Ainda que apresente alguns problemas mecânicas que podiam ter sido resolvidos com maior polimento, Motorslice vem preencher um enorme vazio no género de ação e aventura com uma campanha repleta de saltos arrojados e um leque de habilidades que relembra os tempos áureos de Prince of Persia e Mirror’s Edge.
Enquanto os grandes estúdios colocam séries e géneros em hibernação, os indies continuam a sua missão de resgate. Esta é talvez uma das maiores verdades da atual indústria dos videojogos, agora que o desenvolvimento se tornou mais acessível para todos, com plataformas e programas à disposição dos mais curiosos e criativos. Se existe uma série ou género a precisarem de uma segunda oportunidade, o mais certo é que exista um projeto independente em forma de homenagem. No caso de Motorslice, a Regular Studio quis ressuscitar Prince of Persia, mais especificamente a trilogia Sands of Time, e Mirror’s Edge das catacumbas da Ubisoft e da EA, mas num mundo distópico, influenciado por Tsutomu Nihei e o manga BLAME!.
Motorslice não é apenas uma homenagem, mas é possível ver o ADN de Prince of Persia enquanto navegamos através da megaestrutura onde decorre a ação. Enquanto eliminamos escavadoras e camiões desgovernados com a nossa motosserra, temos de evitar todo o tipo de perigo enquanto saltamos entre paredes, pulamos entre candeeiros e deslizamos por canos à procura do caminho mais seguro. Apesar dos seus problemas, nomeadamente nos inputs e num certo magnetismo estranho entre a personagem e as plataformas – e a inclusão de sequências de diálogo que só desvirtuam o tom mais minimalista e solitário do jogo –, Motorslice mantém o género vivo e é muito divertido ao longo de nove capítulos e de enormes batalhas contra bosses gigantescos, revelando uma surpreendente influência também por Shadow of the Colossus.

Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Top Hat Studios.
