversões, inspirado em vários trechos de outros circuitos célebres. Nas curvas 1-2, é trazido à vida o trecho de abertura do circuito de Nürburgring (1-2). As curvas 12-15 são baseadas numa secção do circuito do Mónaco (1-2) e, pessoalmente, considero esta a parte mais brutal do circuito, onde permite altas velocidades e puxa pela vontade de ultrapassar, mas um passo em falso e uma das barreiras laterais a servir de limite da estrada pode ditar o fim da prova. As curvas 16-19 tiveram como base as curvas icónicas em “S” do circuito de Suzuka (2-6). As curvas 20-22 tiveram como inspiração Malásia (12-14) que, após duas curvas largas, segue-se uma extremamente apertada, que exige muita concentração.

Para tirar já o elefante da sala, nas boxes e dinâmicas fora de pista, à semelhança do MOTOGP 20, ainda há espaço para melhorias de forma a tornar a experiência ainda mais realista, mas acredito que, com a próxima geração de consolas, isto vai mudar. De resto, não tenho nada de menos positivo a apontar.

Os gráficos em pista, juntamente com a jogabilidade, somando a câmara de piloto e os efeitos sonoros, conferem uma experiência extremamente realista e sensacional. A sensação de velocidade é magnífica e a competitividade pelo pódio em alta velocidade alucinante.

F1 2020

Há dois pormenores que considero que têm um papel fundamental em tornar F1 2020 o mais realista até à data. Um deles é o dano no carro e desgaste de componentes e consumíveis, que depende da condução e reflexos de cada um em alta velocidade. Outro é a influência das condições climatéricas a nível de brilho, mas sobretudo visibilidade e resposta do carro à pista. No caso de chuva, há a necessidade urgente de adaptar a condução e ter cuidados redobrados, caso contrário garanto que não completam a prova.

A nível de adaptação, F1 2020 é bastante acessível, sendo munido de imensas ajudas (até para os mais inexperientes), pelo que conseguirão controlar praticamente tudo o que envolve a condução: as mudanças (automático/manual), ativar travagem assistida, direção assistida, colocar linha de velocidade e posição na pista, alternar a sensibilidade do carro ao dano, alterar a aderência fora de pista, regular o grau de dificuldade de 1 em 1, entre 0 e 100, entre muitas outras opções.

O meu conselho é começarem por desligar os apoios aos poucos antes de aumentarem o grau de dificuldade, pois só assim é que irão aprender realmente a controlar o carro. Se optarem pelo oposto, habituam-se às ajudas e, depois, vai ser mais difícil largá-las. Caso não se sintam convencidos a investir neste jogo por acharem que não se vão dar bem, aconselho a darem uma vista de olhos a este mini-guia para principiantes, de modo a terem uma ideia mais geral do que acabei de referir.

De todos os simuladores que joguei este ano (MotoGP 20, Isle of Man II, Tour de France 2020 e, agora, F1 2020), este foi a surpresa mais positiva e que mais gosto me deu jogar. De todos estes, é o que oferece mais dicas e informação para ajudar na integração de novos jogadores, sem descurar da exigência para jogadores de longa data.

F1 2020 torna-se, assim, obrigatório para os fãs deste desporto e essencial para todos os jogadores que tenham o mais pequeno gosto que seja pela condução. Sem dúvida um dos melhores jogos do ano e um autêntico must-play.

Nota: Excelente - Recomendado

Plataformas: PC, Xbox One e PlayStation 4
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Ecoplay.

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