Crítica – Tyler Rake: Operação de Resgate

Chris Hemsworth brilha neste filme cheio de ação brutal.

Extraction

Tyler Rake (Chris Hemsworth) é um destemido mercenário clandestino sem nada a perder, contratado pelas suas capacidades para resgatar o filho raptado de um patrão do crime internacional. Mas no mundo obscuro do tráfico de armas e drogas, uma missão já por si mortífera torna-se praticamente impossível, alterando para sempre as vidas de Rake e do rapaz.

São muitas as vezes em que não se consegue descobrir quem está realmente no controlo de um filme em particular. Será que o realizador é verdadeiramente o responsável por todas as escolhas criativas e técnicas? Terão os produtores mão em grande parte do filme? Ou foi o elenco que carregou tudo? Tyler Rake: Operação de Resgate pode ser a estreia de Sam Hargrave na cadeira da realização, mas tem sido stunt coordinator em filmes da Marvel, trabalhando com os irmãos Russo em Captain America: Civil War e Avengers: Endgame. A complexidade de cada coreografia grita os seus nomes a todos os níveis.

Mas atenção, não quero retirar qualquer crédito a Hargrave. Tem uma visão clara de como o filme deve ser e dá-nos a melhor película de ação original da Netflix de sempre. Embora seja verdade que esta última frase não significa muito, é genuinamente muito bom e bem melhor do que qualquer outro filme do mesmo género originalmente distribuído por esta empresa de streaming. Dois componentes-chave fazem de Tyler Rake: Operação de Resgate um sucesso: a sua ação inacreditável, de fazer cair o queixo, e a extraordinária prestação física (e emocional) de Chris Hemsworth.

Vou começar com o último. Chris Hemsworth é um dos atores no ativo mais underrated da indústria. Todos olham para a sua interpretação de Thor na MCU e assumem que não consegue fazer mais nada. Em primeiro lugar, Thor é uma das personagens que mais mudaram dentro desse universo. Chris demonstrou o seu alcance dramático e cómico ao representar este superherói. No entanto, em Tyler Rake: Operação de Resgate, não só a sua exibição física e stunts são impressionantes (faz um monte delas), como Chris também é capaz de abrandar e mergulhar num estado emocionalmente bastante convincente. Performance brilhante!

Mesmo assim, a ação rouba todos os holofotes. Joe e Anthony Russo ajudam Hargrave a trazer a experiência que possuem da Marvel em ter que balançar dezenas de personagens ao mesmo tempo, e a coreografia insana eleva imenso o filme. Durante a campanha de promoção, foi-se comentando sobre um oner deslumbrante (sequência de um take contínuo) que o próprio Chris Hemsworth descreveu como “a sequência de ação mais complicada” que alguma vez teve de fazer… Não estavam a brincar nem a “vender” em demasia o filme. É, honestamente, uma obra de arte.

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Fiquei tão surpreendido com aqueles (aproximadamente) doze minutos que parei o filme, voltei atrás e assisti de novo. Acredito que é uma das vantagens de poder ver em casa ao invés de no cinema. Só para esclarecer, não é, de facto, apenas um take. É uma coleção de takes longos “costurados” juntos para fazer parecer (e sentir) um oner (tal como recentemente 1917 fez, mas em maior escala).

No entanto, isto não diminui a realização incrivelmente técnica de forma alguma, muito pelo contrário. Os takes longos estão repletos com todos os tipos de ação: perseguições com carros, tiroteios, lutas com facas, combate mão-a-mão, corridas, saltos… É só escolher.

Vou-me colocar em risco e afirmar que é um dos melhores oners de um filme de ação nos últimos anos, especialmente se não contarmos com as duas melhores sagas de ação de hoje em dia (Mission: Impossible, John Wick). Durante todo o tempo de execução, a ação é excecionalmente filmada. A edição é impecável, o entusiasmo está sempre presente e o sentido de urgência nunca se perde. Raramente se torna exagerado e, sempre que o protagonista é atingido, cortado ou mesmo baleado, nunca dá a sensação de que deveria cair no chão e morrer.

É a base de realismo dentro de um filme de ação que pode torná-lo um sucesso brutal ou um fracasso gigante, e Tyler Rake: Operação de Resgate construiu uma muito sólida.

Este filme tem todos os ingredientes do entretenimento-pipoca e estou confiante de que receberá grandes elogios, pelo menos da audiência geral. No entanto, é evidente que os irmãos Russo e Hargrave não ofereceram ao argumento o mesmo cuidado que tiveram com a ação. Mesmo sendo uma premissa bastante simples, as tentativas de tornar personagens secundárias importantes ou emocionalmente ressoantes falham completamente o seu alvo. Até o próprio Tyler Rake tem uma história bastante clichê que todos já viram centenas de vezes. Tive dificuldades em importar-me com uma única pessoa ou relação.

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A razão por detrás de todo o procedimento de extração ser devido a alguns “líderes da droga” é tão formulaica que, honestamente, começa a tornar-se irritante de tão pouco imaginativa que é. Não há, sequer, uma razão lógica para estes estarem a lutar um contra o outro por causa de um miúdo. O filme também termina deixando imensas perguntas sem resposta sobre o seu enredo e ainda com uma tentativa absurda de tentar ou ser filosófico ou realmente arruinar todo o filme.

Finalmente, nunca fui fã de filmes que começam com um flashforward do protagonista, especialmente neste género. Retira toda a tensão e suspense durante o filme em si, visto que o espetador sabe que a dita cena ainda não aconteceu.

Tyler Rake: Operação de Resgate será recordado pela sua ação brutal e pela prestação fantástica de Chris Hemsworth. Este último é um dos atores mais underrated a trabalhar hoje em dia e entrega não só uma performance física fenomenal, mas também uma interpretação emocionalmente poderosa.

A ação deixa-nos a todos de boca aberta, a todos os níveis. A coreografia espetacular, em conjunto com uma edição perfeita, são capazes de transformar a ação em algumas das melhores que vi nos últimos anos, incluindo um oner tecnicamente alucinante. Os níveis de entusiasmo são super altos durante todo o tempo de execução e esse crédito tem de ir não só para os irmãos Russo, mas também para o estreante Sam Hargrave (que definitivamente deixa a sua marca em termos de ação), que juntos realizam um filme excelente.

No entanto, o foco foi todo para a ação, fazendo com que a história e as suas personagens sofressem com narrativas formulaicas, clichês e uma falta de ligação emocional. Ainda assim, Tyler Rake: Operação de Resgate é o melhor filme de ação original da Netflix da sua história, por isso, não o percam!

Tyler Rake: Operação de Resgate estreia a 24 de abril na Netflix.

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