Crítica – Wonder Woman 1984

Wonder Woman 1984 merece ser visto no grande ecrã! Mesmo com os seus problemas, é uma explosão de entretenimento e uma história perfeita para terminar este ano de 2020 no cinema.

Crítica - Wonder Woman 1984
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O género de super-heróis tem crescido exponencialmente durante a última década. Sabendo disto, é, no mínimo, bizarro, estarmos prestes a terminar 2020 e somente filmes como Birds of Prey e The New Mutants terem estreado no cinema, ao invés de, literalmente, dezenas de filmes da Marvel e outros DC.

Felizmente, a Warner Bros. decidiu lançar Wonder Woman 1984 antes do final do ano, mas nem todos o conseguirão ver no grande ecrã. A maioria das pessoas só terá a possibilidade de assistir a um dos poucos blockbusters de 2020 assim que o mesmo for lançado em VOD ou em Blu-ray. Já nos Estados Unidos, os americanos poderão ver o filme diretamente no HBO MAX, serviço de streaming que, para já, só está mesmo disponível naquele país. Há ainda uns quantos sortudos que podem ver este filme visualmente épico nos cinemas, dependendo das regras pandémicas em cada país.

Bem, sou uma dessas pessoas sortudas que tiveram a oportunidade de terminar 2020 numa nota positivamente imersiva depois de assistir ao último filme de Patty Jenkins numa sala IMAX quase vazia (paraíso). Se me seguem há algum tempo, sabem que sou um acérrimo defensor da chamada “experiência cinemática”, pelo que não posso esconder o facto de me ter sentido extremamente emocionado ao entrar numa das melhores e maiores salas de cinema em Portugal para testemunhar aquele que, para mim, era um dos filmes mais antecipados de 2020.

Até 2017, a DCEU lutou para entregar uma obra altamente adorada até Wonder Woman chegar para salvar a situação. Foi um dos meus filmes favoritos desse ano, logo estava obviamente entusiasmado para a sequela, ainda para mais tendo em conta as circunstâncias atuais.

Na minha opinião, esta sequela está próxima do primeiro filme. Com um longo tempo de duração conhecido por ser associado a filmes absolutamente épicos, estava confiante de que WW84 poderia apresentar-se não só como um filme sólido, mas, também, com vilões decentes.

Crítica - Wonder Woman 1984

Bom, Kristen Wigg e Pedro Pascal são, definitivamente, dois dos destaques. Patty Jenkins, Geoff Johns e David Callaham tomaram a decisão certa ao dedicar uma parte significativa do argumento a Barbara Minerva e Max Lord. Os seus arcos estão longe de serem inovadores, mas são mil vezes mais eficazes do que a narrativa do “saco de pancadas CG”.

Barbara segue o arquétipo “solitária, insignificante, ninguém se importa comigo” e Wiig faz um trabalho surpreendentemente notável em retratar esta personagem, mas é o argumento que realmente a faz brilhar. Ao início, os seus maneirismos cómicos deixaram-me de pé atrás em relação ao quão gostaria da personagem. No entanto, com o passar do tempo, é quase inevitável sentir pena de Barbara, que torna as suas motivações futuras compreensíveis e perfeitamente naturais. Por outro lado, Max Lord é, aparentemente, uma explosão de convicção, mas a sua vida não é tão incrível como muitos pensam. Desta vez, é Pedro Pascal quem acaba por elevar a personagem, oferecendo uma prestação brilhante com a quantidade certa de expressões over-the-top.

Embora estes dois sejam magníficos, Gal Gadot continua a provar que é uma das melhores escolhas de elenco do milénio ao interpretar Diana Prince, também conhecida como Wonder Woman. Não consigo imaginar outra atriz no papel e que atire com tanto vigor o Lasso of Truth, incorporando a essência da personagem tão perfeitamente como Gadot. Neste filme, a atriz foi capaz de lidar com cenas altamente emocionais, conseguindo ser fantástica em todas. A sua química com Chris Pine (Steve Trevor) é palpável do outro lado do mundo e as suas interações passam por todas as zonas do espetro de emoção. Em relação a Steve, não vou obviamente contar como é que voltou ou detalhes sobre o seu arco, mas posso escrever com segurança que a sua presença no filme é necessária e lógica.

Crítica - Wonder Woman 1984

O maior elogio que vou oferecer a esta sequela diz respeito ao seu argumento e realização. Finalmente, posso escrever com confiança que a DCEU é capaz de produzir uma história bem estruturada e bem desenvolvida com personagens bem escritas. Não tem tanta ação quanto o original, mas não senti o peso dos 151 minutos. Wonder Woman 1984 flui incrivelmente bem devido à capacidade de Jenkins em preencher o tempo de execução (praticamente) apenas com cenas importantes. Existe uma ligeira “persistência excessiva” na tentativa de enviar uma certa mensagem (já lá chego), mas, em termos de história, não removeria nem um segundo. Mesmo os momentos de comic relief, particularmente com Pine (que cria um paralelismo com a Diana do primeiro filme), são bem-vindos e oportunos.

As cenas de ação podem ser poucas em quantidade, mas as que o público recebe são longas, complexas e tecnicamente complicadas. Só a sequência de abertura quase me fez chorar devido ao quão épica parece e soa. A poderosa banda sonora de Hans Zimmer, a edição limpa de Richard Pearson e a câmara de Matthew Jensen trabalham juntas para apresentar uma longa, grandiosa e ampla visão de uma pista de obstáculos olímpica com a Diana jovem. Durante todo o filme, a ação é colorida, vibrante, divertida e repleta de entretenimento… exceto no confronto (supostamente) climático.

Para ser justo, existem dois climaxes nos últimos trinta minutos, visto que WW84 possui dois antagonistas. Um deles é fechado de forma impecável, com o nível emocional ao mais alto nível. Nada de negativo a apontar. No entanto, a sequência de luta principal contrasta inexplicavelmente com o resto da ação do filme. As cores vibrantes desaparecem e são substituídas por um cinzento dececionante, o que torna difícil reparar numa das personagens envolvidas (que partilha o mesmo tom de cor), transformando uma batalha final épica numa coleção incompreensível e desapontante de cortes, socos e gritos. O fato dourado de Gadot é muito menos cativante (e mal iluminado) do que o seu conjunto original e o arco de Barbara termina sem fecho.

Além disso, Jenkins insiste demasiado em passar para o público a mensagem de que a ganância traz consequências horríveis. “Tenham cuidado com o que desejam”, “dinheiro e poder não compram felicidade”, “sejam gratos pelo que têm” e as mensagens neste sentido são repetidas continuamente (implícita e explicitamente). Admito que pode ser um nitpick meu e que outras pessoas possam nem reparar, mas não consegui deixar de sentir que alguns momentos soaram e/ou pareceram muito repetitivos e um bocado preachy. Também é um pouco estranho o facto da premissa oficial mencionar Wiig como Cheetah, mas esta palavra não ser mencionada uma única vez em todo o filme… Mas não se enganem: estou muito contente por WW84 ser o último filme que assisto no cinema este ano!

Crítica - Wonder Woman 1984

Resumindo, Wonder Woman 1984 prova que a DC continua no caminho do sucesso, entregando um filme bem estruturado e bem desenvolvido da DCEU, sem necessitar de uma quantidade absurda de CGI e/ou vilões nada memoráveis. O argumento extensivamente trabalhado de Patty Jenkins, Geoff Johns e David Callaham torna o longo tempo de execução adequado devido não só às sequências de ação épicas, emocionantes e tecnicamente soberbas, mas também devido aos heróis e antagonistas notavelmente bem escritos.

Gal Gadot e Chris Pine são fantásticos juntos, mas Kristen Wiig e Pedro Pascal roubam o espetáculo ao interpretar as novas personagens. Com dois “vilões” surpreendentemente cativantes e relacionáveis, WW84 ostenta uma narrativa sólida e elaborada que tive sorte de testemunhar no grande ecrã. Infelizmente, a batalha climática é desapontante e incolor, o arco de Barbara Minerva termina abruptamente sem um verdadeiro fecho e Jenkins insiste em demasia na mensagem temática da história. Estas questões podem afetar mais ou menos espetadores, mas disto não tenho dúvidas: é um dos filmes com mais entretenimento do ano inteiro, digno de ser visto num cinema enorme.

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