A SEGA cancelou o Super Game, um projeto de jogo enquanto serviço anunciado em 2021, após o fraco desempenho dos títulos free-to-play e das dificuldades financeiras com a Rovio.
A SEGA confirmou o cancelamento do Super Game nos resultados financeiros do ano fiscal de 2026, divulgados esta semana, encerrando um projeto que durante cinco anos nunca chegou a ser mostrado ao público com clareza daquilo que seria realmente.
Anunciado em maio de 2021, o Super Game apresentou-se com ambições consideráveis, levando a SEGA a considerar um investimento de até 100 mil milhões de ienes ao longo de cinco anos e a apontar receitas vitalícias superiores ao mesmo montante, o equivalente a cerca de 570 milhões de euros.
Durante o período em que esteve em desenvolvimento, o Super Game foi descrito de forma vaga e com expressões de venda, que nunca permitiram ter uma ideia concreta do tipo de jogo se tratava, para além de existir num ambiente online e em constante evolução. No fundo, um metaverso. Em novembro de 2023, o co-diretor de operações Shuji Utsumi apresentou-o como “um jogo que se coloca ombro a ombro acima dos jogos normais“, capaz de envolver “todo o ecossistema dos jogos, incluindo não só os jogadores, mas também os streamers e os seus espectadores“, descrições que entram quase no campo da parodia da linguagem corporativa. Adicionalmente, a SEGA chegou ainda mencionar um FPS em desenvolvimento num estúdio europeu como parte da mesma iniciativa.
O cancelamento insere-se agora numa revisão alargada da nova estratégia de jogos enquanto serviço da editora, motivada pelo fraco desempenho do Sonic Rumble Party e pelas dificuldades financeiras associadas à Rovio, a empresa finlandesa responsável pela série Angry Birds, que a SEGA adquiriu em 2023 por 706 milhões de euros. A atual conjuntura do mercado pesou igualmente na decisão, tendo-se verificado nos últimos meses uma falha na retenção de jogadores em vários títulos importantes dessa natureza, enquanto os jogadores continuam concentrados em experiências já bem estabelecidas como Fortnite e Roblox, para além dos custos de desenvolvimento que não param de crescer. A própria SEGA já tinha atravessado um episódio semelhante em 2023 com o Hyenas, da Creative Assembly, cancelado após anos de desenvolvimento e na origem de uma revisão das operações europeias da editora.
A SEGA garantiu que o cancelamento não acarreta custos adicionais e que mais de cem pessoas que trabalhavam em projetos free-to-play foram transferidas para equipas de “Full Game”, com foco nas principais propriedades intelectuais da editora. A pipeline de reboots de sagas clássicas mantém-se intacta, com Virtua Fighter, Golden Axe, Streets of Rage, Jet Set Radio e Crazy Taxi a manterem-se em desenvolvimento ativo, aos quais se juntam títulos já confirmados como Stranger Than Heaven, da RGG Studio, Total War: Medieval III, Total War: Warhammer 40,000 e Alien: Isolation 2, da Creative Assembly, bem como Persona 4 Revival.
