Crítica – Skyfall

Skyfall não só é a obra ideal que esta saga de James Bond precisava, como é também o meu filme favorito da Era de Daniel Craig.

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Sinopse: “Quando a última missão de James Bond (Daniel Craig) corre terrivelmente mal, origina-se uma reviravolta calamitosa: agentes disfarçados por todo o mundo ficam expostos e o MI6 é atacado, forçando M (Judi Dench) a realocar a agência. Com o MI6 agora comprometido por dentro e por fora, M vira-se para o único homem em quem pode confiar: Bond. Auxiliado apenas por uma agente de campo (Naomie Harris), Bond aventura-se nas sombras e segue um trilho que o leva a Silva (Javier Bardem), um homem do passado de M com sede de vingança.”

Casino Royale foi um excelente primeiro filme desta nova saga de James Bond protagonizada por Daniel Craig como o famoso 007, mas a sequela Quantum of Solace foi uma desilusão tão grande que o público não sabia o que esperar de Skyfall. Sam Mendes (Revolutionary Road) ainda não tinha realizado nenhum filme de ação antes de entrar nesta saga, logo todas as apostas eram válidas. A única expetativa que o público poderia ter é que este provavelmente seria o filme mais bonito de toda a saga, muito por culpa da contratação de um dos melhores diretores de fotografia da história do cinema, Roger Deakins (No Country for Old Men).

E é exatamente por aqui que começo: a cinematografia de Deakins é tão inspiradora que quase parece que Skyfall está a suar qualidade visual. Durante todo o tempo de execução, o ecrã pinga beleza. Desde a iluminação fascinante aos planos largos dignos de pertencerem a um museu de pintura, Deakins adiciona toda uma outra camada de elegância e classe à saga popular. As sequências de ação regressam aos níveis emocionantes e frenéticos do filme de Martin Campbell, simplesmente com um trabalho de câmara aprimorado e cenas ainda mais memoráveis, tal como uma luta no topo de um arranha-céus em Shanghai, onde as personagens parecem sombras devido à luz intensa e colorida de outros edifícios.

O trabalho de duplos excecional permite a oportunidade de sequências longas e cenas de perseguição entusiasmantes voltarem em grande estilo. A sequência de abertura única e chocante é, sem dúvida, a minha favorita. Estabelece o início de uma narrativa misteriosa e intrigante onde, pela primeira vez nesta Era, 007, MI6 e a audiência estão longe de descobrir o que está a acontecer e quem está a planear tantos atos terroristas incrivelmente impactantes. Sempre dois passos atrás de Mr. Silva, um inimigo do passado interpretado implacavelmente por Javier Bardem (Collateral).

Skyfall

O ator incorpora os motivos vingativos do vilão de forma extremamente convincente, sendo alguém que os espetadores aprendem a compreender, visto que as razões que levam aos seus atos não estão nem perto dos clichés genéricos de antagonistas esquecíveis. A ligação de Mr. Silva com M (Judi Dench), Bond e o próprio MI6 gera uma montanha russa emocional cheia de momentos tensos entre as mesmas personagens. O trio de atores entrega prestações fantásticas que levam a um terceiro ato brutal, mas o elenco secundário também é merecedor de vários elogios, nomeadamente Ralph Fiennes (Harry Potter) e Naomie Harris (Pirates of the Caribbean).

Skyfall também possui a melhor construção de personagens desta Era. Todas as personagens introduzidas têm um impacto significativo no decurso da história. Até pessoas que Bond encontra ao longo do argumento por breves segundos influenciam, de alguma forma, o caminho do protagonista. John Logan (Gladiador) junta-se à dupla de argumentistas especialista em Bond, Neal Purvis e Robert Wade, e o resultado é uma narrativa cativante e inovadora, repleta com reviravoltas surpreendentes. Pode não justificar todos os minutos do tempo de execução prolongado, mas fica muito perto de o conseguir.

Finalmente, esta longa-metragem provavelmente convenceu o próprio Sam Mendes do seu potencial tremendo para realizar filmes de ação, tendo em conta que voltaria em Spectre e faria um filme de guerra “one-shot” com 1917 (também com Deakins como diretor de fotografia). A sua visão encaixa-se perfeitamente no mundo de Bond. De facto, não consigo encontrar uma única falha com o que acredito ser o meu filme favorito da famosa saga. Até o tema musical cantado por Adele recebe o meu selo pessoal de “número um”. Até a banda sonora requintada de Thomas Newman (American Beauty) beneficia a experiência cinemática. Tecnicamente, é uma demonstração quase-perfeita de como um filme de Bond se deve parecer e sentir.

Skyfall não só é a obra ideal que esta saga de James Bond precisava, mas é também o meu filme favorito da Era de Daniel Craig. Desde a narrativa excecionalmente intrigante repleta com desenvolvimentos chocantes à interpretação aterrorizante de Javier Bardem do antagonista fascinante, Sam Mendes oferece a sua notável habilidade enquanto realizador para criar um filme digno de muitos elogios.

O “Rei” da cinematografia, Roger Deakins, faz cada milímetro de ecrã pingar pura beleza cinemática com planos largos visualmente orgásmicos e iluminação de arregalar os olhos, transformando esta peça no filme mais deslumbrante de toda a saga. Prestações fenomenais por parte de todo o elenco elevam um trabalho de escrita das personagens extraordinariamente impactante, culminando num terceiro ato emocionalmente poderoso.

Um tempo de execução ligeiramente acima do necessário não me impede de considerar Skyfall um filme sem falhas. Melhor elogio não consigo escrever.

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