Clockwork Aquario – Uma nova oportunidade para este clássico perdido

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Anteriormente cancelado, o título da Westone regressa à vida graças à conversão da Inin Games.

Do baú empoeirado, a Inin Games traz-nos mais um clássico perdido. Desta vez, a distribuidora deixou as consolas de parte e atirou-se de cabeça para o extenso e obscuro catálogo dos salões de arcada para nos trazer Clockwork Aquario, um adorável – e muito desafiante – jogo de ação e plataformas, produzido pela Westone em 1993. Tal como American Hero, Clockwork Aquario foi cancelado muito próximo do seu lançamento e que agora se reconstrói como um Frankenstein interativo através de várias novas partes, como modos adicionais, dificuldades exclusivas e ainda minijogos que poderão jogar com outro jogador. Em comparação a Gynoug e a American Hero, é um trabalho mais competente de restauro de um clássico perdido, mas novamente mergulhado sobre o mau UI que tem vindo a acompanhar os relançamentos da Inin Games.

Clockwork Aquario era um mistério para mim. Não possuo um conhecimento enciclopédico sobre a indústria dos videojogos, mas posso orgulhar-me de conhecer um pouco de tudo, desde o jogo mais peculiar da Atari Jaguar até a lançamentos mais recentes, como Bonkey Trek, mas Clockwork Aquario é uma novidade. Seria impossível encontrá-lo nos salões de jogos, visto que foi cancelado antes de ter os seus 15 minutos de fama, mas não me recordo sequer de o encontrar em vídeo-análises de títulos perdidos no tempo. Mas aqui está ele, disponível na PS4 e na Nintendo Switch, demonstrando mais uma vez a importância da preservação de videojogos na era digital. E se querem uma prova do seu valor, basta olharem para os lançamentos que têm protagonizado este final de ano, a mando da Inin Games, onde temos não só a estreia de jogos clássico no Ocidente, como a ressurreição de títulos cancelados.

O título da Westone só poderia ter sido criado na década de 90. Os seus sprites enormes e coloridos, os cenários animados e as criaturas cómicas, que surgem nos mais variados feitios, transportam-nos para a era dos 16 bits e sabem a nostalgia. As personagens Hack Rondo, Elle Moon e Gash estão em grande destaque, todas elas repletas de personalidade, desde os seus ataques até às animações quando são feridas – com os modelos a mudarem visivelmente quando sofremos dano –, injetando no jogo um tom mais humorístico e cartoonesco (ou, neste caso, um anime). É fácil voltarmos ao passado com o estilo visual de Clockwork Aquario e lembrar-nos de outros clássicos que jogávamos em casa ou nos salões de jogos há quase 30 anos. É muito sólido na direção de arte, mas sinto que os sprites são tão grandes e detalhados que a perspetiva é um pouco afetada por esta escolha, com a câmara a assumir uma visão mais aproximada da ação e a diminuir o nosso campo de visão ao ponto de sofrermos dano se tentarmos ser demasiado rápidos. Um pouco frustrante.

Na jogabilidade, Clockwork Aquario continua a demonstrar as suas medalhas de guerra e traz-nos uma combinação interessante entre combate e plataformas. Com a câmara aproximada, a ação é um pouco mais claustrofóbica do que costumamos associar ao género, mas os controlos são sempre responsivos e os saltos facilmente controláveis entre plataformas ou blocos saltitantes. O combate resume-se à possibilidade de saltarmos em cima dos inimigos, mas também ataca-los com os nossos punhos, dando assim mais uma alternativa de ataque aos jogadores – para não falar em power-ups, como a possibilidade de utilizarmos projéteis por um tempo determinado. A particularidade de Clockwork Aquario encontra-se no atordoamento dos inimigos. Tal como as nossas personagens, os monstros só podem ser eliminados depois de serem atordoados, o que significa que precisamos de dois golpes para vencermos. Ao ficarem feridos, temos também a possibilidade de agarrar nos monstros e atirá-los contra os seus companheiros, seja na horizontal ou na vertical, mas também contra os inúmeros balões que podemos rebentar em busca de itens.

Esta combinação entre salto e projéteis cria a base para os desafios de Clockwork Aquario, onde tudo culmina nas batalhas contra bosses. Os níveis podiam ser mais temáticos e variados, apesar de existir o tradicional nível num veículo em movimento – não poderia ser um jogo de plataformas sem um nível deste género –, mas as batalhas contra os bosses, que se aproximam a Robotnik e às suas invenções estranhas e pouco práticas, conseguem ser desafiantes e apresentam rondas longas, com a barra dos nossos inimigos a exigir vários golpes para chegar ao fim. Não existe muita inovação, mas a Westone criou um título perfeito para as sensibilidades arcada da época e é assim que Clockwork Aquario se apresenta: visualmente inspirado, mas seguro nas suas mecânicas.

A Inin Games acompanha a ressurreição de Clockwork Aquario com várias novidades, como um Easy Mode e a possibilidade de jogarmos o minijogo fora da campanha. Estas novidades poderão ser o fator decisivo para muitos de vocês e, desta vez, a dificuldade de Clockwork Aquario é preservada, não existindo uma opção de rewind (rebobinar) que nos ajuda ao longo da campanha. Uma boa decisão, na minha opinião. No entanto, a UI é desinspirada e solta um odor a trabalho rápido e descartável, algo que contrasta desnecessariamente com a arte vistosa do jogo. Pedia-se, no mínimo, alguma temática nos menus de cores pálidas, mas, por esta fase, já deveria estar habituado. Felizmente, a conversão é sólida e as novidades pouco surpreendentes, mas o suficiente para justificar mais horas de jogo. Um pequeno sucesso, ainda que não seja recomendável a quem não seja apreciador do género.

Cópia para análise (PlayStation) cedida pela PR Hound.

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