Análise – Psychonauts 2 (Xbox Series X|S)

Mais do que um divertido jogo de plataformas e ação, Psychonauts 2 atira-nos para uma aventura épica e abstrata que explora de forma alegre e descontraída uma série de condições psicológicas reais.

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A espera terminou. Psychonauts 2, a sequela do jogo de culto de 2005 da Double Fine e Tim Schafer (criador de jogos como Grim Fandango, Broken Age ou Brutal Legend), está aqui para delícia dos fãs de longa data e para uma nova geração de jogadores.

Começo por fazer um pequeno “spoiler” a esta análise com uma questão: O que é que faz de um jogo “Excelente”? Serão os seus gráficos inovadores? Jogabilidade divertida e polida? A sua história emocionante e a forma como é contada? A soma de tudo isso? Ou simplesmente o enorme sentimento de satisfação, que no fim de contas se sobrepõe a qualquer crítica e problema que o jogo possa ter? Eu acredito na última opção. E Psychonauts 2 é mesmo isso: um excelente jogo.

A minha memória não é a melhor. Lembro-me de jogar o original no PC alguns anos depois do seu lançamento original e, além do seu tom humorístico, design disforme e jogabilidade relativamente banal para um jogo de plataformas e ação, pouco registei. Oportunidades para o revisitar também não faltaram, até porque é um dos jogos presentes no Xbox Game Pass, mas pelo seu estado algo datado o desejo de o fazer era nulo. Pelo menos até agora, depois de terminar a sua sequela, Psychonauts 2.

Psychonauts 2 não é uma sequela direta do original, mas sim do spin-off para o PS VR, Psychonauts In the Rhombus of Ruin. Porque a experiência de realidade virtual não está ao alcance de todos, a Double Fine não esconde ou ignora nada do que está no passado e reconhece até que esta será a porta de entrada para muitos jogadores, através de um resumo em vídeo, seguido de uma primeira missão que nos atira diretamente para o meio da ação num “mind heist” altamente reminiscente de Inception (cuja premissa é algo semelhante a Psychonauts), num mundo onde é possível visitar a mente das pessoas para espiar, alterar ideias e até personalidades.

Com o regresso do elenco de personagens principais e secundárias do jogo original, juntamente com mais um extenso grupo de personagens lendárias daquele mundo, Psychonauts 2 explora de forma alegre e descontraída uma série de condições psicológicas reais que nos afetam a todos nós e aqueles que nos rodeiam. Medos, traumas, ansiedades, ataques de pânico, entre outros, personificando-os através de criaturas fantásticas, inimigos, desafios e níveis que compõem uma história recheada de momentos adoráveis, emocionais, inclusivos e, acima de tudo, educativos, relembrando-nos do que nos faz verdadeiramente humanos.

Antes de um simples jogo, Psychonauts 2 usa todas as armas ao seu dispor para despoletar empatia no próximo através das suas histórias e das suas personagens que, apesar de habitarem num mundo de fantasia e abstrato, lidam com problemas extremamente reais.

Apesar de um jogo relativamente linear, é um dos mais completos lançados este ano, especialmente dentro do seu género, enquanto jogo de plataformas. Com uma longa campanha, que parece muito mais longa do que realmente é, pela sua diversidade absurda de níveis criativos dinâmicos com representações abstratas de casinos, hospitais, museus, parques de diversão e até de álbuns de música reminiscentes do rock psicadélico dos anos 70, Psychonauts 2 é uma autêntica epopeia contada pela perspetiva do jovem psychonaut Razputin Aquato, enquanto tenta reencontrar e juntar Lendas e Mitos que formavam os fundadores da agência dos Psychonauts, para combaterem um ameaça maior que a vida.

Apesar da grande história que quer contar, são os pequenos episódios, compostos por uma ou duas personagens e as suas estranhas e danificadas mentes que se destacam, quer pelo fantástico humor do jogo que transforma ideias e conceitos em elementos literais de forma brilhante (como por exemplo a clássica bagagem emocional, que no jogo é um colecionável em forma de uma mala ou mochila cheia de emoções), quer pelo lado mais emotivo e ressonante das relações e perfis de todas aquelas personagens.

Visualmente, Psychonauts 2 pode não ser o melhor que já vimos esta geração (ou mesmo na anterior, para onde também tem lançamento marcado), isto porque a equipa da Double Fine optou por um registo surreal, ao invés do hyper-real, ao mesmo tempo que quis manter-se fiel ao registo do jogo original, resultando numa versão moderna do jogo, mas extremamente bem polida. Ao longo do título somos confrontados com tantos efeitos, quirks, níveis dinâmicos cheios de animação, sequências de combate caóticas e cinemáticas tão bem realizadas que Psychonauts 2 torna-se surpreendentemente bonito de forma única e à altura de ser uma bela série de televisão. Particularmente devido à sua longevidade e ritmo episódico.

Psychonauts 2 é, para todos os efeitos, um jogo de plataformas e exploração. Não é um jogo perfeito nesse departamento, com a sua jogabilidade a revelar os seus defeitos mais perto do início do jogo, quando temos menos habilidades e poderes para usar. Felizmente, ao longo da jornada, as várias habilidades, de combate ou navegação, juntamente com os desafios que nos obrigam a combos mais ou menos cerebrais, tornam a jogabilidade altamente profunda e bem mais polida do que era inicialmente aparente, com momentos de ação onde temos que trocar habilidades de acordo com o tipo de inimigos que combatemos, e sequências de exploração onde as mesmas habilidades são a chave para abrir caminhos e descobrir segredos. E há um bónus interessante: tudo o que aprendemos ao longo do jogo teremos a oportunidade de usar e de abusar se quisermos continuar a explorar o jogo pós-história, revisitando níveis antigos ou apanhando itens que deixamos para trás.

Porém, admito que há muitas coisas que ao longo desta aventura torci o nariz. O sistema de plataformas do jogo, por vezes, requer uma destreza motora exigente; são vários os momentos em que é fácil ficar bloqueado num nível; e o sistema de progressão e de objetivos através do caderno de Raz não é o mais simples de ler e depender. Mas a cada mente que visitava, a cada obstáculo mais cerebral, a cada personagem que conhecia e a cada momento em que a fasquia desta aventura ficava mais elevada e importante para o protagonista, mais investido fui ficando nas suas personagens e no seu mundo, resultando num final catártico e emocionalmente mais eficaz do que esperava de um jogo que parecia ser apenas uma aventura de plataformas com muito humor à mistura.

No fim, muito ficou por explorar. E ainda bem, porque depois de semana e meia ao lado de Raz e dos restantes pyschonauts, a vontade de lá continuar foi enorme, assim como a vontade de redescobrir como esta aventura começou com o jogo original.

Psychonauts 2 tem lançamento nas consolas Xbox, PC, Xbox Game Pass e consolas PlayStation, já esta semana, no dia 25 de agosto.

Nota: Excelente - Recomendado

Disponível para: PC, Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4 e Playstation 5 (via Retrocompatibilidade)
Jogado na Xbox Series X
Cópia para análise cedida pela Xbox Portugal

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