Trabalhos na encosta da Figueirinha decorrem após queda de rochas e deverão permitir reabrir a via até ao final do mês.
As obras de remoção de material rochoso na encosta da Praia da Figueirinha, na Serra da Arrábida, arrancaram a 19 de maio, com o objetivo de repor condições mínimas de segurança e permitir a reabertura condicionada da circulação até ao final do mês. A intervenção surge na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin, que levou ao desprendimento de blocos e comprometeu os sistemas de contenção existentes.
A operação, promovida pela Câmara Municipal de Setúbal, incide sobre a zona onde as barreiras dinâmicas foram atingidas pela queda de rochas e detritos. Desde o início de fevereiro que a circulação na Rua Círio da Arrábida, entre o acesso ao Hospital do Outão e a Praia da Figueirinha, se encontra interdita a veículos e peões, devido ao risco associado à instabilidade da encosta.
No terreno, os trabalhos concentram-se na limpeza dos taludes e na estabilização das estruturas de contenção. As equipas estão a remover vegetação e blocos rochosos soltos, ao mesmo tempo que intervêm nos sistemas de cabos e redes dinâmicas, afetados pelo impacto e pela sobrecarga de materiais. O objetivo imediato passa por reduzir o risco de novos deslizamentos e criar condições para uma circulação controlada.
A solução prevista para esta fase implica a reabertura parcial da via, limitada a uma faixa de rodagem e com a manutenção de uma zona de segurança junto à encosta. Esta medida deverá permitir o regresso do acesso à Praia da Figueirinha, nomeadamente através de transporte público, ainda que com restrições.
De acordo com a autarquia, esta intervenção corresponde a uma resposta inicial a um problema estrutural mais alargado. Estão já em preparação projetos para uma segunda fase de trabalhos, a avançar após a época balnear, que incluem a estabilização dos restantes taludes da Serra da Arrábida afetados pela tempestade e a recuperação integral da faixa rodoviária.
Os danos registados resultam de fenómenos meteorológicos extremos associados à tempestade Kristin, que provocaram a queda de blocos rochosos de grandes dimensões e acumulação de detritos ao longo da encosta. Esta situação levou ao colapso das barreiras dinâmicas superiores, incapazes de suportar o volume de material acumulado.
A sobrecarga causou a deformação dos pilares de suporte e das redes de retenção, que acabaram por ceder e transferir esforço para os níveis inferiores do sistema. Este efeito em cadeia agravou o risco de falha estrutural generalizada, aumentando a probabilidade de novos desprendimentos e de projeção de rochas sobre a via.
Face a este cenário, foi determinado o encerramento preventivo do troço, tendo em conta o perigo para a circulação rodoviária e para a segurança de pessoas e bens. A intervenção agora em curso pretende reduzir esse risco no curto prazo, enquanto se prepara uma solução definitiva para a estabilização da encosta da Praia da Figueirinha, uma das zonas mais frequentadas da Arrábida.
