Música – Álbuns essenciais (abril 2021)

No meu mês de anos, antecipava um leque de álbuns de artistas que me são familiares, e foi o que aconteceu. No entanto, foram os que mais desiludiram (das quais The Offspring, Royal Blood e Porter Robinson). Ainda assim, “em abril álbuns mil”, e há alguns que merecem ser falados.

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Os destaques? AJ Tracey deu mais um passo na direção certa para se evidenciar no panorama rap do Reino Unido; Brockhampton lançam o primeiro dos dois álbuns finais da banda; Julia Stone regressa com aquele que deve ser o seu melhor trabalho a solo; e Sharon Van Etten faz um remaster de celebração ao seu álbum Epic, com presenças muito distintas e especiais. Isto e muito mais já em seguida.

[Artigo de álbuns essenciais de Março]

AJ Tracey – Flu Game

aj tracey flu game

Género: Rap/Trap

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As referências quer na capa do álbum, quer no nome do mesmo, são claras: Michael Jordan em concreto, basquetebol no geral. Em relação às músicas em si, têm o seu quê de UK Drill, mas concentram-se em batidas mais aproximadas do Rap festivo.

Não é um álbum extraordinário, mas é sólido e tem faixas que, certamente, vão pautar o portfólio deste rapper britânico em ascensão.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Kukoč (ft. NAV)
> Cheerleaders
> Eurostep
> Little More Love
> West Ten (ft. Mabel)

Brockhampton – Roadrunner: New Light, New Machine

brockhampton roadrunner

Género: Rap

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O lançamento deste álbum veio acompanhado de más notícias: será lançado mais um álbum em 2021, que será o último da banda.

O anúncio desta separação levanta um ponto que quero abordar já há algum tempo: a dificuldade crescente de manter bandas unidas, a longo prazo, na indústria musical.

Não é mentira nenhuma quando se diz que os elementos mais difíceis de substituir numa banda são os vocalistas. Apesar de, atualmente, o protagonismo ser menos repartido entre os vocalistas e restantes membros da banda, também existe bastante distinção entre bateristas, baixistas e, sobretudo, guitarristas. O problema prende-se com dois fatores que vieram remar na direção que a indústria musical se encontra: as músicas, para serem comercializáveis, não podem ter mais de quatro minutos (daí muitas vezes existirem versões editadas exclusivamente para rádio), rematando o foco para as partes da músicas com vocais, o que impede os restantes músicos de mostrar o ar da sua graça através de solos; e cada vez mais, um vocalista com formação musical, consegue fazer todo o trabalho de uma banda sozinho.

Julgo que o ponto de viragem em que os vocalistas começaram a perceber o poder que tinham foi após a morte do Freddy Mercury. Mais do que os instrumentos, as vozes são únicas, carismáticas e insubstituíveis e, como tal, diferentes vocalistas mudam completamente qualquer música.
Este problema ganha contornos sérios quando o tema é a divisão de dinheiro, pois é chato haver discrepâncias quando todos os artistas estão em palco a contribuir de forma equilibrada para um produto final que é a “música”.

Os Brockhampton são uma banda composta atualmente por 13 elementos (já foram 16), dos quais 11 estão diretamente ligados à produção musical, sendo que, desses, seis são vocalistas. É difícil imaginar como é feita a distribuição de dinheiro. Depois ainda há outra problemática em manter as bandas unidas: o facto de nem toda a gente conseguir trabalhar bem em conjunto. Quantos mais, maior a probabilidade disso acontecer, graças a egos, teimosias e ideologias distintas. A era digital só veio acelerar o processo de separação das bandas (mas isto já é um ponto para falar noutra ocasião).

Este álbum, apesar de ter vários convidados especiais (A$AP Rocky, A$AP Ferg, Baird, Danny Brown, JPEGMAFIA, SoGone SoFlexy e Charlie Wilson), continua a ser um disco onde os Brockhampton seguem iguais a eles próprios, com exceção deste ser um trabalho mais puro no que toca a Rap, contrastando com álbuns anteriores, onde as sonoridades mais Funky eram uma constante.

O desejo que fica é que, se a banda se vai separar, que seja com estrondo. Este álbum cumpriu com as expectativas com sucesso. Venha o último!

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> BUZZCUT (ft. Danny Brown)
> BANKROLL (ft. A$AP Rocky & A&AP Ferg)
> I’LL TAKE YOU ON (ft. Charlie Wilson)
> WHAT’S THE OCCASION?
> DON’T SHOOT UP THE PARTY

Cory Hanson – Pale Horse Rider

cory hanson pale horse rider

Género: Chamber Pop/Neo-Psychedelia

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Música que faz bem à alma. Gravado no estúdio de casa de Cory Hanson, em Joshua Tree, Pale Horse Rider é daqueles álbuns que transcendem a música e captam o estado de espírito do local onde foram produzidos, neste caso com sonoridade muito cósmica.

É caracterizado por melodias suaves e coesas com um toque de psychedelia e letras que captam sentimentos melancólicos e sorumbáticos, mas que, ao mesmo tempo, aquecem o coração como se de uma mão amiga no ombro de tratasse.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Paper Fog
> Angeles
> Bird of Paradise
> Pigs

Dawn Richard – Second Line

dawn richard second line

Género: Alternative R&B/Electronic

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Longe vão os tempos das Danity Kane sob a alçada de Sean Combs (mais conhecido como P. Diddy), mas Dane Richard aproveitou o empurrão e, das cinco integrantes da banda Pop/R&B montada em laboratório, foi a única que conseguiu materializar as suas qualidades musicais para uma carreira a solo.

Só na última década lançou quatro álbuns, todos eles de qualidade. Nesta década, já com 37 anos, continua o legado com a frescura e brilho de quem acabou de começar a carreira. Second Line parte na linha da frente no que toca a Alternative R&B.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Nostalgia
> Boomerang
> Bussifame
> Pressure
> Mornin | Streetlights
> SELFish (Outro)

Dinosaur Jr. – Sweep It Into Space

dinosaur jr sweep it into space

Género: Alternative Rock

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A primeira coisa que me vem à cabeça quando ouço este álbum dos Dinosaur Jr. é “Pearl Jam”. Apesar de ser muito homogéneo quando colocado a tocar intercalado com trabalhos anteriores, consegue ter a qualidade e força de vontade para se distinguir como um bom álbum. Verdade seja dita também, os Dinosaur Jr. já fazem música juntos desde 1984, logo chega a um ponto que não só é arriscado tentar algo diferente, como imprudente para o legado da banda.

No fim do dia, o mais importante é manter os fãs satisfeitos, conservando o seu apoio, e este álbum é uma autêntica prenda nesse aspeto. Nota para o trabalho de guitarra fantástico de J. Mascis.

Resumindo, os Dinosaur Jr. estão como querem, na flor da sua carreira.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> I Ain’t
> To Be Waiting
> Hide Another Round
> And Me

Dropkick Murphys – Turn Up That Dial

dropkick murphys turn up that dial

Género: Celtic Punk/Hardcore Punk

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Já vem um bocado fora de horas, mas se costumam celebrar o St. Patrick’s Day só pela temática festiva e pelo facto de envolver um ambiente amigável, têm aqui um bom set de músicas para integrar na vossa playlist.

A verdade é que também não existem muitas bandas de Celtic Punk, mas dentro do género, os Dropkick Murphys são os mais populares, muito graças a músicas célebres como “I’m Shipping Up To Boston” ou “Rose Tattoo”.

Este álbum consegue manter a fórmula de sonoridade celta, juntamente com refrães perfeitos para cantar em conjunto. Embora não tenham a pujança de outros tempos, continuam com uma vitalidade invejável, já na casa dos 50.

Classificação do álbum: ★★

Músicas a ouvir:

> Turn Up That Dial
> L-EE-B-O-Y
> Queen Of Suffolk County
> Smash Shit Up

Dry Cleaning – New Long Leg

Dry Cleaning New Long Leg

Género: Post-Punk/Post-Rock

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Tenho a certeza que este é um álbum que vai agradar a poucos à primeira reprodução, porque não tem nenhum “auge” propriamente dito, nem nada que nos falta saltar da cadeira. No entanto, não tem uma única música menos boa, de uma ponta à outra. A forma como Florence Shaw se atira a cada canção, com serenidade, indiferença e ponderação não só cria uma aura cool, como dá espaço ao resto da banda para brilhar nos respetivos instrumentos (nota para os riffs). O resultado desde trabalho conjunto é um produto final hipnotizante, sem pressa para chegar a lado nenhum, mas com o poder de se enraizar nos nossos canais auditivos.

Isto já foi feito no passado por outras bandas e, ainda assim, parece que os Dry Cleaning descobriram a fórmula secreta no seu álbum de estreia.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Scratchcard Lanyard
> Strong Feelings
> Her Hippo
> New Long Leg
> John Wick

girl in red – If I Could Make It I Would

girl in red if i could make it go quiet

Género: Indie Pop/Dream Pop

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Da Noruega para o mundo, Marie Ulven Ringheim lança finalmente o seu álbum de estreia (produzido por Finneas), ao fim de três anos a lançar singles e este é composto por tudo o que foi prometido até então. Sonoridades fáceis de absorver, a um ritmo semi-acelerado com influências do indie rock, que se condensam e misturam quimicamente com a voz “deram-pop” de Ulven.

Já as letras continuam com o grau de intimidade dos singles que começaram a fazer de Ulven o novo prodígio do panorama Teen Pop. Com este álbum, grita que Ulven é mais do que uma wonderkid. É a próxima grande promessa do Pop e já só falta o mundo reconhecer esse facto.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Serotonin
> Body and Mind
> Midnight Love
> You Stupid Bitch

Julia Stone – Sixty Summers

julia stone sixty summers

Género: Folk/Dance-Pop

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Como fã de longa data dos irmãos Stone, que pautaram o panorama Folk na transição para a década que passou e meteram o mundo a cantar a “Big Jet Plane” em uníssono, é sempre com antecipação que aguardo qualquer álbum de Angus e Julia (em conjunto ou a solo). Apesar de não ter gostado particularmente do trabalho que fizeram com Rick Rubin em 2014, nem do álbum que o sucedeu, valeu pelo facto de termos tido outra oportunidade para ver os dois irmãos juntos novamente, após a separação premeditada em 2010.

Ambos lançaram carreiras a solo e Angus Stone foi o primeiro a conseguir atingir o sucesso, neste caso com Broken Brights, em 2012. Já Julia Stone precisou de 11 anos, mas valeram a espera.

Em Sixty Summers, apesar de ter mantido tudo o que a caracteriza a nível vocal, em sonoridade saiu da área de conforto e, com a ajuda da magnífica St. Vincent, produziu um álbum diferente. Quem gosta do material produzido por Lykke Li vai encontrar em Sixty Summers mais um álbum para desfrutar.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> Break
> We All Have (ft. Matt Beringer)
> Substance
> Dance
> Who
> Easy

Nick Waterhouse – Promenade Blue

nick waterhouse promenade blue

Género: Rhythm and Blues

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Promenade Blue, com destaque para o “blues”, é um álbum que traz entretenimento e nostalgia de uma ponta à outra. Nos dias de hoje, a abordagem musical que este álbum oferece pode soar estranha, mas, nos anos 60, qualquer uma das faixas deste álbum podia ser ouvida na rádio.

Como alguns chamam a este álbum e eu tenho de concordar: Uma carta de amor a outros tempos.
O mais fascinante é mesmo como Nick Waterhouse se transforma de álbum para álbum. Talento não lha falta, mas a altura de encontrar o seu som e apostar nisso está aí. A questão é: Será que é este?

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Place Names
> Vincentine
> Very Blue
> Proméne Bleu

Rhiannon Giddens – They Are Calling Me Home

rhiannon giddens they are calling me home 1

Género: Folk/Country

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Seis dias na Irlanda (onde tem parte da sua vida), foi o tempo necessário para Rhiannon Giddens criar esta obra de arte. They Are Calling Me Home prima pela simplicidade, sem que para a conseguir tenha sido preciso abdicar do que quer que seja. Tudo neste álbum é glorioso e merece ser celebrizado, mas quero ressalvar a química musical entre Giddens e o multi-instrumentalista Francesco Turrisi (no 2º álbum em conjunto), que é só sublime.

Para além de cantora de Folk, Giddens também tem treino como cantora de ópera e, neste álbum, dá o ar da sua graça com “Si Dolce è’l Tormento”, que apesar de destoar um pouco da lista de músicas integradas, brilha tanto ou mais que as restantes faixas.

Nome recorrente nas listas de nomeados para Grammy’s, tendo já conquistado um, tem aqui a oportunidade prefeita para sacar o 2º (e 3º até).

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> Avalon
> Si dolce è’l Tormento
> I Shall Not Be Moved
> O Death
> Waterbound

Royal Blood – Typhoons

royal blood typhoons

Género: Dance-Rock/Alternative-Rock

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Por onde começar? Depois de Foo Fighters, Kings of Leon e The Offspring, foi a vez de os Royal Blood darem a 4ª desfeita do ano, isto no que toca a música rock. Não é que o álbum esteja mau, mas continuo na esperança que consigam igualar o álbum de estreia. Ainda não foi desta.

Continuam a afastar-se do Garage Rock e Stoner Rock e, neste álbum, assumem uma vertente mais festiva a tocar na dance music. Por um lado, é bom assistir à evolução das bandas com base na necessidade, mas, neste caso concreto, acho que os Royal Blood de Rock puro ainda tinham muito para dar.

Ainda assim, dentro do Dance-Rock conseguiram sucesso comercial imediato, visto que a “Trouble’s Coming” aparece no soundtrack dos jogos FIFA 21 e NHL 21.

Classificação do álbum: ★★★½

Músicas a ouvir:

> Trouble’s Coming
> Who Needs Friends
> Limbo
> Mad Visions

Sharon Van Etten – Epic Ten

sharon van etten epic ten

Género: Various Genres

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Como celebração ao 10º aniversário de Epic, Sharon Van Etten relançou o álbum na versão de disco duplo. Enquanto que, no disco 1, podemos revistar as sete músicas originais, no disco 2 somos presenteados com algo muito especial. Falo das mesmas sete músicas, mas interpretadas por oito artistas/bandas distintas: Big Red Machine, IDLES, Lucinda Williams, Shamir, Courtney Barnett & Vagabon, St. Panther e a fantástica Fiona Apple.

Esta reedição vem provar duas coisas: a primeira é que a música de Sharon Van Etten está a envelhecer bem; a segunda é que as sete faixas originais são tão boas que, mesmo sendo interpretadas por artistas tão distintos, com uma abordagem tão díspar no que toca a géneros musicais, continuam todas elas a ser especiais à sua maneira!

Se isto não é um elogio enorme à capacidade criativa e de escrita de Sharon Van Etten, então não sei o que será. Até podia ser suspeito, uma vez que considerei a “Seventeen” a melhor música de 2019, mas a verdade é que Sharon Van Etten é, de facto, fantástica.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

Apesar de achar que há interpretações melhores que outras, também considero que toda a gente devia ouvir a versão original de cada uma, seguida pelo cover da mesma. Espero que encontrem a mesma satisfação que eu e consigam tirar o maior partido deste álbum de celebração.

Quero aproveitar para ressalvar o Extended Play Civilization II, de Kero Kero Bonito, que, apenas com três faixas, está muito bem conseguido. A sonoridade cambaleia entre Grimes, Crystal Castles e The Naked and Famous, o que para fãs de electropop é um álbum a ter em conta.

Começo a recuperar terreno, por isso espero daqui a duas semanas já ter o essenciais de maio pronto. Até já!

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