A Naughty Dog não quis repetir o lançamento desastroso de The Last of Us Part I no PC, trazendo a sua sequela bem mais otimizada, apesar de uma longa espera.
Desde 2020 que sinto que estou a viver os videojogos em loop, com The Last of Us a receber constantes relançamentos dos mesmos dois jogos que compõem a franquia. Nesse ano, tivemos o lançamento do aguardado e aclamado The Last of Us Part II na PlayStation 4. No ano seguinte, com a PlayStation 5 no mercado, esta sequela recebeu otimizações que nos deram mais uma razão para revisitar a traumática jornada de Ellie. Em 2022, voltámos ao primeiro jogo, com uma segunda conversão, categorizada como remake, em The Last of Us Part I, com gráficos modernizados para a PlayStation 5. Em 2023, essa viagem repetiu-se com uma conversão para PC. Esta repetição não ficou por aqui, pois em 2024, The Last of Us Part II regressou com novas otimizações, num novo pacote com o subtítulo Remastered, também para a PlayStation 5. E, finalmente, como seria de esperar, também no PC.
O lançamento de The Last of Us Part I no PC foi indiscutivelmente mau e apressado. Mesmo com sete meses de diferença da versão para a PlayStation 5, o tempo de otimização para uma plataforma aberta a diferentes configurações revelou-se um enorme desafio para a Naughty Dog e a Iron Galaxy Studios. Apesar de apostar no suporte a novas tecnologias presentes no PC e de prometer uma experiência de jogo superior à encontrada nas consolas, The Last of Us Part I apresentou, no seu lançamento, problemas graves de desempenho e crashes severos, mesmo em computadores topo de gama, comprometendo não só a experiência de jogo, como a sua importante narrativa. Com o tempo, as atualizações começaram a chegar e, eventualmente, o jogo ficou em muito melhor estado.
Para The Last of Us Part II Remastered, a Naughty Dog não quis repetir essa experiência agridoce. Para isso, juntou à produção a Nixxes, já habituada a conversões de jogos da PlayStation para PC. E em vez de uns meros meses, deu às suas equipas um ano e três meses para preparar o melhor pacote possível para os jogadores de PC.
Eu adoro The Last of Us, especialmente esta segunda parte, mas perdoem-me se não quiser voltar a comentar sobre a sua história, personagens, mensagens, temas ou jogabilidade. Especialmente agora, que vamos revisitar esta história não só com um jogo, mas também com a adaptação live-action da HBO para a Max. Desta forma, tudo o que tenho para oferecer é uma descrição e um breve testemunho do que é jogar The Last of Us Part II no PC – e a experiência não poderia ser mais positiva.
The Last of Us Part II Remastered para PC é, bem, The Last of Us Part II, agora no PC. A história é exatamente a mesma encontrada na versão para consola, e os extras recém-anunciados são também partilhados entre as duas plataformas. Neste tipo de análises, quando são positivas, costumo comentar que “este jogo é a sua versão definitiva” – uma afirmação que soa sempre bem para chamar a atenção, mas que nem sempre é 100% honesta, sobretudo quando as versões originais já são excelentes. Denominar The Last of Us Part II para PC como “definitivo” encaixa bem nesse caso, mas a melhor forma de o descrever é como uma excelente alternativa à versão da PlayStation 5, com vantagens para quem tem um PC potente.
Faço parte de um grupo de jogadores de PC que, felizmente, tem a oportunidade de jogar nas melhores definições possíveis. Mas isso não significa que seja sempre alcançável, pois a qualidade da experiência depende também do trabalho das equipas de desenvolvimento e conversão. Algo que The Last of Us Part I demonstrou bem isso pela negativa.
O meu sistema, composto por uma NVIDIA GeForce RTX 4090, um Intel Core i9-10900X, 32GB de RAM DDR4 e um SSD de alto desempenho, está bem acima dos requisitos recomendados, até mesmo do preset mais alto, Very High. Para além disso, esta configuração, combinada com um monitor LG UltraGear OLED 4K de alto desempenho, permitiu-me tirar partido de tecnologias como DLSS 3 da NVIDIA, DLAA e injeção de frames, frame rates desbloqueados, resoluções nativas elevadas, diferentes formatos de imagem (21:9, e 32:9, etc) entre outras funcionalidades.
Na prática, o jogo cumpre a promessa de oferecer uma experiência bem otimizada num PC capaz, sem necessidade de ajustes adicionais para correr no máximo. Ao longo das minhas sessões – até agora, joguei apenas as primeiras horas e fiz várias partidas no modo No Return –, não detetei problemas de frame-pacing, stuttering, glitches ou crashes severos.
Mas há um aspeto particularmente surpreendente em comparação com outros lançamentos recentes para PC: o seu desempenho. Apesar do suporte a tecnologias avançadas da NVIDIA, não encontrei necessidade de ativar opções como DLSS ou injeção de frames, para ter uma boa experiência de jogo. Na realidade, recorrendo ao exigente DLAA, em 4K nativos, sem injeção de frames, o jogo atinge uns impressionantes 100-110 FPS em ambientes abertos e entre 120-140 FPS em espaços fechados, dependendo da ação em cena.
Estes impressionantes valores são de extrema importância para um jogo deste calibre, pois não só garantem uma experiência na sua melhor forma, como me permitem ficar mais imerso e abstraído do ruído das métricas, proporcionando assim uma jogabilidade mais fluida e consistente, semelhante à experiência nas consolas. Mas, neste caso, sem comprometer a qualidade visual melhorada.
Claro que este alto desempenho só é possível numa máquina bem equipada, e computadores mais modestos precisarão de ajustes. No entanto, um excelente indicador de desempenho em hardware menos potente é a nossa adorada Steam Deck OLED.
Em The Last of Us Part I, o desempenho do jogo na máquina da Valve deixava muito a desejar, tendo sido necessárias atualizações até atingir um nível que considero jogável. No entanto, a situação é bem melhor com a segunda parte. Assim que é instalado, The Last of Us Part II Remastered não requer qualquer afinação por parte do utilizador – mas podem ser feitas. Na realidade, a Nixxes oferece até um preset dedicado à Steam Deck, com as definições que considera ideais para uma experiência otimizada. É, no fundo, um preset focado em definições Baixas, apontando para um alvo de 30FPS, mas, ao contrário de outros jogos modernos, não necessita de recorrer a técnicas de reconstrução de imagem (como o FSR da AMD ou o XeSS da Intel) para atingir esse objetivo.
Apesar das definições reduzidas, na prática a qualidade de imagem no ecrã da Steam Deck revela-se limpa e nítida. Para além disso, o nível de detalhe em elementos como texturas, sombras, modelos e efeitos de pós-processamento não compromete a experiência visual. Já o alvo de 30FPS cumpre-se de forma consistente, mantendo-se estável durante quase todo o tempo. No fundo, The Last of Us Part II Remastered na Steam Deck oferece uma experiência muito próxima da encontrada na versão original de 2020 para a PlayStation 4, mas em formato portátil. Sem dúvida, este é um daqueles casos em que o selo de Verificado na Steam Deck faz justiça às expectativas.
Com um nível de otimização tão cuidado como o de The Last of Us Part II Remastered para PC, esta é, provavelmente, uma das melhores conversões de um jogo da PlayStation. Claro que a experiência poderá variar consoante a configuração do hardware, mas sinto que a promessa foi cumprida, tornando-se uma excelente alternativa – mas nunca uma substituição – à versão da PlayStation 5, que também recebeu melhorias nativas na PlayStation 5 Pro.
E com esta versão, espero que a Naughty Dog se dedique finalmente apenas ao suporte do jogo, sem mais relançamentos, pois não imagino como poderiam melhorá-lo substancialmente.
The Last of Us Part II Remastered está disponível para PC via Steam e Epic Games Store.
Cópia para análise (versão PC) cedida pela PlayStation Portugal.