Análise – Ride 4

Mais do que MotoGP 20, Ride 4 é um jogo dedicado exclusivamente aos verdadeiros fãs de motas.

Ride 4
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Desenvolvido pela Milestone S.R.L., Ride 4 é o mais recente capítulo da saga de competição de superbikes para as consolas. Anteriormente, a Milestone esteve envolvida com WRC e, desde há alguns anos para cá, tem estado responsável por desenvolver MotoGP e MXGP, detendo, portanto, o monopólio de jogos de motas.

Ride 4 não tem como base nenhuma competição em concreto, mas o modelo de jogo é bastante interessante. Para além do Single Race, Endurance e Time Trial no modo Race (corrida rápida) e no modo Multiplayer (que é bastante simples), tem um novo modelo de modo carreira que está composto de forma interessante.

O modo carreira subdivide-se em três regiões (America, Ásia e Europa) das quais escolhemos uma para começar o percurso e, a partir daí, é começar a pontuar de forma a chegar ao topo da Liga Mundial. Após 40 taças na Liga Mundial, é possível ir mais longe e chegar à World Superbikes League e World Endurance League. No entanto, tenham em atenção que isto é um projeto a longo prazo, visto que até a Liga Regional é um grande desafio com uma panóplia de provas distintas, desde Time Trials a Overtake Races temporizadas.

Apesar de não ser fácil, é desafiante ao ponto de não ser monótono nem linear, visto que a progressão na carreira é dinâmica, onde cada escolha feita leva a um percurso distinto. Isto vai originar diferentes corridas de tipos específicos com base em escolhas feitas (até relacionadas com a marca preferida de motas). Eu pessoalmente dou-me melhor com simuladores de carros do que motas, por isso ainda estou numa fase muito prematura da carreira.

Em relação ao jogo em si, face ao seu predecessor, sofreu muitos ajustes e melhorias (já a prepará-lo para a nova geração de consolas) entre os quais um re-trabalho intenso de motas a pistas, de forma a estarem ainda mais fieis à realidade, com um maior grau de detalhe.

Ride 4

Com mais de 250 modelos de motas (176 base) de 22 construtores e 34 pistas (30 base) nas quais está incluído o Autódromo Internacional do Algarve, conteúdo é o que não falta. Aliás, o conteúdo é um dos grandes pontos fortes do jogo e a qualidade do mesmo é incrível, graças a muito trabalho de Laser Scanning, 3D Scanning e CAD Data.

Nas motas, em concreto, o sistema de aquisição destas é interessante. Exige que juntemos créditos ganhos em corridas para, à posteriori, comprar novos modelos e junta-los à garagem. Após a aquisição de novos modelos, é possível melhorá-los a nível de motor, transmissão, travões, suspensão, escape, etc (também com uso de créditos) e personalizar cada mota em esquema de cores, camadas de formas e números. Também é possível fazer essa edição no capacete e fato. Se não tiverem paciência, podem sempre pesquisar e fazer download de criações feitas por outros jogadores (há muitas que parecem trabalhos profissionais).

Outra novidade é o ciclo diurno-noturno e o sistema de meteorologia dinâmica durante as corridas. Isto significa que, durante a corrida, o tempo comporta-se de forma realista. Nota-se mais nas provas de Endurance de várias horas, que por vezes começamos a meio da tarde e o sol vai descendo até se por e fica de noite. A meteorologia igual, podendo haver variações súbitas de condições durante a mesma prova.

Tenho falado em Endurance, faltando referir que este modo de competição é também uma novidade no jogo, trazendo consigo uma linha de motas próprias para essas provas, pelo que exige estratégia durante cada prova (que podem durar até 24 horas). Isto requer uma boa gestão de componentes como combustível e pneus, bem como a programação das paragens a fazer na pit-stop.

Ride 4 usa o mesmo AI de aprendizagem que MotoGP para os adversários em modo offline, que é ANNA. Com o tempo, este AI, através de múltiplas sessões de treino, vai aprendendo os básicos de condução. Ou seja, vai desenvolvendo e especializando vários comportamentos de condução através de um sistema de premiação, onde as ações corretas/bem sucedidas, são reconhecidas. Isto vem potenciar uma evolução saudável dos condutores controlados por este AI a nível de comportamentos em cima da mota, tornando as suas ações mais realistas. A verdade é que, em competição offline, parece que que não estamos a competir contra bots.

A jogabilidade é ótima e, por incrível que pareça, a adaptação ao modo de jogo mais realista é relativamente fácil de se fazer. Claro que o desempenho não vai ser tão bom como quando se tem as ajudas de condução ativadas, mas, por outro lado, a mota fica mais maleável e responsiva (e também fica mais fácil de cair).

Ride 4

Em desempenho e gráficos, não há nada a apontar. Com o Unreal Engine por detrás, raramente há algo a apontar. Em Ride 4, o trabalho é, mais uma vez, brilhante! Com a aquisição da versão de Ride 4 para as consolas atuais, vão poder fazer o upgrade para as consolas da próxima geração. Creio que a Milestone, em parceria com a Unreal, tem algo especial na manga preparado para estas duas variáveis (jogabilidade e gráficos).

Ao fim de contas, apesar de Ride 4 não ser tão restritivo como MotoGP, falta um bocado de brilho e espetacularidade no que toca a ambiente circundante e comentários para tornar a experiência mais real, e não só “condução”. Ainda assim, considero Ride 4 o melhor jogo de motas da atualidade, onde a sensação de velocidade consegue ser tão espetacular como em Isle of Man II e a jogabilidade superior. Falta MXGP (que só sai em Dezembro), mas duvido que consiga superar este, dado que trabalhar com projeção de terra e poeira em videojogos é um trabalho complicado.

Se forem fãs de MotoGP em concreto, se calhar vão gostar mais de jogar MotoGP. No entanto, se forem fãs de motas, tenho quase a certeza que Ride 4 será um jogo que vos vai encher mais as medidas. O facto de ter o Autódromo Internacional do Algarve é mais um bónus.

Nota: Muito Bom

Plataformas: PC, PlayStation4 e Xbox One
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela TNPR.

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