Crítica – “Avengers: Endgame”

por Manuel São Bento

Depois do estalar de dedos de Thanos, que dizimou metade da população do universo e parte da equipa dos Avengers, os que sobreviveram têm de tomar uma posição final em Avengers: Endgame, o grande desfecho dos 22 filmes da Marvel Studios. Um dos filmes mais antecipados do ano (década, século, e até mesmo de sempre) e parte de uma das sagas mais bem sucedidas alguma vez criadas: Marvel Cinematic Universe (MCU).

Não se preocupem. Esta vai ser uma crítica muito vaga e sem quaisquer spoilers. Neste preciso momento, enquanto escrevo esta frase, ainda estou a processar tudo o que vi e como vou explicar como me senti sem dar um único spoiler, por mais pequeno que seja. Em primeiro lugar, é uma mistura de sentimentos. Por um lado, sinto-me extremamente feliz por ter a sorte de estar vivo durante este tempo épico e ter a oportunidade de seguir estas personagens que tanto adoro e me importo com. Por outro lado, estou obviamente triste por finalmente ter chegado ao fim desta primeira (esperemos) saga incrível. Não há filmes perfeitos e um com tantos heróis terá sempre dificuldades no que toca ao equilíbrio (Infinity War já sofreu com isso).

No entanto, os irmãos Russo fizeram tudo o que podiam para entregar uma história fenomenal. E assim cumpriram. Não acho que poderia ter sido melhor. A última hora excede todas as expetativas. É épica, emocional, repleta de ação e tem uma das minhas imagens favoritas em toda a história do cinema. É pura magia e a equipa de efeitos visuais certamente vai conseguir um Óscar desta vez. A ação faz lembrar as maiores batalhas de Lord of the Rings e foi impecavelmente filmada, cheia de sequências entusiasmantes e de arrepiar várias vezes. Apesar disso, não esperem este sentimento de alta intensidade durante todo o tempo de execução. Os outros dois atos são um slow-burn que serve de build-up para um payoff que vai fazer-vos ou “adorar” ou apenas “gostar” do filme.

Este é, facilmente, um dos melhores filmes da MCU, se não mesmo o novo número um. Não há como negar que as três horas têm algumas cenas desnecessárias, mas mesmo que não possuam um impacto significativo sobre o enredo, ou mesmo nas personagens, ainda contribuem para o enorme build-up. Ver esta família com a qual nós crescemos, apenas a conversar uns com os outros ou a almoçar, ao mesmo tempo que lidam com as consequências do estalo de Thanos, é inexplicavelmente cativante e comovente. Ver personagens como Natasha (Scarlett Johansson) e Steve (Chris Evans) apoiando-se um no outro é simplesmente bonito. A camaradagem e química entre os restantes Avengers são dignos de algumas lágrimas aqui e ali.

Algumas pessoas não gostaram assim tanto de Infinity War devido ao pouco tempo de ecrã que algumas personagem tiveram. Desta vez, há menos heróis com que trabalhar, logo o equilíbrio é melhor. Todos recebem um papel importante, desde o Capitão América a Ant-Man (Paul Rudd) a Nebula (Karen Gillan) e até mesmo o Rocket (Bradley Cooper). Se retirarmos algum herói do filme, este simplesmente deixa de funcionar. Isto não é apenas um grande trabalho dos realizadores, mas também dos argumentistas.

Christopher Markus e Stephen McFeely nem sequer vão ser lembrados porque os fãs vão sempre pensar no elenco em primeiro lugar. A maioria deles também se lembrará dos realizadores. Mas e os argumentistas?! Se ficasse à porta de entrada da sala no final do filme e questionasse a audiência sobre quem são os escritores, acredito fortemente que a maioria não iria saber. Cada diálogo, cada frase, cada palavra carrega tanto impacto sobre a narrativa. Literalmente, as lágrimas caem e os arrepios espalham-se pelo corpo só de ouvir duas malditas palavras com o timing perfeito entre elas. A quantidade de tristeza que as palavras dos que perderam tudo e todos carregam é palpável e, na minha humilde opinião, esses são os momentos mais emocionais do filme: ver como todos estão de luto pelas suas próprias perdas e não as mortes em si.

O humor está on-point na maioria das suas aplicações, mas está ligado ao único problema do filme, que é o tom do segundo ato. A partir do momento em que a equipa decide o que fazer, já sabemos que esta missão tem 1 em 14 milhões de hipóteses de ter sucesso, tal como Dr. Strange (Benedict Cumberbatch) disse, logo a pressão é enorme e o que está em causa é deveras importante. Com este nível de tensão, não se esperava uma vibe tão “tranquila” e “engraçada” durante esse ato, exceto numa sequência em particular. Fazem um excelente trabalho mais uma vez em emparelhar os restantes Avengers, mas a maioria deles passam por esses plot points demasiado cómicos para uma missão tão crucial e séria.

Felizmente, este ato carrega bastante ação, um grande nível emocional e imensas referências a filmes passados (quem não tiver a memória afinada, poderá sentir-se algo confuso durante esta hora e meia) para tornar este problema mais pequeno.

Visualmente, este é, indiscutivelmente, o filme de superheróis mais impressionante de sempre. Dos efeitos visuais alucinantes à cinematografia deslumbrante, tudo é perfeito. Os fatos dos nossos heróis ficam sujos e lamacentos quando estão em batalha, os seus rostos ficam cheios de sangue, e não existem palavras para descrever o quão de fazer o queixo cair o último ato é. Mal posso esperar para mudar a minha imagem de fundo do computador quando AQUELA imagem estiver disponível. Derramei uma única lágrima só de olhar para ela. Ninguém fala, ninguém faz nada. É apenas uma imagem incrivelmente linda. A banda sonora é espetacularmente épica. Tanto que a banda sonora desta crítica é exatamente a do filme e os arrepios não param de se espalhar por todo o corpo.

Não se pode escrever muito mais, para ser honesto. Há que dar o mérito ao elenco porque eles são brilhantes. Todos os membros oferecem um desempenho excecional, mas se tivesse que escolher os que mais surpreendem e quem tem o maior impacto, seriam Johansson, Evans, e Robert Downey Jr. (Tony Stark/Iron Man). As “novas” personagens, como a Captain Marvel (Brie Larson), inserem-se na perfeição e o payoff é incrivelmente satisfatório.

Em termos de previsibilidade, vai mais ou menos ao encontro do que se esperava, mas ainda carrega algumas surpresas. Nunca nada é precisamente como nós imaginamos, logo esperem o inesperado e não julguem um filme por se este cumpre ou não com as vossas teorias loucas e irrealistas que nunca chegaram a cruzar as mentes dos produtores e dos realizadores.

Sente-se aquele vazio de não saber como fazer daqui para a frente. A única coisa de que tenho certeza é de que quero ver novamente, o mais rápido possível. A última hora é autêntica loucura. É impossível parar de pensar nela. Endgame supera todas as expetativas. É tudo o que desejei e muito mais. Poderia facilmente passar um dia inteiro no cinema e assistir a três sessões seguidas. É assim tão bom. Um dos melhores filmes comic-book de todos os tempos, sem dúvida alguma. Obrigado ao Kevin Feige e a todos os que trabalharam duramente para trazer a MCU onde está agora. Não consigo nem pensar em como poderão produzir algo ao nível desta Infinity Saga. Talvez nunca o farão. Talvez tenhamos que esperar mais uma década ou duas por algo assim. Até lá, vemo-nos na próxima sessão de Endgame. Desfrutem. Ah e #DontSpoilTheEndgame!

Avengers: Endgame já está nos cinemas.

Nota:

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1 Comentário

Vasco Patrício 06/05/2019 - 16:58

Totalmente em desacordo.
Achei o filme óbvio e desnecessariamente longo.
Cliche atrás de cliche e, não fossem os espectaculares efeitos especiais, diria que era um filme medíocre.
História fraca, cheia de falhas (não querendo entrar em detalhe, acho a solução extremamente inimaginativa).
Esperava muito mais.

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