As más noticias ficaram de fora do XBOX Games Showcase.
Poucos dias depois de uma fantástica apresentação de novidades no XBOX Games Showcase, chegam as más noticias de algo menos emocionante que a XBOX está a preparar. Mais despedimentos. De acordo o Bloomberg, a Microsoft está a preparar-se para cortar vários postos de trabalho dentro da XBOX, num número ainda não determinado. De acordo com as fontes ouvidas, os despedimentos deverão acontecer logo após o fecho do ano fiscal da Microsoft, a 30 de junho, e serão acompanhados de cortes expressivos nos orçamentos de marketing e de outras áreas da divisão.
Asha Sharma, que assumiu a liderança da XBOX em fevereiro, explicou a urgência da situação num e-mail interno enviado aos funcionários esta semana e posteriormente publicado no blogue oficial da Xbox, também assinado por Matt Booty. A dupla de executivos revelou que a divisão opera com uma margem de responsabilidade de apenas 3%, um indicador interno de lucro da Microsoft, e que nos últimos cinco anos, a XBOX gastou mais de 20 mil milhões de dólares (cerca de 18,2 mil milhões de euros) em conteúdos, plataforma e subsídio de hardware, enquanto as receitas anuais caíram quase 500 milhões de dólares (cerca de 455 milhões de euros) no mesmo período, isto excluindo os resultados da Activision Blizzard King. No comunicado, lê-se com alguma seriedade que “Daqui para a frente, isto não pode continuar“.
Esta recente reestruturação traz também uma inversão na política de lançamentos como já acompanhámos por aqui. Durante o XBOX Games Showcase no dia 7 de junho, Sharma anunciou que Gears of War: E-Day e Clockwork Revolution não serão lançados na PlayStation 5 nem nas consolas Nintendo Switch. A decisão apanhou muita gente de surpresa, até porque alegadamente haveria uma versão para PlayStation 5 de Gears of War: E-Day em desenvolvimento e era dada como garantida, os retalhistas, inclusive, já preparavam pré-encomendas, e vários funcionários da XBOX também não sabiam de tal facto. Anedoticamente, a Halo Studios tinha até um trailer de Halo: Campaign Evolved preparado para o State of Play da PlayStation, que foi retirado da transmissão à última hora, o que terá prejudicado a relação entre as duas empresas.
A aposta na exclusividade não será isenta de custos, uma vez que a PlayStation 5 vendeu mais de 90 milhões de unidades de consolas do que a XBOX Series X|S, o que corresponde a sensivelmente o triplo. Assim, abdicar de lançamentos multiplataforma significa abdicar de receitas consideráveis. Sharma reconhece tal facto, mas argumenta que as propriedades da XBOX nunca foram devidamente financiadas para competir. “Não as financiámos adequadamente para competir e ganhar“, escreveu no mesmo e-mail, o que parece sinalizar uma mudança nesse campo.
Na publicação também é citado o problema da escassez dos componentes. Na mensagem os funcionários foram alertados para uma crise que deverá agravar-se até ao natal de 2027, quando a XBOX poderá estar a pagar cinco vezes mais por armazenamento e memória do que em 2024. Esta situação condiciona, obviamente, a estratégia para a próxima consola, para já conhecida com o nome de código “Helix”. “Acreditamos ter sido afetados de forma mais intensa do que muitos dos nossos concorrentes devido às escolhas que fizemos na última meia década“, que a Xbox “precisa de um novo modelo de negócio e de parcerias para o hardware”, lê-se na mensagem.
Recentemente, na Bloomberg Tech Conference, Sharma havia afirmado que o seu mandato não é perseguir margens de software empresarial, mas tornar a XBOX “a empresa número um de jogos e entretenimento“, mensagem ecoada na publicação. E para chegar lá, prometeu não esconder as dificuldades. “Não vamos ter sucesso fazendo o mesmo que sempre fizemos e esperando resultados diferentes.“
