Crítica – Homem-Formiga e a Vespa

Nota: 


Depois de, em abril, termos ficado estupefactos com os acontecimentos de Vingadores: Guerra Infinita, muitos foram aqueles que se questionaram sobre a ausência do Homem-Formiga, que poderia ter sido um aliado de peso na luta contra Thanos e os seus capangas. Pois bem, Homem-Formiga e a Vespa veio contar-nos o que se passou nesse período. Mas se o terceiro filme dos Vingadores teve uma alta carga emocional, Homem-Formiga e a Vespa quase se arrisca a ser uma paródia de si próprio.

Já se sabia de antemão que o Homem-Formiga é alguém que não se pode levar a sério. Contudo, este filme quase que leva a personagem ao nível de caricatura, havendo diversos momentos onde as piadas são completamente acessórias e que torna difícil fazer-nos esboçar um sorriso. Embora os elementos de comédia sejam algo já estabelecido, e até garantido, não é só isso que se pretende nos filmes da Marvel: queremos projetos fortes, com alma, que também nos façam rir, claro, mas, acima de tudo, que não se deixem ridicularizar a si próprios.

Novamente com Peyton Reed na cadeira de realizador, ele que assumiu o lugar de Edgar Wright no primeiro filme devido a diferenças criativas com a Marvel, o filme leva-nos ao período pós-Capitão América: Guerra Civil, em que Scottt Lang (Paul Rudd) cumpre prisão domiciliar devido ao que aconteceu nesse filme, isto enquanto tenta arranjar mil e uma coisas para fazer em casa de modo a não enlouquecer, como passar mais tempo com Cassie (Abby Ryder Fortson), a sua filha.

Enquanto o tempo passa, Hank Pym (Michael Douglas) e Hope (Evangeline Lilly) andam escondidos do resto do mundo e surgem com uma missão urgente: a de resgatar Janet (Michelle Pfeiffer), presa no reino quântico há vários anos. Como é óbvio, estes dois vão precisar da ajuda do Homem-Formiga, mas sem, claro, encontrarem vários obstáculos pelo caminho.

Está dado o ponto de partida, sendo a partir deste momento que o filme ganha algum interesse para o público. Infelizmente, Homem-Formiga e a Vespa usa e abusa do humor, algo que difere bastante do primeiro filme.

Se compararmos, percebemos que, em termos de estrutura, ambos os filmes são muito semelhantes entre si. Já o tom desta mais recente película distancia-se bastante do primeiro filme, que serviu para nos apresentar o personagem e o que poderia trazer ao universo Marvel.

Ou seja, tendo sido feita essa apresentação do personagem, não existiu essa necessidade neste Homem-Formiga e a Vespa, que falha em entregar ao público alguma carga emocional. Aqui, quase todas as cenas a ação são levadas ao limite para arrancar um sorriso do espectador. Algo que funciona na perfeição durante a primeira meia-hora do filme, mas que ao longo da restante história faz com que se torne difícil de encontrar espaços para criar uma relação emocional com quem está a ver.

Também é verdade que os mais recentes filmes da Marvel deixaram de ter um tom tão sério, apostando em piadas que podem conquistar algum público. E não há problema algum em Homem-Formiga e a Vespa apostar neste registo. Funciona muito bem nas cenas em que Scott está com a sua filha, sendo que os diálogos também ajudam. O filme é extremamente divertidíssimo, mas no fim acabamos por não nos sentir satisfeitos pela falta dessa relação emocional com as personagens em prol da comédia.

Com um incrível elenco, uma direção de cenas de ação fantásticas e com um texto sólido, Homem-Formiga e a Vespa apresenta-nos, de novo, vilões pouco interessantes, que existem porque são necessários para justificar a existência do filme, apresentando motivações pouco convincentes.Ainda assim, há um motivo de importância maior para este filme, que encarrega-se de nos mostrar o papel fulcral que Homem-Formiga vai ter no próximo filme dos Vingadores. Ou seja, há uma ligação bem construída com o futuro do Universo Cinemático da Marvel.

Ainda de destacar, além da química entre personagens no ecrã, a prestação de Evangeline Lilly no papel de Hope Van Dyne, que, aqui, ao contrário do primeiro filme, se mostra muito mais liberta e descontraída no papel.

No final, o filme apresenta-nos duas cenas pós-créditos. Fiquem para a primeira, uma vez que é de extrema importância para os acontecimentos do próximo filme dos Vingadores. Já a segunda cena é tão acessória que nada acrescenta.

Homem-Formiga e a Vespa é um filme que pelo seu tom pode não agradar a muitos fãs da Marvel, especialmente depois de Vingadores: Guerra do Infinito, mas que vai agradar, sim, a boa parte do público, que se preocupa pouco com o “grande esquema das coisas” e que procura um filme de ação com muita comédia à mistura.


 

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

10,850FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
632SeguidoresSeguir

Relacionados

Crítica – On the Rocks

On the Rocks não parece um filme, mas sim uma história real com pessoas reais… pelo menos até ao terceiro ato.

Crítica – Rebecca

A versão da Netflix de Rebecca perde-se ao tentar equilibrar tantos géneros em apenas um filme.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Análise – 9 Monkeys of Shaolin

Viajem até à China Medieval numa busca por vingança e muita ação.

Crítica – On the Rocks

On the Rocks não parece um filme, mas sim uma história real com pessoas reais… pelo menos até ao terceiro ato.