Rune Factory 4 Special – A lavrar o campo com uma espada enferrujada

Com quase 10 anos, o título da Marvelous não consegue fascinar por mais que tente.

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Antes de descobrir o meu amor por jogos de sobrevivência, o meu fascínio recaía quase sempre sobre os simuladores de gestão e de agricultura. As imagens nas revistas, que ocupavam apenas uma coluna muito pequena em páginas iniciais, levavam-me a sonhar com RPG de conceitos peculiares, mas construídos em torno de aventuras realistas que se destacavam das tradicionais demandas contra o fim do mundo. A série Harvest Moon surgia constantemente nas discussões, era incontornável, e passou a fazer parte do meu imaginário com o lançamento de Back To Nature na PlayStation. Decidi que queria jogar este RPG tão invulgar, ainda sem imaginar que a série se expandia para outras consolas, mas o destino quis que tal não acontecesse. Nunca o encontrei à venda nas lojas portuguesas. Com o tempo, o interesse foi-se.

Por mais incrível que pareça, ainda não joguei um Harvest Moon. Já joguei spin-offs, como é o caso de Rune Factory 4 Special, e até já analisei Story of Seasons: Friends of Mineral Town, a nova série encabeçada por Yasuhiro Wada, o criador da saga Harvest Moon. Mas e a série original? O destino quis que tal não acontecesse. Talvez seja pelo melhor, protege-se a memória. Foquei a minha atenção em Rune Factory, pois funciona como um híbrido entre a gestão de Harvest Moon e a ação de um RPG, onde temos a possibilidade de não só cultivar a nossa quinta, mas também explorar masmorras em busca de itens e novos adversários. Depois de tantos anos de espera, tive a oportunidade de jogar a série Rune Factory e, infelizmente, esta não é uma viagem de sucesso para mim ou para ti, caro leitor, pois estampei-me no chão assim que parti à aventura. Lá se foi a memória.

Em sua defesa, Rune Factory 4 Special é um jogo de 2012. Originalmente lançado na Nintendo 3DS, este já clássico da Marvelous estreia-se nas novas consolas com uma desvantagem impossível de ignorar. Parece datado, pouco entusiasmante ou envolvente no seu ritmo de jogo, criando mais momentos de frustração do que divertimento. É uma posição injusta, já que Rune Factory 4 Special foi pensado para a portátil da Nintendo, mas é difícil não sentir algum desapontamento depois de tantos anos há espera do momento certo para conhecer melhor a série. Como disse, esta viagem foi um grande flop.

É difícil ficar encantado com os gráficos de um jogo que começa a envelhecer muito mal. Apesar da arte resistir ao teste deste salto geracional, muito por se aproximar do estilo anime, os cenários destacam-se pelo pior, surgindo como imagens estáticas e desfocadas – como se tivessem sido ampliadas na passagem para a alta definição – que destoam por completo em relação aos modelos poligonais e mais definidos das personagens. É um estilo muito estranho, onde pouco há a fazer quando se trata de uma remasterização de um jogo com quase 10 anos e pensado para as consolas portáteis. Os menus também não são apelativos, muito minimalistas e sem novos atalhos ou melhorias de vida neste relançamento, e a nível visual, podemos ainda incluir as animações em baixa qualidade de imagem que se destacam pelo pior.

Consigo perceber que Rune Factory 4 Special é um jogo que se quer simples e focado no cultivo, na exploração e na gestão de personagens, mas não fiquei inteiramente convencido. Ao contrário de Story of Seasons, pelo que pude experienciar, a agricultura é menos importante e requer apenas algumas tarefas mais repetitivas e pouco empolgantes. Não há uma gestão tão rigorosa de conteúdos e a campanha move-se como se estivesse presa em mel, de tão lânguida que é, onde demoramos mais tempo a desbloquear as ferramentas do que a cultivar ou a lutar. Como sempre, o cultivo resume-se a limparem o vosso campo, a lavrarem a terra e a plantarem as sementes. Este é um dos loops do jogo, onde podemos adicionar, aos poucos, a criação de animais e a venda de materiais.

Não sei se a série segue sempre o mesmo fio narrativo, mas em Rune Factory 4 Special, o nosso objetivo prende-se em melhorar a nossa cidade e a torná-la mais popular, de modo a chamar a atenção das pessoas e a garantir não só mais habitantes, como novos materiais, armas e armaduras – um pouco à semelhança do que vimos recentemente em Grow: Song of the Evertree. Para tal, temos de utilizar a nossa posição como oficial da cidade para ajudar os habitantes com os seus pedidos, com quem podemos construir relações de amizade – e não só –, à medida que expandimos as masmorras e a narrativa da campanha.

O nosso papel como oficial é interessante e é o que dá alguma alma ao jogo. Ao completarmos missões e objetivos diários, temos acesso a pontos que podemos utilizar para realizar festivais, torneios e melhorar os nossos atributos gerais, como aprender uma nova arte ou função. Este sistema está construído para injetar alguma variedade na campanha, mas a repetição e o grinding instalam-se em poucas horas, especialmente se quisermos adquirir todas as licenças disponíveis e ter às receitas possíveis para melhorarmos a nossa alimentação e equipamentos. Como Story of Seasons, Rune Factory 4 Special é um jogo para viver e respirar durante dezenas de horas e a paciência nem sempre sobrevive nesta demanda hercúlea de plantar batatas e lutar contra monstros.

Não fiquei convencido com Rune Factory 4 Special, mas consigo ver-lhe as barbas brancas à distância. Quero conhecer e saber mais, e neste momento, fico de olhos postos no futuro e em Rune Factory 5, que chegará em março de 2022. Esta visita ao passado soube a pouco, com mecânicas arcaicas que precisam urgentemente de uma atualização – como a utilização de um sistema de energia que é insuficiente no controlo das atividades diárias –, mas a curiosidade não se dissipou. Veremos o que nos espera no futuro.

Cópia para análise (versão PlayStation) cedida pela Decibel PR.

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