Crítica – Casino Royale

Casino Royale é uma estreia quase-perfeita de Daniel Craig como o novo James Bond.

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Sinopse: “Depois de receber licença para matar, o agente do Serviço Secreto Britânico James Bond (Daniel Craig) voa para Madagáscar, onde descobre uma ligação para Le Chiffre (Mads Mikkelsen), um homem que financia organizações terroristas. Sabendo que Le Chiffre planeia arrecadar dinheiro num jogo de poker, o MI6 envia Bond para jogar contra ele, apostando que o seu mais recente agente “00” vai derrubar a organização do homem.”

Desde o nascimento da arte cinéfila, literalmente milhares de filmes foram criados e oferecidos ao mundo. Como crítico de cinema com uma tremenda paixão pela arte respetiva, esforço-me para manter uma opinião justa, imparcial, honesta, mas também experiente e conhecedora. Devido à descoberta tardia de tal paixão nos primeiros anos universitários, para além de um emprego numa área totalmente distinta, inevitavelmente perdi alguns clássicos e filmes influentes do passado, bem como franquias massivamente conhecidas. A saga de James Bond é uma dessas falhas.

Lembro-me vagamente de alguns filmes do Bond de Sean Connery a passar na TV e assisti às últimas duas películas protagonizadas por Pierce Brosnan. Fora isso, provavelmente possuo vislumbres dos outros filmes, mas nunca assisti aos mesmos como devia. Apesar disso, considero-me um fã da saga em si. Desde o género de espionagem às enormes sequências de ação, sem esquecer um personagem principal incrivelmente convincente, tem tudo o que aprecio profundamente numa saga adorada por muitos. Irei rever todas as aventuras de Daniel Craig como Bond até à estreia de No Time To Die, supostamente o seu último filme como tal.

Casino Royale é, ainda nos dias de hoje, considerado um dos melhores filmes de toda a saga e é relativamente fácil de entender porquê. Primeiro, uma viagem às memórias: nunca esquecerei a quantidade de ódio e desilusão que as pessoas tiveram com a escolha de Craig como o novo James Bond. Simplesmente porque a grande maioria dos comentários foram tontos e infantis: “é loiro e tem olhos azuis, este não é o meu Bond”. Engraçado como os anos passaram e as redes sociais apenas aumentaram o número de opiniões semelhantes em relação a outras sagas e respetivos elencos.

Sempre guardei uma opinião extremamente positiva sobre Craig enquanto ator. Quando coloquei os olhos em Casino Royale pela primeira vez – terceira adaptação da obra original de Ian Fleming – acreditei genuinamente que o ator tinha entregue uma prestação fenomenal e mantenho essa afirmação. Tudo sobre a sua representação grita James Bond: postura, charme, humor, a maneira de falar e, claro, a sua extraordinária habilidade de usar um smoking na perfeição. Esta versão de Bond retrata um espião impiedoso e implacável que fará o que for preciso para completar uma missão, mesmo que isso signifique matar pessoas com famílias.

Este novo Bond é apresentado ao público logo na primeira cena. A partir daí, Craig brilha como o famoso 007, oferecendo one-liners memorávelmente espirituosos e interações notáveis com cada membro do elenco. A sequência de tortura será uma das suas melhores – e mais dolorosas – cenas, digna de muitos prémios. Não possuo uma opinião válida sobre os outros atores, mas realmente precisam de ser algo especial para levar de vencida esta versão de Craig que tanto adoro. Antes que me esqueça, a banda sonora de David Arnold para James Bond é tão perfeita quanto poderia ser.

Craig partilha uma química fantástica com Eva Green (Dumbo), que interpreta a nova “Bond girl”, Vesper Lynd, uma mulher esperta e capaz que é muito mais do que apenas um objeto genérico e banal para ser aproveitado. Lynd é uma personagem intrigante cuja primeira aparição conquista não só a atenção de Bond, mas também a dos espetadores. O diálogo inicial entre estas duas personagens encontra-se repleto de humor e é tão divertido quanto uma conversa pode ser, mas a exposição inteligente sobre quem são realmente estas duas pessoas marca esta cena como um momento de grande importância no início do segundo ato.

Casino Royale

Relativamente ao resto do elenco, Judi Dench (Artemis Fowl) não tem tanto tempo de ecrã como M, a responsável pelo MI6, mas os seus pequenos bocados de diálogo chegam longe o suficiente para demonstrar que não é uma personagem que alguém gostasse de incomodar. Dench emana confiança e poder, algo que Mads Mikkelsen (Chaos Walking) também mostra enquanto está na pele de Le Chiffre. É sempre refrescante testemunhar um arco antagonista que não é outra variação do cansativo conquistador do mundo, um rico movido pelo poder. Le Chiffre tem os seus próprios problemas com grupos superiores, logo a sua vulnerabilidade nunca é escondida do público. Mikkelsen não é nada menos do que excecional neste papel.

Passando para a ação, é aqui que o filme entrega algumas sequências de fazer cair o queixo, mesmo analisando-as de uma perspetiva de 2021. Praticamente todas as sequências de ação podiam ser facilmente a cena final e climática de um filme de ação genérico, o que acaba por demonstrar o impressionante trabalho de coreografia e de câmara (cinematografia por Phil Méheux) presente em Casino Royale. O primeiro ato é pesado em ação, possuindo cenas de perseguição longas e entusiasmantes, incluindo uma das melhores sequências de parkour de sempre. Todas estas sequências são controladas impecavelmente por Martin Campbell (The Mask of Zorro), todas com momentos verdadeiramente fascinantes.

O jogo de poker tenso e cheio de suspense que ocupa a maior parte do segundo ato contém algumas das melhores falas de Craig, mas também é onde todos os pontos narrativos essenciais acontecem. Desde o momento em que todos os jogadores se sentam à mesa até à última cena do filme, a história sofre imensas reviravoltas. Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis fazem um belo trabalho em equilibrar os diferentes arcos, enquanto Campbell lida com as mudanças tonais sem problemas significativos. No entanto, algo sobre a história não encaixa bem comigo.

Casino Royale

Este é um daqueles filmes onde não consigo identificar grandes falhas ou mesmo problemas menores, mas algo me impede de adorar o mesmo ao máximo. Pode ser o ritmo, tendo em mente que sinto que o terceiro ato apressa os seus eventos um pouco, apesar de todos os elementos de storytelling estarem no ponto. Uma parte de mim também deseja que Le Chiffre tivesse um impacto maior na obra geral, mas mais uma vez, a escrita é clara sobre a hierarquia das personagens. Apesar de mais alguns pormenores aqui e ali, considero a primeira aventura de Craig como James Bond um começo fantástico para uma nova Era.

Casino Royale é uma estreia quase-perfeita de Daniel Craig como o novo James Bond. Esta versão brutal do famoso protagonista é lindamente interpretada por Craig, que contradiz as más línguas da altura do lançamento e entrega uma prestação fenomenal como o icónico 007. O seu humor espirituoso, charme irresistível e excelentes diálogos encontram uma adversária à altura em Eva Green, cuja inteligência e forte atitude colocam de lado quaisquer traços genéricos e formulaicos de uma “Bond girl”.

As sequências de ação são dignas de pertencer a blockbusters de hoje em dia, possuindo um trabalho de coreografia e cinematografia impressionantes. Mads Mikkelsen é notável como sempre ao interpretar o antagonista vulnerável, mas o seu impacto geral é ligeiramente desapontante. Martin Campbell cria um daqueles filmes em que não consigo identificar grandes falhas. Os fãs de Bond ficarão encantados.

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