Crítica – The Lovebirds

The Lovebirds possui duas prestações maravilhosas, mas tal não chega para evitar um filme aborrecido.

The Lovebirds

No instante em que se preparam para terminar a relação, um casal envolve-se involuntariamente num bizarro caso de homicídio. Enquanto resolvem o mistério e limpam os seus nomes, tentam sobreviver àquela estranha noite e descobrir se ainda há algum resquício de amor entre os dois.

Se já me seguem há algum tempo, sabem que não sou o maior fã das apelidadas rom-coms (comédias românticas), particularmente quando o filme é quase exclusivo ao género. The Lovebirds mistura o último com um plot de crime-mistério, logo encontrava-me surpreendentemente interessado em assistir a este filme da Netflix (ex-Paramount). Não tenho uma opinião definitiva sobre Kumail Nanjiani enquanto ator, tendo em conta que apenas vi The Big Sick da sua filmografia, um filme que admiro, mas não partilho o amor que muitas pessoas têm pelo mesmo. Gosto dos espetáculos de stand-up dele, no entanto. Para além disso, é a primeira vez que vejo Issa Rae no ecrã… Portanto, o que penso sobre as suas prestações?

São, sem dúvida, a melhor parte deste filme. Pode ser expetável para algumas pessoas, mas genuinamente não sabia se este par iria funcionar ou não. Kumail e Issa partilham uma química impecável, carregando a história toda aos seus ombros, especialmente quando o nível de entretenimento começa a diminuir devido à narrativa genérica e algo aborrecida. O alcance e timing cómicos são ótimos, mas o argumento só permite boas piadas ocasionalmente. Issa oferece a melhor prestação dos dois, de longe. É capaz de equilibrar as suas expressões cómicas e dramáticas muito bem, algo que realmente não consigo escrever sobre Kumail.

Não vou mentir: as duas interpretações fantásticas e os risos dispersos não são suficientes para manter o interesse. O argumento está repleto de pontos de enredo formulaicos do género em questão e de decisões ridículas ao nível da narrativa e das personagens, assim como diálogos cringe-worthy. Este último problema fica pior com o passar do tempo.

Por exemplo, existe uma cena específica repetida várias vezes ao longo do filme. É um daqueles diálogos cansativos, difíceis de entender e verdadeiramente maçadores em que as personagens estão ao mesmo tempo, por cima umas das outras, agindo quem nem tolas, com o objetivo de meter piada. Na minha opinião, isto simplesmente não funciona.

O enredo em si é hilariante, mas não no bom sentido. Para deixar claro, Michael Showalter faz um excelente trabalho em estabelecer o tom leve, entregando um daqueles filmes onde o espetador não deve interpretar os eventos demasiado a sério. Não há absolutamente nada de errado com isso, mas tem que existir um limite para o quanto o espetador necessita de simplesmente aceitar e ignorar. Assisti ao filme com a mentalidade certa, mas algumas decisões tomadas pelas personagens são desconcertantes. Não tenho muito mais para escrever.

The Lovebirds

As personagens principais têm personalidades e motivações claras. A sua relação tem um arco bem desenvolvido. Tecnicamente, não há nada notável, mas também não encontro falhas significantes. É tão clichê como centenas de outras rom-coms, com a diferença de que possui dois protagonistas POC (pessoas de cor).

Não tentando desprezar nem diminuir este facto de forma alguma, mas a diversidade não é automaticamente um sinal de um “bom filme”, por mais que algumas pessoas o tentem insinuar. Para ser completamente honesto, contribui muito pouco ou nada para tornar um filme melhor ou pior, a menos que seja um filme que realmente desenvolva o tema de diversidade. The Lovebirds podia ter uma relação heterossexual entre duas pessoas brancas ou uma relação homossexual com duas personagens POC ou qualquer outro tipo de relação… Com este argumento e piadas, apresentaria exatamente os mesmos problemas.

Resumindo, The Lovebirds possui duas prestações maravilhosas por parte de Kumail Nanjiani e Issa Rae, sendo que a última rouba os holofotes. Tentam de tudo para ultrapassar os problemas do filme com uma química fenomenal e oferecem o seu melhor para superar as limitações do seu argumento. Apesar de algumas boas piadas aqui e ali, o filme de Michael Showalter não faz o suficiente para se separar de outras rom-coms existentes.

A diversidade não transforma instantaneamente uma obra num “bom filme”, especialmente quando a narrativa está repleta de pontos de enredo repetitivos, clichês atrás de clichês e decisões idiotas das personagens. Alguns diálogos são genuinamente cringe-worthy, chegando mesmo a revirar os olhos.

No entanto, admito que não sou a melhor pessoa para recomendar este filme ou não. O humor não funcionou para mim, mas pode facilmente ser extremamente eficiente com outra pessoa. Portanto, se rom-coms são a vossa “praia”, não vou me opor em darem a este filme uma oportunidade.

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