Análise – TT Isle of Man II: Ride on the Edge (Nintendo Switch)

Se procuram um jogo de corridas excitante, realista e que leve ao limite as vossas habilidades na Switch, TT Isle of Man II: Ride on the Edge é a resposta.

TT Isle of Man II

Após o lançamento para PC, PS4 e Xbox, TT Isle of Man II: Ride on the Edge chega finalmente à Nintendo Switch.

Isle of Man, nome de uma ilha situada entre Inglaterra e Irlanda, empresta o nome a uma das provas mais emocionantes e perigosas do mundo que ocorre na mesma. Nessa prova, todos os motociclistas em competição correm a alta velocidade em estradas estreitas ao longo de vales, no meio da floresta, no campo, junto a precipícios íngremes e até no meio de povoações. Percebe-se facilmente de onde vem a adjetivação do perigo que esta prova secular acarta, registando já uma totalidade de 260 fatalidades ao longo de 112 anos de competição.

Em relação ao jogo, é o segundo da franquia e houve bastantes melhorias e algumas novidades em relação ao anterior. Toda a física em torno da dinâmica da moto foi melhorada: com a integração do efeito giroscópico, a direção ganhou mais precisão e naturalidade; o conta-quilómetros da moto alerta para o perigo iminente de queda, ajudando a antecipá-las e evitá-las; ao curvar, mediante o ângulo da moto, há a sensação de alteração de aderência à pista; e houve ainda uma melhoria na suspensão e na gestão de temperatura dos pneus e dos travões. Tudo isto, juntamente com uma melhor resposta da moto e técnicas de condução, resulta numa melhoria abismal na experiência de condução.

Tal como MotoGP, se não estão familiarizados com este tipo de simuladores, custa um bocado ao início a apanhar o jeito, tornando-se, por vezes, numa experiência frustrante. Para além disso, TT Isle of Man não tem os mesmos mecanismos de assistência de corrida que MotoGP, sendo maior o choque inicial. No entanto, com alguma persistência, atenção e dedicação, vão acabar por começar a entrar no esquema do jogo e a ganhar cada vez mais controlo sobre a moto. Até lá, muitas quedas aparatosas vos esperam.

TT Isle of Man II

No que toca a menus e modos, o jogo é muito básico, mas acaba por ter o essencial. O Single-Player subdivide-se em modo carreira, corrida rápida, contra-relógio, Free Roam e num tutorial para tornar mais fácil a aprendizagem de comandos importantes. Já o Multi-Player pode ser jogado online ou offline contra amigos.

Ainda sobre os modos de jogo, o Free Roam funciona um bocado como Sandbox, permitindo andar de forma livre num dos mapas (Irlanda) e testar a moto e aprimorar habilidades sem a obrigatoriedade de cumprir um objetivo em concreto. Este modo também é ótimo para ganhar aquele calo inicial.

O modo carreira, apesar de não ter muitas opções de customização, está bem estruturado, obrigando os jogadores a começar de baixo (com contrato ou de forma independente) até conseguirem a desejada qualificação para o Tourist Trophy da Isle of Man (que pode não ser na primeira época).

Ao longo da carreira, são disponibilizados vários eventos a cada dia de prova (quanto mais difíceis, melhores são os prémios), permitindo uma gestão personalizada de calendário. O desempenho nesses eventos traz retorno para podermos melhorar a moto, de modo a ajudar a garantir a qualificação para a prova final, e consumíveis específicos que podem ser ativados antes de corridas, gerando vantagem competitiva. No modo carreira, também existe a opção Free Roam com alguns desafios, cujo prémio é dinheiro extra, algo que dá muito jeito. As boas e más notícias é que, apesar de ter havido melhorias em relação ao capítulo anterior, ainda há bastante espaço para melhorar.

Para principiantes, começar a jogar em Handheld Mode ou Tabletop Mode é um erro, na medida em que vai ser um choque muito grande a nível de jogabilidade, dificultando a aprendizagem inicial. Isto porque os gráficos têm qualidade inferior e o tamanho do ecrã da Switch torna muito difícil a perceção de profundidade e o desenvolvimento de reflexos em alta velocidade. Como tal, aconselho que comecem por jogar em TV Mode, onde os gráficos são superiores, fazendo com que seja mais fácil aprender a controlar a moto.

TT Isle of Man II

Ainda assim, os gráficos deixam um bocado a desejar, sendo que podem melhorar muito. Notei alguns problemas de desempenho a nível de renderização de imagem e atraso de reação face aos comandos, mas foi algo pontual. Não é grave, mas deixa a sensação que o jogo ainda não está 100% preparado para correr de forma fluida na Switch (poderá justificar o atraso no lançamento). Nada que um update não resolva, claro.

O facto do ZL e RL funcionarem de forma binária, ao contrário dos respetivos botões noutras consolas (que funcionam de forma progressiva), tornam a experiência de mudança de velocidade/travagem um pouco estranha, mas é uma questão de hábito. O Free Roam no modo carreira podia estar mais bem explorado e peca pela escassez de desafios. Para além disso, era de valor ser possível ter opção de escolher outros mapas para usufruir deste modo e conhecer melhor todas as pistas.

Apesar destas pequenas falhas, é preciso lembrar que este é só o segundo capítulo na franquia, pelo que fiquei com a sensação de que o futuro desta linha de simuladores (desportos motorizados) é promissor. TT Isle of Man II tem potencial para ser um rival à altura para MotoGP num futuro próximo.

A começar pelo modelo de competição, que é menos pensado e trabalhado, mas muito mais entusiasmante. Depois, o modo Free Roam, que é ótimo para passar tempo e descontrair da competição, tem um potencial enorme. Para terminar, a sensação de velocidade é muito superior, resultando numa maior adrenalina e gosto pela condução de motos.

Eu não sou o maior fã de motos, mas, se MotoGP me deixou bastante satisfeito, este jogo era o que faltava para me render e começar a ganhar interesse neste tipo de simuladores de corrida. Se procuram um jogo de corridas excitante, realista e que leve ao limite as vossas habilidades na Switch, TT Isle of Man II: Ride on the Edge é a resposta, trazendo consigo a promessa de diversão garantida por muito tempo – pelo menos até sair o próximo capítulo.

Ainda que a experiência em PC/PS4/Xbox possa ser superior à na Nintendo Switch relativamente aos gráficos, não é uma diferença muito notória. Portanto, o facto de poderem jogar este jogo em qualquer lado acaba por tornar vantajoso investir na versão da Switch.

Não se esqueçam é que vão ter de cair muitas vezes e ser persistentes, mas, ultrapassando esse obstáculo, o difícil é não viciar neste jogo.

Nota: Muito Bom

Plataformas: PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch
Este jogo (versão Nintendo Switch) foi cedido para análise pela Upload Distribution.

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