- Publicidade -

Crítica – “Vingadores: Guerra do Infinito” – A Marvel não é só feita de super-heróis

-

Nota: 


A fadiga dos filmes de super-heróis é real e legítima. Quer seja da Marvel, da DC, ou de outras propriedades, este é um género que está sobrelotado. Mas, no que toca à Marvel, até os mais céticos terão que admitir que a Marvel descobriu a fórmula.

Há dez anos atrás, a ideia de termos diferentes mascotes de diferentes histórias reunidas num único filme era algo de utópico, um sonho logisticamente impossível. Tirando a trilogia de Spider-Man de Sam Raimi, ou os dois primeiros filmes do Batman de Christopher Nolan, quase mais nenhum recebera a merecida credibilidade por parte dos fãs e da crítica.

Nada fazia prever que a fórmula fosse resultar e, durante 10 anos, essa fórmula teve altos e baixos, com filmes fenomenais e, também, alguns desastres, mas a ambição em apostar em algo maior manteve-se e valeu bem a pena a jornada.

Vingadores: Guerra do Infinito não é um filme perfeito. É, aliás, um Blockbuster com B grande, para a pipoca e divertimento. Mas ao contrário do que este tipo de filmes normalmente quer fazer, que é agradar às massas, este novo capítulo é um agradecimento a todos os fãs das bandas-desenhada e aos novos fãs que acompanharam e cresceram com este universo cinemático ao longo da última década.

Este é, curiosamente, o maior defeito da Guerra do Infinito. É quase necessário um curso dedicado ao universo Marvel, ou, como quem diz, é necessário estar a par dos 18 filmes anteriores que compõem esta saga, mesmo os menos bons, porque tudo culmina aqui com perfeição.

Guerra do Infinito é, finalmente, o filme que reúne todas as personagens mais importantes da saga. De fora ficam as introduções de cada uma, nós já as conhecemos, mas muitas delas não se conhecem entre si, e vê-las a interagir umas com as outras acaba por transformar-se em alguns dos melhores momentos do filme, quer nos momentos mais calmos de diálogos, quer nos incríveis confrontos que ocorrem ao longo das duas horas e meia de filme. Isto resulta graças em parte à excelente dinâmica entre os atores e ao tom que foi estabelecido em histórias individuais, tornando, por exemplo, em retrospectiva, o tom humorístico de Thor: Ragnarok, perfeito para juntar Thor com os Guardiões da Galáxia.

Mas Guerra do Infinito não é só feito das estrelas e personagens que tanto gostamos. Finalmente temos Thanos no grande ecrã, com tempo dedicado a si. Já o conhecíamos de pequenos trechos nos créditos de filmes anteriores, ou em aparições como em Guardiões da Galáxia, mas, aqui, é ele que toma o comando desta aventura. Aliás, Thanos é, sem dúvida, a personagem principal do filme.

E felizmente Thanos também não se apresenta como uma personagem vazia. Há motivações e, apesar das suas ações radicais e insanas, muita humanidade, introduzindo um peso emocional com severas ramificações noutras personagens, de uma forma nunca antes vista neste universo.

E é com estes elementos que Guerra do Infinito quebra o molde dos filmes de super-heróis, sendo este episódio a jornada do vilão. Não quer dizer que os Vingadores não tenham o seu lugar, pelo contrário. Todos eles surgem por necessidade e com ações e decisões que definem o percurso dessa história, mas o tempo dedicado a Thanos, assim como à sua caracterização, são os pontos altos do filme.

Na realização de Guerra do Infinito, podemos contar com os irmãos Russo (Anthony Russo e Joe Russo), que realizaram anteriormente o Soldado do Inverno e Guerra Civil. Nesta sua terceira entrada no Universo Cinemático da Marvel, é possível ver não só como todos os filmes da Marvel amadureceram graças às suas visões, mas também pelo modo como realizam a ação ou escrevem o argumento deste filme.

Este é o primeiro filme gravado na sua totalidade em IMAX, o que se traduz no sentimento de que todos os planos foram cuidadosamente planeados para este formato. A ação não é preenchida de cortes rápidos e câmaras tremidas e a ação que temos acaba por ser clara, forte e violenta. Com imensos trechos que tornam este filme na melhor adaptação cinematográfica de um Dragon Ball que nunca iremos ter.

Aliado a isto, Guerra do Infinito conta também com uma excelente cinematografia, com ambientes e fundos possíveis apenas na nossa imaginação, mas que aqui ganham vida com uma apresentação e escala bastante rara no cinema e que, normalmente, só é vista representada pela visão de artistas em desenhos e conceitos.

Guerra do Infinito é tudo aquilo que os fãs poderiam pedir em termos técnicos e na sua execução. Mas acaba por estar minado de situações que só podem ser entendidas para quem conhece muito bem este universo e conta com pequenas sub-narrativas que, no final, parecem ser esquecidas.

Ainda assim há muita emoção, humor, tristeza e até melancolia nesta celebração dos 10 anos da Marvel. Uma década que foi fermentando e posicionando todas as peças no tabuleiro para um derradeiro xeque-mate.

A verdade é que é um filme que irá fazer-nos coçar a cabeça e gerar discussões entre comunidades, assim como novas teorias sobre o futuro da Marvel.

Vingadores: Guerra do Infinito chegou para mudar completo a saga de super-heróis que impulsionou a cultura pop.

[yasr_overall_rating]


 

- Publicidade -

Sigam-nos

9,972FãsGostar
4,029SeguidoresSeguir
498SeguidoresSeguir

Mais Recentes

Terras sem Sombra 2020: Fotorreportagem em Barrancos

Já vai na 16ª edição, mas há sempre quem não conheça o Terras sem Sombra. É uma iniciativa da sociedade civil que visa dar a conhecer a um público alargado, através do património, da música e da conservação da natureza, um território que sobressai pelos valores ambientais, culturais e paisagísticos.

Hard Rock Café Porto apresenta novo menu e hambúrguer com folha de ouro é estrela

É no número 120 da Rua do Almada, perto dos Aliados, que encontramos o Hard Rock Café Porto. Na semana passada aconteceu a apresentação do novo menu do espaço e o Echo Boomer esteve presente.

Assassin’s Creed Syndicate é a próxima oferta de peso da Epic Games Store

Entre os dias 20 e 27 de fevereiro quem tiver uma conta da Epic Games Store pode resgatar para a sua biblioteca o Faeria e Assassin's Creed Syndicate.

Há um novo restaurante Burger King em Amarante

É mais um restaurante que surge em regime de franchising. Assim, Amarante passa a contar com um estabelecimento Burger King, localizado na Via Tâmega Pinheiro Manso.

Crash Team Racing Nitro – Fueled prepara-se para receber o último Grand Prix

A Activision revela que Crash Team Racing Nitro – Fueled vai “terminar” com um último Grand Prix.
- Publicidade -